Papa no Angelus: Coragem para dividir o mínimo que somos e o que temos


Papa no Angelus de 25/07/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa no Angelus de 25/07/2021 (Imagem: Vatican News)

 Ele pode fazer muito com uma oração nossa, com um gesto de caridade para com os outros, até mesmo com a nossa miséria entregue à sua misericórdia. Deus ama agir assim

[Eduardo Honorato Paulo 25/07/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste 17º domingo do tempo comum, o Papa Francisco conduziu a oração do Angelus diretamente da janela do apartamento pontifício junto com os fieis reunidos na Praça de São Pedro onde refletiu, como faz de costume, o Evangelho do dia.

Na liturgia de domingo o Evangelho narra a multiplicação dos pães e dos peixes quando Jesus alimenta uma multidão faminta (Jo 6, 1-15). O Santo Padre nos lembra que Jesus não criou aqueles pães, não os tirou do nada. Ao contrário ele partiu daquilo que já existia, que foi doado por alguém que se dispôs a abrir mão de tudo aquilo que possuía. Francisco nos ensina que isso é fundamental:

“é interessante ver como acontece este milagre: Jesus não cria os pães e os peixes do nada, mas age a partir do que os discípulos lhe trazem. Um deles diz: “Há aqui um jovem que tem cinco pães de cevada e dois peixes; mas o que é isso para tanta gente”? É pouco, não é nada, mas é o suficiente para Jesus”.  “Vamos agora tentar nos colocar no lugar daquele jovem”: Os discípulos lhe pedem para partilhar tudo o que ele tem para comer. Parece uma proposta insensata, aliás, injusta. Por que privar uma pessoa, principalmente um jovem, do que ele trouxe de casa e tem o direito de guardar para si? Por que tirar de uma pessoa o que não é suficiente para alimentar a todos? Humanamente, é ilógico. Mas não para Deus. Pelo contrário, graças a esse pequeno dom gratuito e, portanto, heroico, Jesus pode alimentar a todos. Este é um grande ensinamento para nós. Ele nos diz que o Senhor pode fazer muito com o pouco que colocamos à sua disposição.”

O Pontífice reforçou a ideia que o “pouco com Deus é muito” quando lembra que o mínimo que oferecemos a Deus pode ser multiplicado, não devemos ter medo de oferecer aquilo que temos, desde a mais simples oração:

“O que eu levo para Jesus hoje?” “Ele pode fazer muito com uma oração nossa, com um gesto de caridade para com os outros, até mesmo com a nossa miséria entregue à sua misericórdia. Deus ama agir assim: Ele faz grandes coisas a partir de coisas pequenas e gratuitas”

O Papa nos chama atenção para o fato que na narrativa do Evangelho a palavra “multiplicar” não aparece, mas sim as palavras “partilhar”, “dividir” e “distribuir”. Nos lembra que lógica de Deus não está no acumular bens para termos mais e sim dividir o que temos para que todos possam se beneficiar, dividir nossos dons para o bem de todos:

A lógica do dom é muito diferente da nossa. Nós buscamos acumular e aumentar o que temos. Em vez disso, Jesus nos pede para doar, para diminuir. Nós amamos acrescentar, gostamos de adicionar. Jesus gosta de subtrair, de tirar alguma coisa para dar aos outros. Nós queremos multiplicar para nós. Jesus aprecia quando dividimos com os outros, quando partilhamos. É curioso que nos relatos da multiplicação dos pães presentes nos Evangelhos, o verbo “multiplicar” nunca aparece. Pelo contrário, os verbos usados são de sinal oposto: “partir”, “dar”, “distribuir”. O verdadeiro milagre, diz Jesus, não é a multiplicação que produz glória e poder, mas a divisão, a partilha, que aumenta o amor e permite que Deus realize maravilhas. Vamos compartilhar mais: experimentar este caminho que Jesus nos ensina.

Concluindo, o Santo Padre lembrou que devemos ter a coragem de colocar o pouco que temos à disposição de Jesus e dos irmãos, sem medo de parecer insuficiente. Lembrou que o jovem citado no Evangelho não tem nome e por isso podemos nos colocar em seu lugar, doando o que somos o que temos e que só quando a humanidade alcançar esse dom de doação poderíamos dar uma resposta a tantos problemas em nossa sociedade como a fome mundial, bem lembrada por Francisco:

“também hoje, a multiplicação de bens não resolve os problemas sem uma partilha justa”. Vem à mente a tragédia da fome que afeta particularmente as crianças. Foi calculado que todos os dias no mundo cerca de sete mil crianças abaixo de cinco anos morrem por causa da desnutrição. Porque não têm o necessário para viver. Diante de escândalos como estes, Jesus também nos faz um convite, um convite semelhante ao que provavelmente recebeu o jovem do Evangelho, que não tem nome e no qual todos nós podemos nos ver: “Coragem, doa o pouco que tem, os seus talentos e seus bens, coloque-os à disposição de Jesus e dos irmãos. Não tenha medo, nada será perdido, porque se você partilha, Deus multiplica. Expulse a falsa modéstia de se sentir inadequado, confie. Acredite no amor, no poder do serviço, na força da gratuidade.

O Papa Francisco concluiu a oração do Angelus pedindo a Nossa Senhora que nos ajude a abrir o coração para os convites de Deus e às necessidades dos outros.

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