Papa no Angelus: Fugir da tentação do fechamento e nos abrir à acolhida


Papa Francisco no Angelus de 26/09/2021 (Imagem: Vatican News)

Cada fechamento mantém à distância os que não pensam como nós. Isto – como sabemos – é a raiz de tantos males da história

[Eduardo Honorato Paulo, 26/09/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste domingo dia 26 de setembro, também o 26º domingo do tempo comum, o Papa Francisco rezou a tradicional oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro. O Santo Padre aproveitou a ocasião para comentar o Evangelho do dia ((Mc 9, 38-41), onde os discípulos de Jesus poderiam estar com um certo ciúmes de um homem que também realizava sinais, mas não andava com o grupo dos apóstolos. Jesus da um alerta sobre o fechamento:

“As palavras de Jesus revelam uma tentação e oferecem uma exortação. A tentação é a do fechamento. Os discípulos gostariam de impedir uma obra do bem só porque a pessoa que o fez não pertencia ao seu grupo. Cada fechamento mantém à distância os que não pensam como nós. Isto – como sabemos – é a raiz de tantos males da história: do absolutismo o que muitas vezes gerou ditaduras e de tanta violência contra aqueles que são diferentes”

O Pontífice alerta também sobre o risco de nos fecharmos dentro da igreja. Em nossas comunidades existem também uma grande diversidade de dons e carismas e podemos cair na tentação de acharmos que nosso dom ou ministério é melhor que o outro, e acabamos assim nos isolando em grupos cada vez mais fechados. Francisco nos ensina:

“precisamos estar vigilantes também quanto ao fechamento na Igreja …o diabo, que faz a divisão – é isso que a palavra “diabo” significa – sempre insinua suspeitas a fim de dividir e excluir as pessoas. Tenta com astúcia, e pode acontecer como com aqueles discípulos, que chegam ao ponto de excluir até mesmo os que expulsaram o próprio diabo! Às vezes nós também, em vez de sermos comunidades humildes e abertas, podemos dar a impressão de sermos ‘os melhores da classe’ e manter os outros à distância; em vez de tentar caminhar com todos, podemos exibir nossa ‘carteira de crentes’ para julgar e excluir”

O Pontífice rezou pedindo a graça da humildade, para que tenhamos um espírito de abertura e acolhida sendo, dentro de nossas comunidades, uma porta de entrada e acolhida para com as pessoas, assim como também um dia fomos acolhidos:

“Peçamos a graça de superar a tentação de julgar e catalogar, e que Deus nos preserve da mentalidade do ‘nicho’, da mentalidade de nos guardarmos ciosamente no pequeno grupo dos que se consideram bons. O Espírito Santo não quer fechamentos; ele quer abertura, comunidades acolhedoras onde haja lugar para todos”.

Finalizando, o Papa comenta a forma dura de como Jesus falou da renúncia do pecado, mas lança um novo olhar sobre este trecho. Fala do “corte” que o Senhor cita no Evangelho não como punição mas como uma poda, que visa a melhora e o crescimento:

“o risco é ser inflexível para com os outros e indulgente para com nós mesmos. E que Jesus nos exorta a não compactuar com o mal.

Se alguma coisa em ti é motivo de escândalo, corte-a! Jesus é radical, exigente, mas para nosso bem, como um bom médico. Cada corte, cada poda, é para crescer melhor e dar frutos no amor. Então perguntemo-nos: o que há em mim que é contrário ao Evangelho? O que, concretamente, Jesus quer que eu corte em minha vida?”

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