Papa no Angelus: Advento – Não tenhamos medo, o Senhor virá


Papa Francisco no Angelus de 28/11/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 28/11/2021 (Imagem: Vatican News)

Jesus anuncia eventos desoladores e tribulações, mas justamente neste ponto nos convida a não ter medo. Por quê? Por que tudo vai correr bem? Não, mas porque Ele virá

[Eduardo Honorato Paulo, 28/11/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste Primeiro Domingo do Advento, o Papa Francisco, junto com os fieis reunidos na Praça de São Pedro, recitou a oração do Angelus sempre precedida de um breve comentário sobre o Evangelho do dia, (Lc 21, 25-25 – 28. 34 – 36).

O Papa nos mostra que no texto do Evangelho Jesus fala do final dos tempos, de eventos catastróficos, mas não pede desespero e sim confiança. Por mais assustadores que possam parecer os sinais é o Senhor quem estará voltando e aqueles que são de Cristo deverão se alegrar:

“Jesus anuncia eventos desoladores e tribulações, mas justamente neste ponto nos convida a não ter medo. Por quê? Por que tudo vai correr bem? Não, mas porque Ele virá: Ele diz: “Erguei-vos e levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação” (Lc 21,28). É bom ouvir esta palavra de encorajamento: erguei-vos e levantai a cabeça porque é justamente nos momentos em que tudo parece estar acabado que o Senhor vem para nos salvar; esperá-lo com alegria mesmo em meio às tribulações, nas crises da vida e nos dramas da história.

O Santo Padre questiona como poderemos ficar alegres e esperançosos em meio a tantas tribulações e perigos, mas mostra o caminho que Jesus ensinou: estar sempre vigilante, não deixar o coração pesado, manter viva a esperança:

Mas como levantar a cabeça, como não nos deixarmos absorver por dificuldades, pelos sofrimentos, pelas derrotas?

Jesus nos mostra o caminho com um forte apelo: “Cuidado para que vossos corações não fiquem pesados. Ficai acordados, portanto, orando em todo momento”. “Ficai acordados”: a vigilância. Detenhamo-nos sobre este importante aspecto da vida cristã.

O Pontífice faz uma longa exortação sobre o que é ser vigilante. Ele explica que para vigiar é necessário estar acordado, orando sempre, não deixar que a possível tristeza decorrente de nossas desventuras humanas deixe o nosso coração pesado. A oração nos leva de volta para Deus e essa mesma voltar nos devolve a alegria e o animo que perdemos, como uma limpeza diária em nosso coração:

Pelas palavras de Cristo, vemos que a vigilância está ligada à atenção: cuidado, não se distraiam, ou seja, fiquem acordados! Vigilar significa isto: não permitir que o coração se torne preguiçoso e que a vida espiritual se enfraqueça na mediocridade. Ter cuidado porque se pode ser “cristãos adormecidos”, sem impulso espiritual, sem ardor na oração, sem entusiasmo pela missão, sem paixão pelo Evangelho. E isto leva a “adormecer”: a continuar com as coisas por inércia, a cair na apatia, indiferentes a tudo, exceto ao que nos convém.

Precisamos estar vigilantes para não arrastar nossos dias para o hábito, para não nos fazer ficar pesados – diz Jesus – pelas preocupações da vida. Hoje, então, é uma boa oportunidade para nos perguntarmos: o que pesa no meu espírito? O que me faz acomodar na poltrona da preguiça? Quais são as mediocridades que me paralisam, os vícios que me esmagam até o chão e me impedem de levantar a cabeça? E com relação aos fardos que pesam sobre os ombros dos irmãos, estou atento ou indiferente?

Estas perguntas nos fazem bem, porque ajudam a proteger o coração da preguiça, que é um grande inimigo da vida espiritual. Ela é aquela preguiça que nos mergulha na tristeza, que nos tira o gosto de viver e o desejo de fazer. É um espírito negativo, maligno que aprisiona a alma no torpor, roubando-lhe a alegria. O Livro dos Provérbios diz: “Guarda teu coração, porque dele brota a vida” (Pr 4,23). Custodiar o coração: isso significa vigilar!

Finalizando, o Papa Francisco nos exorta a orar sempre. A oração é nosso contato com o Senhor, é o que mantém a chama acesa. Devemos orar em todo momento não necessariamente com muitas palavras, mas com muita fé. Nos encoraja que mesmo na ausência de palavras façamos orações pequenas, repetindo várias vezes ao dia. Isso tem muito valor:

E acrescentemos um ingrediente essencial: o segredo para estar vigilante é a oração. Pois Jesus diz: “Vigiai em todo momento orando” (Lc 21,36). É a oração que mantém acesa a lâmpada do coração. Especialmente quando sentimos que nosso entusiasmo esfriou, a oração reacende-o, porque nos traz de volta a Deus, ao centro das coisas. Ela desperta a alma do sono e a concentra no que importa, sobre o fim da existência. Mesmo nos dias mais movimentados, não negligenciamos a oração.

A oração do coração pode nos ajudar, repetindo frequentemente pequenas invocações. No Advento, acostumemo-nos a dizer, por exemplo: “Vem, Senhor Jesus”. Repitamos esta oração ao longo do dia: a alma permanecerá vigilante!

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