Papa no Angelus: Assimilar a Palavra de Jesus dentro do coração


Papa Francisco no Angelus de 31/10/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 31/10/2021 (Imagem: Vatican News)

A Palavra de Deus deve ser “ruminada”. Podemos dizer que é tão nutritiva que deve atingir todos os âmbitos da vida

[Eduardo Honorato Paulo, 31/10/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste 31º Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco, antes de rezar a oração do Angelus junto com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro, fez uma breve alocução sobre o Evangelho do dia (Mc 12, 28b-34).

O Santo Padre chamou a atenção para um fato muito curioso: No texto um escriba (um especialista em leis entre os judeus) faz uma pergunta a Jesus e ao ouvir sua resposta repete quase com as mesmas palavras o que o Senho lhe disse. Francisco nos indica que o escriba com este ato não está apenas concordando, mas também assimilando aquelas palavras, deixando que elas se impregnem em seu coração:

 “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” Jesus responde, citando as Escrituras e afirma que o primeiro mandamento é amar a Deus. A partir daí, como consequência natural, segue o segundo mandamento: amar o próximo como a si mesmo. “Ouvindo esta resposta, o escriba não só a reconhece como justa, mas ao fazê-lo repete quase as mesmas palavras proferidas por Jesus: “Muito bem, Mestre! É verdade que amá-lo com todo o coração, com toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo, é melhor do que todos os holocaustos e os sacrifícios”. “Por que ao dar seu assentimento, o escriba sente a necessidade de repetir as mesmas palavras de Jesus? Esta repetição parece ainda mais surpreendente se pensarmos que estamos no Evangelho de Marcos, que tem um estilo muito conciso. Então, qual é o sentido desta repetição? É um ensinamento para nós que ouvimos, porque a Palavra do Senhor não pode ser recebida como uma notícia qualquer: ela deve ser repetida, assimilada, custodiada. A tradição monástica usa um termo ousado, mas muito concreto: a Palavra de Deus deve ser “ruminada”. Podemos dizer que é tão nutritiva que deve atingir todos os âmbitos da vida: envolver, como diz Jesus hoje, todo o coração, toda a alma, toda a mente, toda a força. Ela deve ressoar, ecoar dentro de nós. Quando há este eco interior, significa que o Senhor habita no coração. E nos diz, como àquele bom escriba do Evangelho: “Você não está longe do Reino de Deus.”

Francisco continuou dizendo que Jesus não procura apenas “bons entendedores” da palavra, mas sim corações que estejam dispostos a receber e acolher esta mesma palavra. Como uma terra fértil que recebe uma semente e dá frutos, a palavra só frutificará na vida de quem não apenas entende mas ama a Palavra a ponto de querer torna- La real:

 “o Senhor não procura hábeis comentadores das Escrituras, mas sim corações dóceis que, ao acolherem a sua Palavra, se deixam mudar por dentro. Por isso, é tão importante familiarizar-se com o Evangelho, tê-lo sempre à mão, ter um pequeno Evangelho no bolso, na bolsa, para lê-lo e relê-lo, apaixonar-se por ele”. Quando fazemos isso, Jesus, a Palavra do Pai, entra em nosso coração, torna-se íntimo e nós damos fruto nele. Tomemos o Evangelho de hoje como exemplo: não basta lê-lo e entender que é preciso amar a Deus e ao próximo. É necessário que este mandamento, o “grande mandamento”, ressoe dentro de nós, seja assimilado, se torne a voz de nossa consciência. Então não permanece letra morta, na gaveta do coração, porque o Espírito Santo faz germinar em nós a semente dessa Palavra, e a Palavra de Deus age, é sempre em movimento, é viva e eficaz. Assim, cada um de nós pode se tornar uma “tradução” viva, diferente e original, da única Palavra de amor que Deus nos doa. Vemos isso na vida dos santos, por exemplo: nenhum é igual ao outro, são todos diferentes, mas todos com a mesma Palavra de Deus.

Concluindo, o Papa Francisco nos convida a seguir o exemplo do escriba. Procurar repetir a Palavra que escutamos de Jesus, não apenas entender seu conceito, mas para que a repetição aprofunde esta mesma Palavra em nossos corações, a ponto de podermos ama-La.

Repitamos as palavras de Jesus, façamos que ressoem em nós: ‘Amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com toda a força e ao próximo como a mim mesmo’. E perguntemo-nos: este mandamento orienta realmente a minha vida? Isso se reflete em meus dias? Nos fará bem hoje à noite, antes de dormir, fazer um exame de consciência sobre esta Palavra, ver se hoje amamos o Senhor e doamos um pouco de bem a quem encontramos. Que todo encontro seja para doar um pouco de bem, um pouco de amor que vem dessa Palavra. Que a Virgem Maria, na qual o Verbo de Deus se fez carne, nos ensine a acolher no coração as palavras vivas do Evangelho”.

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