Papa no Angelus: Abrir os próprios ouvidos e escutar o Senhor


Papa no Angelus de 05/09/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa no Angelus de 05/09/2021 (Imagem: Vatican News)

algumas palavras inúteis a menos e alguma palavra de Deus a mais, sempre com o Evangelho no bolso, que nos ajuda tanto

[Eduardo Honorato Paulo, 05/09/2021 – Redação CatolicaWeb]Neste XXIII Domingo do Tempo Comum , o Papa Francisco rezou a oração do Angelus junto aos fieis na Praça de São Pedro, recordando a cura que Jesus havia realizado narrada no Evangelho de Marcos 7, 31 – 37.

A cura que Jesus opera no homem surdo e mudo é, segundo Francisco, diferente das demais pois se retira com ele para um lugar deserto e toca com Sua saliva a língua do doente ordenando que se abrisse, tanto sua voz quanto seus ouvidos. Para o pontífice, isso é também um gesto simbólico que vai além de uma deficiência física:

a forma como o Senhor realiza este sinal prodigioso: ele afasta-se com o surdo-mudo, para fora da multidão, “coloca os dedos nos seus ouvidos e com a saliva toca a língua dele, depois olha para o céu, suspira e diz: ‘Efatà’, isso é ‘Abre-te!’” “Em outras curas, para enfermidades igualmente graves, como paralisia ou lepra Jesus não realiza tantos gestos. Por que agora faz tudo isso, não obstante tenham lhe pedido somente para impor a mão no doente?”. Porque talvez a condição daquela pessoa tenha um particular valor simbólico. Ser surdo-mudo é uma doença, mas é também um símbolo. E este símbolo tem algo a dizer a todos nós (…). Trata-se da surdez”. E Jesus, para curar a causa do seu mal-estar, “coloca primeiro os dedos nos ouvidos, depois na boca. Mas antes nos ouvidos”, salienta o Papa:

Francisco reitera que a surdez do coração é mais grave do que a surdez física, pois nos fecha para a palavra de Jesus, a única que pode curar o nosso coração:

Todos nós temos ouvidos – todos! – mas muitas vezes não conseguimos ouvir. Por que? Irmãos e irmãs, existe de fato uma surdez interior, que hoje podemos pedir a Jesus para tocar e curar. A surdez interior é pior do que aquela física, porque é a surdez do coração. Tomados pela pressa, por mil coisas a dizer e fazer, não encontramos tempo para parar e ouvir quem fala conosco. Corremos o risco de nos tornar impermeáveis ​​a tudo e de não dar espaço a quem tem necessidade de ser ouvido: penso nos filhos, nos jovens, nos idosos, em muitos que não têm tanta necessidade de palavras e de pregações, mas de serem ouvidos.

O Santo Padre chama a atenção não apenas para a escuta à Palavra de Deus, mas também à escuta do próximo. Podemos ajudar muito as pessoas se pudermos apenas escuta-las, parar e dar atenção ao que tem para dizer. O Papa nos convida a perguntar:

Eu me deixo tocar pela vida das pessoas, sei dedicar tempo às pessoas que estão próximas de mim para escutá-las? Isto é para todos nós, mas em modo especial para os padres, para os sacerdotes. O sacerdote deve escutar as pessoas, não ter pressa. Escutar e ver como pode ajudá-las, mas depois de ter ouvido. E todos nós, antes ouvir, depois responder”…repetindo os próprios refrões sempre iguais! Incapazes de ouvir, dizemos sempre as mesmas coisa ou não deixamos que o outro acabe de falar, exprimir-se…e nós o interrompemos:

O renascimento de um diálogo, muitas vezes, passa não pelas palavras, mas pelo silêncio, não se impor, pelo recomeçar com paciência a ouvir o outro, ouvir as suas fadigas, aquilo que traz dentro de si. A cura do coração começa pela escuta. Isso cura o coração. “Mas padre, tem gente muito chata que sempre diz as mesmas coisas…”. “Escute-os. E depois que acabarem de falar, diga a tua palavra, mas ouça tudo”.

O Papa faz lembrar que em nossas orações devemos sempre fazer o exercício da escuta, de ouvir o que Senhor tem para nos dizer, devemos sim apresentar nossas necessidades e indagações a Jesus, mas Ele também nos fala e que tomemos cuidado para não perder essa oportunidade de ouvi-Lo:

O mesmo – chamou a atenção o Papa – vale em relação ao Senhor. “Fazemos bem em inundá-lo de pedidos, mas faremos melhor colocando-nos primeiro à sua escuta. Jesus pede isso”. De fato, quando no Evangelho perguntam a Ele qual é o primeiro mandamento, responde: “Ouça, Israel”, acrescentando a seguir: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração […] e o teu próximo como a ti mesmo”. “Mas antes de tudo Ele diz: “Ouça!”. Recordamo-nos de nos colocar à escuta do Senhor?”:

Somos cristãos, mas quem sabe entre as milhares de palavras que ouvimos todos os dias, não encontremos alguns segundos para fazer ressoar em nós poucas palavras do Evangelho. Jesus é a Palavra: se não paramos para ouvi-lo, Ele passa. Se não pararmos para ouvir Jesus, Ele passa. Santo Agostinho dizia: “Tenho medo do Senhor quando Ele passa”. E o medo era de deixá-lo passar sem ouvi-lo”.

Concluindo o Papa Francisco nos dá uma dica muito simples para manter a nossa saúde espiritual: diminuir cada vez mais as palavras inúteis que não constroem nada em nós substituí-las pelas palavras de Jesus, que podemos encontra-la tão facilmente:

Mas se dedicarmos tempo ao Evangelho, encontraremos um segredo para nossa saúde espiritual:

Eis o remédio: a cada dia um pouco de silêncio e de escuta, algumas palavras inúteis a menos e alguma palavra de Deus a mais, sempre com o Evangelho no bolso, que nos ajuda tanto.”

O convite então, é para – como no dia do Batismo –  ouvir aquela palavra de Jesus: “Efatà, abre-te!”:

Abre-te os ouvidos, Jesus, desejo abrir-me à tua Palavra, Jesus, abrir-me à Tua escuta. Jesus, cura o meu coração do fechamento, cura o meu coração da pressa, cura o meu coração da impaciência[…]que a Virgem Maria, aberta à escuta da Palavra, que nela se fez carne, ajude-nos todos os dias a escutar o seu Filho no Evangelho e os nossos irmãos com um coração dócil, com um coração paciente e com coração atento”.

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