Papa no Angelus: Entremos em crise com a Palavra de Jesus


Papa no Angelus de 22/08/2021 (imagem: Vatican News)
Papa no Angelus de 22/08/2021 (imagem: Vatican News)

Não nos surpreendamos se Jesus Cristo nos coloca em crise. Aliás, nos preocupemos se não nos coloca em crise

[Eduardo Honorato Paulo, 22/08/2021 – Redação CatolicaWeb] O Santo Padre conduziu a oração do Angelus neste XXI domingo do Tempo Comum, junto com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro, em uma manhã ensolarada do verão europeu. Precedendo a oração, o Papa fez a sua costumeira reflexão sobre o Evangelho de domingo (Jo, 60 – 69), onde Jesus continua falando sobre o milagre da multiplicação dos pães.

Em um certo momento de seu discurso, as palavras de Jesus se tornam duras, quando diz que Ele é o verdadeiro Pão descido do céu, e que o pão que daria ao mundo seria a sua própria carne e sangue, isso escandaliza a muitos que o deixam de seguir:

Estas palavras, disse o Santo Padre, soam duras e incompreensíveis aos ouvidos do povo, tanto que, a partir daquele momento, muitos de seus discípulos voltam atrás, ou seja, deixam de seguir o Mestre. Então Jesus pergunta aos Doze: “Não quereis também vós partir?”, e Pedro, em nome de todo o grupo, confirma a decisão de ficar com Ele: “Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

Francisco questiona de onde vem essa falta de fé que fez a tantos deixarem de segui – lo. O que nestas palavras causou tanto espanto naquelas pessoas que estavam ali para ouvir o Senhor? Ele mesmo explica:

“De onde nasce essa descrença? Qual é o motivo desta recusa? – As palavras de Jesus causam grande escândalo: Ele está dizendo que Deus escolheu manifestar-se e trazer a salvação na fraqueza da carne humana. A encarnação de Deus é o que suscita escândalo e que representa para estas pessoas – mas muitas vezes também para nós – um obstáculo. De fato, Jesus afirma que o verdadeiro pão da salvação, que transmite a vida eterna, é sua própria carne; que para entrar em comunhão com Deus, antes de observar as leis ou cumprir os preceitos religiosos, é preciso viver uma relação real e concreta com Ele.”

O Pontífice ainda afirma que Deus se fez carne, rebaixando-se a Si mesmo para se tornar como nós e assumir o nosso pecado e que não há outro caminho na história para encontrar a salvação que não seja pela relação com Ele:

“Deus se fez carne e sangue: abaixou-se ao ponto se tornar homem como nós, humilhou-se a ponto de assumir nosso sofrimento e nosso pecado, e nos pede para procurá-lo, portanto, não fora da vida e da história, mas no relacionamento com Cristo e com os irmãos e irmãs.

Ele ainda adverte que ainda hoje a pregação de Jesus pode causar muito escândalo, pois não segue a lógica do mundo:

Ainda hoje, a revelação de Deus na humanidade de Jesus pode causar escândalo e não é fácil de aceitar. É o que São Paulo chama de “loucura” do Evangelho diante daqueles que buscam os milagres ou a sabedoria do mundo (cf. 1 Cor 1, 18-25). E este “escândalo” é bem representado pelo sacramento da Eucaristia: que sentido pode haver, aos olhos do mundo, ajoelhar-se diante de um pedaço de pão? Por qual motivo se alimentar assiduamente deste pão?

“Diante do gesto prodigioso de Jesus que alimenta milhares de pessoas com cinco pães e dois peixes, todos o aclamam e querem levá-lo em triunfo. Mas quando Ele mesmo explica que esse gesto é sinal de seu sacrifício, ou seja, do dom de sua vida, de sua carne e de seu sangue, e que aqueles que querem segui-lo devem assimilá-lo, sua humanidade dada por Deus e pelos outros, então não, esse Jesus não agrada mais”

Concluindo, o Santo Padre nos alerta que as palavras de Jesus causaram uma crise naqueles discípulos, e assim mesmo que deve ser. A pregação de Jesus deve causar uma crise quando é ouvida, pois somente a partir desta crise é que pode haver a nossa conversão e que devemos nos preocupar se ela não nos incomodar, pois podemos correr o risco de interpreta-la de forma errada:

“Não nos surpreendamos se Jesus Cristo nos coloca em crise. Aliás, nos preocupemos se não nos coloca em crise, porque talvez tenhamos diluído sua mensagem! E peçamos a graça de nos deixar provocar e converter por suas ‘palavras de vida eterna'”

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