Papa no Angelus: A Bem-Aventurança de ser um discípulo de Jesus


Papa Francisco no Angelus de 13/02/2022 (Imagem: Vatican Media)
Papa Francisco no Angelus de 13/02/2022 (Imagem: Vatican Media)

Jesus, ao contrário, declara um fracasso o sucesso mundano, pois se baseia em um egoísmo que infla e depois deixa o vazio no coração

[Eduardo Honorato Paulo, 13/02/2022 – Redação CatolicaWeb]Neste 6º Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco reunido com os fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano, proferiu sua reflexão sobre o Evangelho do dia (Lc 6, 17.20-26), antes de conduzir a tradicional oração mariana do Angelus.

O texto bíblico narra o conhecido “sermão da montanha”, onde Jesus nos apresenta as bem-aventuranças, que segundo o Papa, são as características do discípulo de Jesus.

Para Francisco, elas são paradoxais e podem soar estranho para quem não conhece o Senhor. Ele fala da primeira: “Bem aventurados os pobres”. Esta pobreza que se refere o Senhor não é exatamente a pobreza de bens materiais, mas sim a de espírito, aquele que não se considera pronto e cheio de si está aberto para receber de Deus, e isso é uma bem aventurança:

“Vemos a primeira que é a base de todas as outras: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus”. Ou seja, Jesus diz que seus discípulos “são bem-aventurados e pobres; que são bem-aventurados porque são pobres”. Mas em que sentido?

“No sentido de que o discípulo de Jesus não encontra a sua alegria no dinheiro, no poder, ou em outros bens materiais, mas nos dons que recebe de Deus todos os dias: a vida, a criação, os irmãos e as irmãs, e assim por diante: são dons da vida. Mesmo os bens que possui, sente-se feliz em partilhá-los, porque vive na lógica de Deus. E qual é a lógica de Deus? A gratuidade. O discípulo aprendeu a viver na gratuidade. Esta pobreza é também uma atitude em relação ao sentido da vida, porque o discípulo de Jesus não pensa que o possui, que já sabe tudo, mas sabe que deve aprender todos os dias. E essa é uma pobreza: a consciência de ter que aprender a cada dia (…). Por isso é uma pessoa humilde, aberta, livre de preconceitos e rigidez.”

Ainda ressaltando a pobreza, o Pontífice relembra o Evangelho do último domingo, onde Pedro, após ter feito uma pesca milagrosa, deixa tudo e segue a Jesus, deixando o exemplo de Pedro como o de um verdadeiro discípulo que deixa tudo, se esvazia para receber tudo novo do Senhor:

“Pedro mostra-se dócil deixando tudo, tornando-se assim discípulo. Por outro lado, quem é muito apegado às próprias ideias e às próprias seguranças, dificilmente segue realmente Jesus. Segue-o um pouco, |somente nas coisas com as quais eu concordo e que Ele está de acordo comigo|, nas outras não. E este não é um discípulo. E assim cai na tristeza. Fica triste porque as contas não fecham, porque a realidade escapa aos seus esquemas mentais e ele se vê insatisfeito. O discípulo, por outro lado, sabe questionar-se, sabe buscar humildemente a Deus todos os dias, e isso lhe permite mergulhar na realidade, apreendendo dela a riqueza e a complexidade.”

O Santo Padre ainda nos ensina que é preciso aceitar o paradoxo das bem-aventuranças, pois a lógica de Deus por muitas vezes contraria a humana, Francisco explica:

“Humanamente, somos levados a pensar de outra forma: é feliz quem é rico, quem é saciado de bens, quem recebe aplausos e é invejado por muitos, quem tem todas as seguranças. E este é um pensamento mundano, não é pensamento das Bem-aventuranças. Jesus, ao contrário, declara um fracasso o sucesso mundano, pois se baseia em um egoísmo que infla e depois deixa o vazio no coração.” E isso requer um caminho, às vezes cansativo, mas sempre acompanhado pela alegria. Porque o discípulo de Jesus é alegre com a alegria que lhe vem de Jesus. Porque, recordemo-nos, a primeira palavra que Jesus diz é: bem-aventurados. Disto o nome das Bem-aventuranças. Este é o sinônimo de ser discípulo de Jesus. O Senhor, libertando-nos da escravidão do egocentrismo, desfaz nossos fechamentos, dissipando a nossa dureza, e nos revela a verdadeira felicidade, que muitas vezes se encontra onde nós não pensamos. É Ele a guiar a nossa vida, não nós, com os nossos preconceitos ou com as nossas exigências. “O discípulo, por fim, é aquele que se deixa guiar por Jesus, que abre o coração a Jesus, escuta-O e segue o caminho.”

O Papa encerra falando da alegria do discípulo. Mesmo no paradoxo de uma contrariedade a alegria deve estar presente, pois a fé na consolação e o bem maior que o Senhor é capaz de tirar de toda situação deve prevalecer:

Podemos então nos perguntar: “tenho a disponibilidade do discípulo? Ou me comporto com a rigidez de quem se sente bem, de quem chegou lá? Deixo-me “desfazer por dentro” pelo paradoxo das Bem-aventuranças ou permaneço no perímetro de minhas ideias? E depois, com a lógica das Bem-aventuranças, para além das fadigas e dificuldades, sinto a alegria de seguir Jesus? Esta é a característica marcante do discípulo: a alegria do coração. Não nos esqueçamos: a alegria do coração. E esta é a medida de comparação, para saber se alguém é discípulo: tem a alegria no coração? Eu tenho a alegria no coração? Este é o ponto. Que Nossa Senhora, a primeira discípula do Senhor nos ajude a viver como discípulos abertos e alegres.”

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