Papa no Angelus: Amar a Jesus além de nossas dificuldades e problemas


Papa no Angelus de 01/08/2021 (imagem: Vatican News)
Papa no Angelus de 01/08/2021 (imagem: Vatican News)

Mas o Senhor deseja uma relação de amor conosco: antes das coisas que recebemos e fazemos, existe Ele a ser amado

[Eduardo Honorato Paulo, 01/08/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste XVIII domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco falou aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro durante a oração mariana do Angelus, onde fez uma profunda reflexão sobre o Evangelho do dia (Jo 6, 24 – 35).

Em sua reflexão, o Santo Padre nos lembrou o texto bíblico fala da multidão que procurava a Jesus por causa dos milagres que Ele realizava e viam nisso uma oportunidade para obter benefícios. Francisco nos ensina que esta não deve ser a nossa atitude e que procurar a Jesus apenas por aquilo que pode nos fazer não é uma fé baseada no amor mas em interesse, o Papa nos diz:

Mas assim a fé permanece superficial e miraculosa: “buscamos a Deus para matar nossa fome e depois quando estamos satisfeitos nos esquecemos dele”: No centro desta fé imatura não existe Deus, estão as nossas necessidades.  Penso nos nossos interesses, tantas coisas…É justo apresentar ao coração de Deus as nossas necessidades, mas o Senhor, que age bem além das nossas expectativas, deseja viver conosco sobretudo uma relação de amor. E o amor verdadeiro é desinteressado, é gratuito: não se ama para receber um favor em troca. Isso é interesse, e tantas vezes na vida nós somos interesseiros!”

Neste sentido Francisco nos chama a atenção para o risco da “tentação Idolátrica” que é aquela que leva a procurar o Senhor apenas para satisfazer as próprias necessidades. Segundo o Pontífice devemos nos perguntar o por que procuramos Jesus, o porque oramos, qual é a nossa real intenção na relação que estabelecemos com o Senhor:

“Por que buscamos o Senhor? Por que eu busco o Senhor? Quais são as motivações da minha fé, da nossa fé?:Temos necessidade de discernir isso, porque entre as tantas tentações que temos na vida, entre as tantas tentações há uma que poderíamos chamar de tentação idolátrica. É aquela que nos leva a buscar a Deus para nosso próprio uso e consumo, para resolver os problemas, para obter, graças a Ele, o que não conseguimos obter sozinhos, por interesse.”

Podemos chegar à conclusão que nossa fé é na verdade é interesse, e diante desta possível constatação devemos encontrar caminhos para uma purificação, nos lembrar de estabelecer uma amizade com Jesus, acolhe-Lo de coração como acolhemos um amigo que amamos:

“Mas, como fazer para purificar a nossa busca por Deus? Como passar de uma fé mágica, que só pensa nas próprias necessidades, para uma fé que agrada a Deus?”. E é o próprio Jesus que responde, afirmando que “a obra de Deus é acolher Aquele que o Pai enviou, ou seja, Ele mesmo, Jesus”: Não é acrescentar práticas religiosas ou observar especiais preceitos; é acolher Jesus, é acolhê-Lo na vida, é viver uma história de amor com Ele. Será Ele quem purificará a nossa fé. Sozinhos, não somos capazes. Mas o Senhor deseja uma relação de amor conosco: antes das coisas que recebemos e fazemos, existe Ele a ser amado. Existe uma relação com Ele que vai além das lógicas do interesse e do cálculo.”

Finalizando o Pontífice nos alerta que assim como podemos instrumentalizar a Jesus, ou seja, busca – Lo apenas para resolver nossas necessidades e depois abandona – Lo, corremos o risco de fazer isso também com as pessoas utilizando – as e descartando. Assim se conseguirmos a aprender a amar Jesus além de nossas necessidades e problemas devemos também, a partir desse amor, amar também o próximo. Que nosso amor às pessoas seja um reflexo de nosso amor a Cristo:

E isso vale não só em relação a Deus, mas também nas nossas relações humanas e sociais: “Quando buscamos sobretudo a satisfação das nossas necessidades, corremos o risco de usar as pessoas e de instrumentalizar as situações para os nossos objetivos.  Quantas vezes ouvimos sobre uma pessoa: ‘Mas ele usa as pessoas e depois se esquece’. Usar as pessoas em proveito próprio, é feio isso! E uma sociedade que coloca no centro os interesses em vez das pessoas, é uma sociedade que não gera vida. O convite do Evangelho é este: em vez de nos preocuparmos apenas com o pão material que nos alimenta, acolhamos Jesus como o pão da vida e, a partir da amizade com Ele, aprendamos a amar-nos uns aos outros. Com gratuidade e sem cálculos.  Amor gratuito e sem cálculos, sem usar as pessoas, com gratuidade, com generosidade, com magnanimidade.”Rezemos agora à Virgem Santa Aquela que viveu a mais bela história de amor com Deus, para que nos conceda a graça de nos abrirmos ao encontro com o seu Filho.

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