Papa no Angelus: Não fazer da nossa fé uma ostentação


Papa Francisco no Angelus de 07/11/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 07/11/2021 (Imagem: Vatican News)

Suas moedas têm um som mais bonito do que as grandes ofertas dos ricos, porque expressam uma vida dedicada a Deus com sinceridade

[Eduardo Honorato Paulo, 07/11/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste domingo dia 7 de novembro, o Papa Francisco rezou a tradicional oração do Angelus na Praça de São Pedro no Vaticano com os fiéis reunidos. Na oportunidade, o Santo Padre fez um breve comentário sobre a passagem do Evangelho de Marcos 12, 38-44.

No texto, é narrada a cena em que uma pobre viúva doa todas as suas economias, representadas em algumas moedas e segundo o papa, esta pequena atitude chama a atenção de Jesus:

A cena se passa dentro do Templo de Jerusalém. Jesus olha o que acontece neste lugar, o mais sagrado de todos, e vê como os escribas gostam de caminhar para ser notados, saudados e reverenciados e ter lugares de honra”. Contemporaneamente, “seus olhos vislumbram outra cena: uma pobre viúva, precisamente uma daquelas exploradas pelos poderosos, coloca no tesouro do Templo tudo o que tinha para viver”:

O verbo “guardar” vai resumir o ensino de Jesus sobre estas duas cenas, ou seja, devemos nos guardar daqueles que vivem a fé com duplicidade, como aqueles escribas, “para não nos tornarmos como eles”, mas olhar para a viúva e “tomá-la como modelo”. “Detenhamo-nos nisto – enfatizou o Papa – guardar-se dos hipócritas e olhar para a pobre viúva”.

Antes de tudo, guardar-se dos hipócritas, isto é, estar atentos para não basear a vida no culto da aparência, da exterioridade, no cuidado exagerado da própria imagem. E, sobretudo, estar atentos para não submeter a fé aos nossos interesses.

Observando o exemplo dos escribas citados no texto bíblico, o Santo Padre manifesta repúdio a quem utiliza de sua posição de autoridade religiosa para explorar aqueles que, na verdade necessitam do cuidado dos pastores:

“usavam a religião para administrar seus negócios, abusando de sua autoridade e explorando os pobres”. Um mau comportamento “que também hoje vemos em tantos cargos, em tantos lugares. O clericalismo, este estar acima dos humildes, explorá-los, pisar neles, sentir-se perfeitos. Este é o mal do clericalismo”:

É uma advertência para todos os tempos e para todos, Igreja e sociedade: nunca tirar proveito da própria posição para pisar sobre os outros, nunca ganhar à custa dos mais fracos! E vigiai, para não cair na vaidade, para que não aconteça de nos fixarmos nas aparências, perdendo a substância e vivendo na superficialidade.

Francisco nos convida a nos perguntar como tem andado a nossa fé em Deus. Se nossas obras de piedade buscam realmente nos conectar ao Senhor, ou queremos mostrar aos outros que temos fé e vivemos bem os preceitos religiosos visando sermos elogiados e exaltados:

“naquilo que dizemos e fazemos, queremos ser apreciados e gratificados ou prestar um serviço a Deus e ao próximo, especialmente aos mais fracos?”. Vigiemos as falsidades do coração, a hipocrisia, que é uma doença perigosa da alma!”:

É um pensar duplo, um julgar duplo, como diz a própria palavra: “julgar por baixo”, aparecer de uma forma e “hipo”, sob, ter outro pensamento. Duplos, pessoas com almas duplas, duplicidade de alma. E para sermos curados dessa doença, “Jesus nos convida a olhar para a pobre viúva”. “O Senhor denuncia a exploração desta mulher que, para fazer a oferta, deve voltar para casa privada até mesmo do pouco que tem para viver”

Segundo o pontífice, a atitude da mulher viúva demonstra uma confiança enorme na providência divina. Ela doou tudo o que tinha, todos os seus pouquíssimos recursos que possuía para sobreviver, confiando que Deus não deixaria nada lhe faltar:

Como é importante libertar o sagrado dos laços com o dinheiro! Jesus já havia dito, em outro lugar: não se pode servir a dois senhores. Ou serves a Deus – e nós pensamos que diga “ou o diabo”, não – ou Deus ou o dinheiro. É um senhor. Mas, ao mesmo tempo Jesus elogia o fato de que essa viúva coloca tudo o que tem no tesouro:

Ela fica sem nada, mas em Deus encontra o seu tudo. Ela não teme perder o pouco que tem, porque tem confiança no muito de Deus, e este muito de Deus multiplica a alegria de quem dá.

Isso remete a outra viúva, àquela do Profeta Elias, que estava para preparar uma focacia com o que lhe restava de óleo e farinha. Mesmo assim deu de comer a Elias, “e a farinha nunca irá diminuir, um milagre! O Senhor sempre, diante da generosidade das pessoas, vai além, é mais generoso. Mas é Ele, não a nossa avareza.

Terminando, o Papa Francisco nos da em exemplo de fé esta pobre viúva, que vai ao templo não apenas para cumprir uma obrigação ou um preceito religioso, mas para se doar inteiramente a Deus:

Assim, “Jesus propõe como mestra de fé esta senhora: não vai ao Templo para colocar em dia a consciência, não reza para ser vista, não ostenta a sua fé, mas dá com o coração, com generosidade e gratuidade”:

Suas moedas têm um som mais bonito do que as grandes ofertas dos ricos, porque expressam uma vida dedicada a Deus com sinceridade, uma fé que não vive de aparências, mas da confiança incondicional. Aprendamos com ela: uma fé sem ornamentos externos, mas sincera por dentro; uma fé feita de amor humilde a Deus e aos irmãos.

E agora nos dirijamos à Virgem Maria, que com o coração humilde e transparente fez de toda a sua vida um dom para Deus e para o seu povo.

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