Papa no Angelus: A identidade de “Misericordiados”


Papa Francisco durante Angelus de 10/01/2021 - Vatican News
Papa Francisco durante Angelus de 10/01/2021 - Vatican News

Confira o resumo do Angelus do último Domingo, 10 de Janeiro de 2021.

[Eduardo Honorato Paulo, 10/01/2021] Neste domingo, o Papa Francisco realizou a oração do Angelus novamente da Biblioteca do Palácio Apostólico.
O Santo Padre lembrou que, na liturgia da última semana, celebrávamos a visita dos Reis Magos e hoje encontramos um Jesus adulto sendo batizado por São João Batista em um salto temporal de quase trinta anos. Reforçou ainda que maior parte da vida de Jesus foi vivida dentro de sua família e na sua rotina, nos enviando uma mensagem de valorização da vida cotidiana e busca da santidade nas ações simples de nosso dia a dia.


“Hoje, o encontramos como adulto nas margens do Jordão. A Liturgia nos faz dar um salto de cerca de trinta anos, trinta anos dos quais sabemos uma coisa: foram anos de vida escondida, que Jesus transcorreu em família, alguns anos no Egito, como migrante para fugir da perseguição de Herodes, outros em Nazaré, aprendendo a profissão de José, obedecendo aos pais, estudando e trabalhando. É impressionante que a maior parte do tempo do Senhor na Terra foi passado desta maneira, vivendo a vida de todos os dias, sem aparecer. Pensamos que segundo os Evangelhos foram três anos de pregação, de milagres e muitas coisas. Os outros anos foram de vida escondida na família. É uma bela mensagem para nós: nos revela a grandeza do cotidiano, a importância aos olhos de Deus de cada gesto e momento da vida, mesmo o mais simples e escondido.”

O Papa continua enfatizando que a vida pública de Jesus começou após o batismo no Rio Jordão, e indaga o porque de Ele querer participar do batismo de conversão pregado por João se não necessitava se converter:
“Depois desses trinta anos de vida oculta, começa a vida pública de Jesus. E começa com o seu batismo no Rio Jordão. Jesus é Deus. Por que Jesus vai se batizar?”, “O batismo de João consistia num rito penitencial, era um sinal da vontade de se converter, de ser melhor, pedindo o perdão dos pecados. Jesus certamente não precisava disso. De fato, João Batista tenta se opor, mas Jesus insiste. Por quê? Porque ele quer estar com os pecadores. Por isso, entra na fila com eles e realiza o mesmo gesto deles. E o faz com um comportamento do povo, com uma atitude do povo, que como diz um hino litúrgico, com a alma nua, sem cobrir nada, assim, pecador. Este é o gesto que Jesus faz e entra no rio para se imergir em nossa mesma condição. O batismo, de fato, significa precisamente ‘imersão’. No primeiro dia de seu ministério, Jesus nos oferece o seu “manifesto programático”., Jesus “nos diz que não nos salva do alto, com uma decisão soberana ou um ato de força, um decreto, não: Ele nos salva vindo ao nosso encontro e tomando sobre si os nossos pecados. É assim que Deus vence o mal do mundo: abaixando-se e assumindo”.

O Pontífice ainda afirma que é justamente dessa forma que podemos elevar os outros com proximidade e a compreensão:
“É também a maneira pela qual podemos elevar os outros: não julgando, não intimando, dizendo-lhes o que fazer, mas fazendo-se próximo, compadecendo, compartilhando o amor de Deus. A proximidade é o estilo de Deus em relação a nós. Ele mesmo disse isto a Moisés. Pensem: qual povo tem seus deuses tão próximos como vocês tem a mim? A proximidade é o estilo de Deus para conosco”. O Pontífice prosseguiu dizendo que “depois deste gesto de compaixão de Jesus, acontece uma coisa extraordinária: os céus se abrem e a Trindade finalmente se revela. O Espírito Santo desce em forma de pomba e o Pai diz a Jesus: ‘Tu és o meu Filho amado'”.

Francisco concluiu dizendo que a misericórdia e a salvação são gratuitas e somos marcados por ela e rezou pedindo a Nossa Senhora que ajuda seu povo a viver a identidade de “misericordiados”:
“mesmo antes que façamos qualquer coisa, a nossa vida é marcada pela misericórdia que se pousou sobre nós. Fomos salvos gratuitamente. A salvação é grátis”. É o gesto gratuito da misericórdia de Deus para conosco.

Sacramentalmente, isto se realiza no dia do nosso Batismo, mas também os que não são batizados recebem a misericórdia de Deus sempre, porque Deus está ali, espera. Espera que as portas de seus corações se abram. Se aproxima, permito-me dizer, nos acaricia com a sua misericórdia…. “nos ajude a salvaguardar a nossa identidade, ou seja, a identidade de ser ‘misericordiados’ que está na base da fé e da vida”.

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