Papa no Angelus: Família, o início de nossa história, nossa escola de amor


Papa Francisco no Angelus de 26/12/2021 (Imagem: Vatican Media)
Papa Francisco no Angelus de 26/12/2021 (Imagem: Vatican Media)

A pessoa que somos hoje não nasce tanto dos bens materiais, mas do amor no seio da família

[Eduardo Honorato Paulo, 26/12/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste domingo dia 26 de dezembro, solenidade da Sagrada Família, o Papa Francisco conduziu a oração do Angelus junto com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro.

Antes da oração Francisco fez sua tradicional pregação chamando a atenção para a família de Nazaré, a família de Jesus. Segundo o Papa, assim como todos nós Jesus nasceu dentro de uma família, em uma história familiar, fazendo parte de um contexto. Afirma ainda que todos nós também somos continuação da história de nossas famílias e por isso não devemos nega-la:

Cada um de nós tem sua própria história, ninguém nasceu magicamente, com uma varinha mágica, cada um de nós tem uma história e a família é a história de onde viemos. Jesus “é filho de uma história familiar”. Viajou para Jerusalém com seus pais para a Páscoa e seu sumiço provocou grande preocupação em Maria e José: É belo ver Jesus inserido no laço dos afetos familiares, que nasce e cresce no abraço e na preocupação dos pais. Isso também é importante para nós: viemos de uma história entrelaçada por laços de amor e a pessoa que somos hoje não nasce tanto dos bens materiais que desfrutamos, mas do amor que recebemos, do amor no seio da família. Talvez não tenhamos nascido em uma família excepcional e sem problemas, mas é a nossa história – cada um deve pensar: é a minha história -, são as nossas raízes: se as cortarmos, a vida torna-se árida. E devemos pensar nisso, na própria história!

O Santo Padre ainda afirma que ninguém nasce para viver sozinho e que a família é o território do aprendizado, onde aprendemos a amar. O pontífice ainda ressalta que a família de Jesus não estava imune à problemas, pelo contrário, tinha muitos e juntos aprenderam a superá-los, como deve ser, em família:

Deus não nos criou para sermos comandantes solitários, mas para caminharmos juntos, e devemos agradecer a Ele e rezar por nossas famílias: Deus pensa em nós e nos quer juntos: agradecidos, unidos, capazes de preservar as raízes. O Papa destaca então um segundo aspecto concreto para nossas famílias: “aprende-se a ser família a cada dia”. E volta seu olhar novamente à realidade da Sagrada Família onde nem tudo é perfeito, “existem problemas inesperados, angústias, sofrimentos”:

Não existe uma Sagrada Família dos santinhos. Maria e José perdem Jesus e angustiados o procuram, para encontrá-lo três dias mais tarde. E quando, sentado entre os mestres do Templo, ele responde que deve cuidar das coisas de seu Pai, eles não entendem. Eles têm necessidade de tempo para aprender a conhecer seu filho. O mesmo vale para nós: a cada dia, em família, é preciso aprender a ouvir e a compreender-se, a caminhar juntos, a enfrentar os conflitos e as dificuldades. É o desafio diário, que é superado com a atitude correta, com as pequenas atenções, com gestos simples, cuidando os detalhes das nossas relações. E isso também nos ajuda muito a conversar em família, conversar à mesa, o diálogo entre pais e filhos, o diálogo entre os irmãos, nos ajuda a viver essa raiz familiar que vem dos avós, o diálogo com os avós.

Para viver a harmonia e o crescimento em família, o Santo Padre aconselha a combatermos o egoísmo. Se a família é o lugar onde devemos aprender a amar, então são os nossos familiares os primeiros que devem receber o nosso amor, são com eles que praticamos o amor ao próximo. Destaca ainda que no seio familiar o “Tu” deve sempre ser mais importante do que o “eu”:

E como então se faz isto? Teu pai e eu estávamos a tua procura:“Teu pai e eu, não diz eu e teu pai: antes do eu existe o tu (…). Na Sagrada Família, antes o tu e depois o eu. Para preservar a harmonia na família, é preciso combater a ditadura do eu. Quando o eu se infla. É perigoso quando, em vez de nos ouvirmos, jogamos os erros na cara; quando, em vez de termos gestos de cuidado para com os outros, nos fixamos em nossas necessidades; quando, em vez de dialogar, nos isolamos com o celular – é triste ver no almoço uma família, cada um com o seu celular, sem se falar, cada um fala com o celular -; quando nos acusamos mutuamente, sempre repetindo as mesmas frases, encenando uma comédia já vista onde cada um quer ter razão e no final impera um silêncio frio.”

Encerrando, o Pontífice também lembra que assim como a Sagrada Família, nenhuma está livre de problemas e desentendimentos, por isso faz parte da prática do amor, o exercício do perdão e da reconciliação. E as pessoas de nossa família são as primeiras receber também o nosso perdão:

“Quantas vezes, infelizmente, entre as paredes de casa, dos silêncios muito longos e de egoísmos não tratados, nascem e crescem conflitos! Às vezes, chega-se até mesmo a violências físicas e morais. Isso dilacera a harmonia e mata a família. Convertamo-nos do eu ao tu. O que deve ser mais importante na família é o tu. E a cada dia, por favor, rezem um pouco juntos, se puderem façam um esforço, para pedir a Deus o dom da paz em família. E vamos todos nos comprometer – pais, filhos, Igreja, sociedade civil – a apoiar, defender e proteger a família, que é o nosso tesouro!” Que a Virgem Maria, esposa de José e mãe de Jesus proteja as nossas famílias.

Anterior Domingo, 26/12/2021 - Sagrada Família: Jesus, Maria e José
Próximo 27/12 - São João Evangelista