Papa no Angelus: A cura mais importante é a dos afetos


Papa no Angelus de 27/06/2021 (imagem: Vatican News)
Papa no Angelus de 27/06/2021 (imagem: Vatican News)

A maior doença da vida é o câncer, a tuberculose, a pandemia? Não…É a falta de amor é não conseguir amar

[Eduardo Honorato Paulo, 28/06/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste 13ª domingo do tempo comum, o Papa Francisco recitou tradicionalmente ao meio dia a oração do Angelus reunido com os fiéis na Praça de São Pedro. O Santo Padre, como de costume, recordou o Evangelho do dia em que, segundo o Pontífice, o Senhor se depara com duas difíceis realidades humanas: a doença e a morte.

Ele nos ensina que Jesus realiza as duas curas para nos dizer que nem a doença nem a morte detém a última palavra:

“Hoje, no Evangelho, Jesus se depara com as nossas duas situações mais dramáticas, morte e doença”. Delas ele liberta duas pessoas: uma menina, que morre enquanto o pai foi pedir ajuda a Jesus; e uma mulher, que perde sangue há muitos anos. Jesus se deixa tocar pela nossa dor e morte, e realiza dois sinais de cura para nos dizer que nem a dor nem a morte têm a última palavra. Ele nos diz que a morte não é o fim. Ele vence este inimigo, do qual não podemos nos libertar sozinhos”.

Continuando o Papa nos diz que a cura da mulher não foi apenas física, sua doença lhe  causava dores além do corpo, realidade que nós também passamos, e essa é a principal cura:

“Concentremo-nos, no entanto, neste período em que a doença ainda está no centro das crônicas, no outro sinal, a curada mulher. Mais do que sua saúde, eram seus afetos a serem comprometidos: ela tinha perda de sangue e, portanto, de acordo com a mentalidade da época, era considerada impura. Ela era, portanto, marginalizada, não podia ter relações, um marido, uma família e relações sociais normais. Ela vivia sozinha, com o coração ferido”. “A história desta mulher sem nome, na qual todos nós podemos nos ver, é exemplar”. O texto diz que ela tinha feito muitas curas, “gastando todos os seus bens sem nenhuma vantagem”, ao contrário, piorando”.  “A maior doença da vida é o câncer, a tuberculose, a pandêmia? Não…É a falta de amor é não conseguir amar. Esta pobre mulher estava doente pela falta de amor. E a cura mais importante é a dos afetos”.

O Pontífice nos lembra que muitas vezes procuramos a cura de nossos afetos em lugares e de formas erradas. Estes devem ser curados por meio do amor que é concreto e verdadeiro. Caminhos como sucesso, dinheiro e fama podem causar alegrias momentâneas mas não oferecem a cura:

“Também nós, quantas vezes nos lançamos em remédios errados para satisfazer nossa falta de amor”. “Pensamos que a nos fazer felizes sejam o sucesso e o dinheiro, mas o amor não se compra é gratuito. Refugiamo-nos no virtual, mas o amor é concreto. Nós não nos aceitamos como somos e nos escondemos por detrás dos truques da exterioridade, mas o amor não é aparência. Procuramos soluções em magos e gurus, para depois nos encontrarmos sem dinheiro e sem paz”.

Concluindo, o Santo Padre ainda ensina que assim como a mulher que sofria com o desprezo e o isolamento social, muitas pessoas em nossa época também são excluídas de afeto por diversas razões pessoais. Nos pede que não sejamos pessoas que excluem mas sim que olham com misericórdia, que consigam enxergar o ser humano por detrás da ferida:

“gostamos de ver as coisas ruins das outras pessoas. Quantas vezes caímos na tagarelice, que é fofocar sobre os outros. Que horizonte de vida é este”? “Não julgue a realidade pessoal e social dos outros, não julgue e deixe os outros viverem”. “Olhe ao seu redor: você verá que tantas pessoas que vivem ao seu lado se sentem feridas e sozinhas, elas precisam se sentir amadas. Dê o passo. Jesus lhe pede um olhar que não se detém na exterioridade, mas vai ao coração; um olhar que não julga, deixemos de julgar os outros, Jesus nos pede um olhar que não julga, mas acolhedor. Porque só o amor cura a vida. Que Nossa Senhora, consoladora dos aflitos, nos ajude a levar uma caricia aos feridos no coração que encontramos em nosso caminho”.

Anterior 3º Dia: São Pedro, conduza nossos sacerdotes!
Próximo 29/06 - São Pedro e São Paulo