Papa no Angelus: A constante luta contra o mal


Papa Francisco no Angelus de 06/03/2022 (Imagem: Facebook Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 06/03/2022 (Imagem: Facebook Vatican News)

Porque a felicidade e liberdade verdadeiras não estão em possuir, mas em compartilhar

[Eduardo Honorato Paulo, 06/03/2022 – Redação CatolicaWeb] Neste Primeiro da Quaresma, o Papa Francisco junto com os fieis reunidos na Praça de São Pedro, conduziu a oração mariana do Angelus, sempre precedida de algumas palavras sobre o Evangelho do dia (Lc 4, 1 – 13), que narra as tentações que Jesus passou no deserto.

Para o Santo Padre, o deserto representa o ambiente em que estamos sujeitos às tentações e o Senhor deveria passar por este deserto antes de iniciar sua vida pública:

 “nos leva ao deserto, onde Jesus é conduzido pelo Espírito Santo, durante quarenta, dias para ser tentado pelo diabo (cf. Lc 4,1-13). O deserto simboliza a luta contra as seduções do mal, a fim de aprender a escolher a verdadeira liberdade”. Jesus, de fato, vive a experiência do deserto pouco antes de começar sua missão pública. É precisamente através desta luta espiritual que Ele afirma de forma decisiva que tipo de Messias pretende ser”

Francisco nos mostra que o diabo tenta a Jesus de três formas: tentar a faze-Lo aproveitar-se de sua posição, a aumentar o Seu Poder sobre a Terra e a tirar de Deus um sinal de prodígio para sua satisfação. Segundo o Papa Jesus afasta essa tentação com a Palavra de Deus e os preceitos ensinados por Deus, em que o verdadeiro poder consiste em servir e não ser servido, dando o exemplo sendo o maior servidor:

“Duas vezes o diabo dirige-se a Ele e diz: “Se és o Filho de Deus…”. Ou seja, propõe-lhe a explorar sua posição: primeiro para satisfazer as necessidades materiais que sente; depois para aumentar seu poder; por fim, para obter um sinal prodigioso de Deus.

É como se estivesse dizendo: “Se és o Filho de Deus, aproveita”, ou seja, “pensa em teu proveito”. É uma proposta sedutora, mas leva à escravidão do coração: nos torna obcecados pelo desejo de ter, reduz tudo à posse de coisas, de poder, de fama. Este é o núcleo das tentações. É “o veneno das paixões” no qual o mal cria raízes.

Mas Jesus se opõe às atrações do mal de uma maneira vencedora. Como Ele faz isso? Respondendo às tentações com a Palavra de Deus, que diz para não tirar proveito, não usar Deus, os outros e as coisas para si mesmo, para não explorar a própria posição a fim de adquirir privilégios. Porque a felicidade e liberdade verdadeiras não estão em possuir, mas em compartilhar; não em aproveitar-se dos outros, mas em amá-los; não na obsessão com o poder, mas na alegria de servir.”

O Pontífice nos dá ainda um ensinamento muito valioso, pois nós também somos tentados constantemente: Não se deve compactuar com o mal. Não se deve negociar. O que errado dever ser evitado mesmo que ninguém evite. O que faz mal às pessoas, muitas vezes para nosso proveito, deve ser afastado de nós, mesmo que para isso nos caibam alguns sacrifícios.

“Irmãos e irmãs, estas tentações também nos acompanham no caminho da vida. Devemos estar vigilantes, porque muitas vezes elas se apresentam sob uma forma aparente de bem. De fato, o diabo, que é astuto, usa sempre o engano. Ele queria que Jesus acreditasse que suas propostas eram úteis para demonstrar que era realmente o Filho de Deus. E assim também faz conosco: muitas vezes chega “com olhos dóceis”, “com um rosto angelical”; sabe até se disfarçar de motivos sagrados, aparentemente religiosos!

Se cedermos a suas lisonjas, acabamos justificando nossa falsidade disfarçando-a com boas intenções: “Fiz negócios estranhos, mas ajudei os pobres”; “aproveitei meu papel, mas também para o bem”; “cedi aos meus instintos, mas no final não fiz mal a ninguém”, e assim por diante.

Por favor: com o mal, nada de compactuar com ele! Não se deve dialogar com a tentação, não se deve cair naquele sono de consciência que faz dizer: “afinal, não é grave, todos fazem assim”! Olhemos para Jesus, que não procura acomodamentos, não faz acordos com o mal. Ele se opõe ao diabo com a Palavra de Deus e assim vence as tentações.”

Encerrando, o Papa Francisco nos convida e entrar neste deserto junto com o Senhor, que aproveitemos este tempo propício para intensificar nossa oração e podermos vencer cada vez mais o mal, que infelizmente, ainda habita em nós:

“Que este tempo de Quaresma – concluiu o Papa – seja também um tempo de deserto para nós. Reservemos um tempo para o silêncio e a oração, durante o qual podemos parar e olhar o que está mexendo em nossos corações. Façamos clareza interior, colocando-nos diante da Palavra de Deus em oração, para que uma luta benéfica contra o mal que nos escraviza, uma luta pela liberdade, possa ter lugar dentro de nós. Peçamos a Nossa Senhora que nos acompanhe no deserto quaresmal e que nos ajude em nosso caminho de conversão.”

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