Papa no Ângelus: Deus olha para nós como o melhor dos pais


Papa Francisco no Ângelus de 20/03/2022 (Imagem: Vatican News - Facebook)
Papa Francisco no Ângelus de 20/03/2022 (Imagem: Vatican News - Facebook)

Papa Francisco nos recorda a misericórdia e paternidade de Deus, perante a consequência de nossas próprias escolhas

[Rodrigo Camara, 20/03/2022 – Redação CatolicaWeb] A misericórdia geradora de “outra possibilidade”, a paternidade e o convite à conversão. No Ângelus deste Domingo (20/03), Papa Francisco nos propõe uma reflexão profunda sobre a misericórdia de Deus, baseada no Evangelho do dia (Lc 13, 1-9).

A aproximadamente 30 mil pessoas presentes na Praça São Pedro, o Pontífice iniciou sua exortação recordando o trecho do Evangelho em que as pessoas traziam a Jesus notícias acerca das tragédias, desejando saber quem era o culpado.

Questionamentos “sempre atuais”, disse o Papa, complementando:

“Quando as más notícias nos oprimem e nos sentimos impotentes diante do mal, muitas vezes nos perguntamos: trata-se, quem sabe, de um castigo de Deus? É Ele quem envia uma guerra ou uma pandemia para nos punir por nossos pecados? E por que o Senhor não intervém?”

O Pontífice ainda lembrou o risco de “perder a lucidez” perante estes questionamentos, fazendo com que culpemos Deus “em busca de uma resposta fácil para o que não podemos explicar”.

A misericórdia de Deus

Rejeitando fortemente a atribuição de nossos males a Deus, o Pontifice nos recordou a misericórdia como o “estilo de Deus”:

“O mal nunca pode vir de Deus porque Ele ‘não nos trata segundo os nossos pecados’, mas segundo a sua misericórdia. É o estilo de Deus. Não pode tratar-nos de outra forma. Sempre nos trata com misericórdia.”

Complementando, Francisco nos deixa o convite a olharmos para nós mesmos: “É o pecado que produz a morte; são os nossos egoísmos que despedaçam os relacionamentos; são nossas escolhas erradas e violentas que desencadeiam o mal.

Contudo, baseado no trecho do Evangelho em que o vinhateiro pede mais um ano para adubar a figueira infértil e assim propor uma nova chance, o Pontífice salientou a misericórdia eterna de Deus, capaz de sempre ceder uma outra possibilidade perante nossos pecados:

“Gosto de pensar que um belo nome de Deus seria ‘o Deus de outra possibilidade‘: ele sempre nos dá outra oportunidade, sempre, sempre. Assim é a sua misericórdia.”

O melhor dos pais e a esperança dos frutos

Mais uma vez recorrendo ao Evangelho, o Pontífice nos lembrou o olhar paterno e repleto de esperança de Deus sobre nós, esperança do “melhor dos pais”:

Convite à conversão

O Tempo quaresmal ainda foi lembrado a nós como o momento propício à busca da conversão e à vivência do amor e da fraternidade, capazes de vencer o mal:

É um convite urgente, sobretudo neste tempo de Quaresma. Acolhamo-lo com o coração aberto. Convertamos-nos do mal, renunciando àquele pecado que nos seduz, abramo-nos à lógica do Evangelho: porque, onde reinam o amor e a fraternidade, o mal já não tem poder!

E concluiu pedindo a intercessão de Maria: “Peçamos, portanto, à Virgem Maria que nos infunda esperança e coragem, e acenda em nós o desejo de conversão”.


Um novo apelo pela paz e a consagração de Rússia e Ucrânia à Nossa Senhora

Papa Franciso e novo apelo à Paz (Imagem: Vatican News - Facebook)
Papa Franciso e novo apelo à Paz (Imagem: Vatican News – Facebook)

Depois do Ângelus, Papa Francisco voltou a clamar a paz, convidando todos os fiéis a se unirem em um ato solene de Consagração da humanidade, especialmente Rússia e Ucrânia, ao Imaculado Coração de Maria:

“Infelizmente, a agressão violenta contra a Ucrânia não pára, um massacre sem sentido em que o caos e as atrocidades se repetem todos os dias. Não há justificativa para isso! Apelo a todos os atores da comunidade internacional para que façam um esforço real para parar esta guerra repugnante.”

O Pontífice citou inúmeros civis atingidos por mísseis e bombas, especialmente idosos, crianças e mães grávidas.

“Fui visitar as crianças feridas que estão aqui em Roma: uma está sem um braço, outra está ferida na cabeça… Crianças inocentes. Penso nos milhões de refugiados ucranianos que devem fugir, deixando tudo para trás, e sinto uma grande dor por aqueles que nem sequer têm a chance de escapar.”

Como conforto, o Papa lembrou a caridade e fraternidade vivida por tantos Pastores e membros da Igreja: “Obrigado, queridos irmãos, queridas irmãs, por este testemunho e pela ajuda concreta que corajosamente ofereceis a tantas pessoas desesperadas! Penso no recém-nomeado Núncio Apostólico, D. Visvaldas Kulbokas, que desde o início da guerra está em Kiev junto com seus colaboradores e que, com sua presença todos os dias, me aproxima do povo ucraniano martirizado.”

“Convido todas as comunidades e todos os fiéis a unirem-se a mim na sexta-feira, 25 de março, solenidade da Anunciação, em um ato solene de consagração da humanidade, especialmente da Rússia e da Ucrânia, ao Imaculado Coração de Maria, para que ela, a Rainha da Paz, obtenha a paz para o mundo.”

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