Papa no Angelus: A fragilidade e a força da Eucaristia


Papa no Angelus de 06/06/2021 (imagem: Vatican News)
Papa no Angelus de 06/06/2021 (imagem: Vatican News)

a Eucaristia não é o prêmio dos santos, mas o Pão dos pecadores

[Eduardo Honorato Paulo, 07/06/2021 – Redação CatolicaWeb] No último domingo, 06/06 o Papa Francisco conduziu a oração do Angelus refletindo sobre o Evangelho do Domingo na Itália e em outros países que hoje celebram a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. Na cidade do Vaticano e no Brasil essa solenidade foi lembrada no dia 03/06 quinta feira.

Em seu discurso, o Santo Padre deu muita ênfase para a forma como Jesus se doa na última ceia, como um pedaço de pão, um gesto simples e humilde. Ainda destacou que O Senhor se doou de uma forma muito frágil, como um pão que “se esmigalha” e se divide para desta forma unir aqueles que d’Ele comungam:

“É assim, com simplicidade, que Jesus nos doa o maior dos sacramentos. É um gesto humilde de dom, um gesto de partilha. No auge de sua vida, ele não distribui pão em abundância para alimentar as multidões, mas se parte na ceia pascal com os discípulos. Desta forma, Jesus nos mostra que o objetivo da vida é doar-se, que a maior coisa é servir. E hoje encontramos a grandeza de Deus num pedaço de Pão, numa fragilidade que transborda amor, transborda partilha. Fragilidade é exatamente a palavra que eu gostaria de sublinhar. Jesus se torna frágil como o pão que se parte e se esmigalha. Mas é ali que está a sua força, na fragilidade. Na Eucaristia a fragilidade é força: força do amor que se faz pequeno para ser acolhido e não temido; força do amor que se parte e se divide para nutrir e dar vida; força do amor que se fragmenta para nos reunir na unidade.”

O Papa destaca a também a forma misericordiosa de Jesus se doar. Naquela noite Ele se doou também para aquele que O estava traindo e Jesus sabia disso. Mas mesmo assim não se negou para Judas, mostrando que a Eucaristia também acolhe quem erra:

“há outra força que se destaca na fragilidade da Eucaristia: a força de amar quem erra. É na noite em que ele é traído que Jesus nos dá o Pão da Vida. Ele nos doa o maior presente enquanto sente em seu coração o abismo mais profundo: o discípulo que come com ele, que imerge o bocado no mesmo prato, o está traindo. E a traição é a maior dor para quem ama. E o que Jesus faz? Ele reage ao mal com um bem maior. Ele responde ao “não” de Judas com o “sim” da misericórdia. Não castiga o pecador, mas doa sua vida por ele, paga por ele. Quando recebemos a Eucaristia, Jesus faz o mesmo conosco: nos conhece, sabe que somos pecadores e sabe que erramos muito, mas não renuncia a unir sua vida à nossa. Ele sabe que precisamos, porque a Eucaristia não é o prêmio dos santos, mas o Pão dos pecadores. Por isso, nos exorta: Não tenham medo. “Tomai e comei”.

Segundo Francisco a cada vez que recebemos a Eucaristia, o próprio Cristo da sentido às nossas fragilidades na medida que nos unimos a Ele na fragilidade do pão. Ele cura cada uma de nossas fraquezas humanas com sua misericórdia na medida que nos unimos a Ele.

 “cada vez que recebemos o Pão da vida, Jesus vem para dar um novo sentido às nossas fragilidades. Ele nos lembra que, aos seus olhos, somos mais preciosos do que pensamos. Ele nos diz que fica feliz se partilhamos nossas fragilidades com Ele. Ele nos repete que sua misericórdia não tem medo de nossas misérias. A misericórdia de Jesus não tem medo de nossas misérias. E acima de tudo, nos cura com amor daquelas fragilidades que não podemos nos curar sozinhos. Quais fragilidade? Pensemos! A de sentir ressentimento por quem nos fez mal, dessa não podemos nos curar sozinhos; de nos distanciarmos dos outros e nos isolarmos em nós mesmos; também dessa não podemos nos curar sozinhos; a de ficarmos tristes, chorando e lamentando sem encontrar a paz, também dessa não podemos nos curar sozinhos. É ele quem nos cura com a sua presença, com o seu pão, com a Eucaristia.

O Papa nos ensina ainda que a medida que comungamos Seu Corpo e Sangue vamos nos assemelhando a Ele, assimilando as suas virtudes e é assim desta forma que a nossa cura acontece, quando nossas fraquezas vão dando lugar à força e às qualidades do próprio Cristo em um processo que dura toda a nossa vida:

“A Eucaristia é um remédio eficaz contra esses fechamentos. O Pão da Vida, na verdade, cura a rigidez e a transforma em docilidade. A Eucaristia cura porque nos une a Jesus: nos faz assimilar seu modo de viver, sua capacidade de partir-se e doar-se a seus irmãos e irmãs, de responder ao mal com o bem. Nos doa a coragem de sair de nós mesmos e de nos inclinarmos com amor para a fragilidade dos outros. Como Deus faz conosco. Esta é a lógica da Eucaristia: recebemos Jesus que nos ama e cura nossas fragilidades para amar os outros e ajudá-los nas suas fragilidades”,

O Santo Padre concluiu sua reflexão citando um hino que é cantado na liturgia das horas e pedindo a Nossa Senhora, onde no seu corpo o próprio Deus se fez carne, que nos ajude a acolher Jesus na Eucaristia de coração agradecido e que cada vez mais essa comunhão possa fazer de nossa vida um dom: “Quatro versos que resumem toda a vida de Jesus. Eles nos dizem que quando Jesus nasceu, tornou-se um companheiro de viagem na vida. Depois, na ceia, doou-se como alimento. A seguir, na cruz, com sua morte, se fez um preço: pagou por nós. E agora, reinando no céu é o nosso prêmio, ao qual buscamos. Que a Virgem Santa, na qual Deus se fez carne, nos ajude a acolher com coração agradecido o dom da Eucaristia e a fazer também de nossa vida um dom. Que a Eucaristia faça de nós um dom para todos”.

Anterior 13/06/2021 - 11º Domingo do Tempo Comum
Próximo 08/06 - Bem-aventurada Maria do Divino Coração