Papa no Angelus: Estar sempre aberto para acolher ao Senhor


Papa Francisco no Angelus de 30/01/2022 (Imagem: Facebook Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 30/01/2022 (Imagem: Facebook Vatican News)

Quem sabe, depois de tantos anos sendo crentes, pensamos que conhecemos bem o Senhor, com nossas ideias e nossos julgamentos

[Eduardo Honorato Paulo, 30/01/2022 – Redação CatolicaWeb] Neste IV Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco reunidos com os fieis na Praça de São Pedro, conduziu sua reflexão sobre o Evangelho do dia (Lc 4, 21–30) antes da tradicional oração do Angelus.

O texto bíblico narra a primeira pregação de Jesus na sinagoga em sua terra natal, segundo o Papa, os seus próprios conterrâneos não o aceitaram porque o conheciam desde criança, sabiam de sua origem humilde. Já haviam ouvido falar de seus feitos em outras localidades e queriam ver se era tudo verdade, mas lhes faltava ainda a fé para reconhecer Deus presente em seu meio.

“o êxito foi amargo”, encontra “incompreensão e  também hostilidade”. De fato, seus conterrâneos, mais do que uma palavra de verdade queriam milagres, sinais prodigiosos. Mas “o Senhor não realiza nenhum e eles o rejeitam, porque dizem que já o conhecem desde criança, que é o filho de José, e assim por diante”, o que leva Jesus a pronunciar a célebre frase: “Nenhum profeta é bem recebido em sua terra.”

O Santo Padre também perguntou qual o motivo de Jesus ir pregar aos seus, mesmo sabendo de uma possível rejeição. Nos ensina que Deus não pode limitar o seu amor e não freia, nem recua diante de nossas rejeições. Mesmo prevendo que não seria aceito Ele vai assim mesmo, o Senhor nunca desiste:

“Mas se Jesus, conhecendo o coração dos conhecidos e sabendo dos riscos que corria de ser rejeitado, por que foi pregar em sua cidade assim mesmo? Por que fazer o bem a pessoas que não estão dispostas a te acolher?Essa é uma pergunta que também nós muitas vezes nos fazemos. Mas é uma pergunta que nos ajuda a compreender melhor Deus: Ele, diante de nossos fechamentos, não retrocede: não coloca freios em seu amor. Vemos um reflexo disso naqueles pais que têm consciência da ingratidão de seus filhos, mas nem por isso deixam de amá-los e de fazer-lhes o bem. Deus é assim, mas em um nível muito mais elevado. E hoje ele convida também a nós a acreditar no bem, a não deixar de fazer o bem.”

O Sumo Pontífice também aproveita o assunto da acolhida para perguntar como acolhemos este mesmo Jesus? Para responder esta questão Ele usa dois exemplos do Antigo Testamento, de pessoas que receberam a misericórdia do Senhor porque se mostraram humildes para acolher os caminhos do Deus. Não foram arrogantes, não usaram de preconceitos simplesmente foram dóceis a vontade do de Deus:

“Eles não foram acolhedores, e nós?”. A hostilidade em relação a Jesus também nos provoca. E para ilustrar os “modelos de acolhida que Jesus propõe hoje a seus conterrâneos e a nós”, volta seu pensamento aos dois livros de Reis, que falam de dois estrangeiros – a viúva de Sarepta de Sidônia e Naamã, o sírio – que acolhem Elias – “apesar da fome e embora o profeta fosse perseguido político-religioso” e Eliseu – “que o levou a se humilhar, a banhar-se sete vezes no rio, como se fosse uma criança ignorante”.

Quer a viúva como Naamã, “acolheram com sua disponibilidade e humildade. O modo de acolher Deus é sempre ser disponível, acolhê-Lo e ser humilde”. Ou seja, a fé passa pela “disponibilidade e humildade. Eles “não rejeitaram os caminhos de Deus e de seus profetas; foram dóceis, não rígidos e fechados.”

Francisco completa dizendo que para acolhermos Jesus de coração devemos nos livrar de conceitos pré-estabelecidos e estar sempre abertos às novidades que o Senhor pode nos apresentar:

“Irmãos e irmãs, também Jesus percorre o caminho dos profetas: apresenta-se como não esperávamos. Não o encontra quem procura milagres, se nós buscarmos milagres não encontraremos Jesus, que busca novas sensações, experiências íntimas, coisas estranhas, não! Quem busca uma fé feita de poder e sinais externos. Não, não o encontrará. Somente o encontra, por outro lado, quem aceita seus caminhos e seus desafios, sem lamentações, sem suspeitas, sem críticas e sem cara feia.”

Concluindo, o Papa Francisco nos pede para termos “mentes abertas e corações simples” para podermos acolher bem o Senhor. Nos livrar da ideia de que já sabemos de tudo, e assumirmos que ainda não O conhecemos o suficiente, e devemos estar sempre abertos às suas belas surpresas que sempre acontecem em nosso dia a dia:

“E nós, somos acolhedores ou nos assemelhamos aos seus conterrâneos, que achavam que sabiam tudo sobre ele? ‘Eu estudei teologia, fiz aquele curso de catequese…eu sei tudo sobre Jesus’, como um “tolo”… Não seja tolo, tu não conheces Jesus. Quem sabe, depois de tantos anos sendo crentes, pensamos que conhecemos bem o Senhor, com nossas ideias e nossos julgamentos, tantas vezes. O risco é de nos acostumarmos com Jesus, fechando-nos às suas novidades, ao momento em que Ele bate à porta e te diz uma coisa nova, quer entrar em ti. Nós devemos sair desse estar fixos em nossas posições. O Senhor pede uma mente aberta e um coração simples. E quando uma pessoa tem uma mente aberta, um coração simples, tem a capacidade de surpreender-se, de maravilhar-se. O Senhor nos surpreende sempre, é esta a beleza do encontro com Jesus”. Que Nossa Senhora, modelo de humildade e disponibilidade nos mostre o caminho para acolher Jesus.”

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