Papa no Angelus: Peçamos tudo a Jesus, Ele tudo pode


Papa Francisco no Angelus de 24/10/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 24/10/2021 (Imagem: Vatican News)

Quando a fé é viva, a oração é sincera: não mendiga trocados, não se reduz às necessidades do momento. A Jesus, que tudo pode, tudo deve ser pedido

[Eduardo Honorato Paulo, 24/10/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste 30º Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco, reunido com os fieis na Praça de São Pedro antes da oração do Angelus, refletiu sobre a rica passagem do Evangelho do dia (Mc 10, 46-52), onde é narrada a cura do cego Bartimeu, em um grande exemplo de demonstração de fé.

Segundo o Papa, Bartimeu foi insistente em sua oração. Ao saber que Jesus estava próximo não teve medo de manifestar sua fé e chamar a atenção do Senhor, mesmo com a resistência e oposição daqueles que estavam próximos ele não desistiu pois viu ali a sua oportunidade.

Se os gritos de Bartimeu “Filho de Davi, Jesus, tem piedade de mim” incomodaram a multidão e os apóstolos, não passaram desapercebidos de Jesus, que percebe que sua voz “é cheia de fé, uma fé que não tem medo de insistir, de bater no coração de Deus, apesar da incompreensão e repreensões. E aqui está a raiz do milagre. Na verdade, Jesus lhe disse: ‘A tua fé te curou’”.

Ou seja, “a fé de Bartimeu, transparece pela sua oração. Não é uma oração tímida, uma oração convencional. Antes de tudo, ele chama o Senhor de “Filho de Davi”, isto é, o reconhece como Messias, o Rei que vem ao mundo. Depois o chama pelo nome, com confiança: “Jesus”. Não tem medo dele, não se distancia. E assim, de coração, grita ao Deus amigo todo o seu drama: ‘Tem piedade de mim!'”.

O Santo Padre também chama a atenção para o conteúdo da oração de Bartimeu. Ele era cego e mendigava nas ruas, pedia trocados a todos os que passavam por perto, mas a Jesus não. Sabendo que estava ali quem podia dar muito mais do que trocados ele não hesitou.

Não pede algum trocado como faz com os transeuntes. Não, não. Aquele que tudo pode, pede tudo. Às pessoas pede trocados, a Jesus, que pode fazer tudo, pede tudo: “Tem piedade de mim, tem piedade de tudo o que sou”. Não pede uma graça, mas apresenta a si mesmo: pede misericórdia para a sua pessoa, para a sua vida. Não é um pedido pequeno, mas é belíssimo, porque invoca a piedade, isto é, a compaixão, a misericórdia de Deus, a sua ternura.

Francisco também lembra que a oração de Bartimeu tem poucas palavras e muita fé. Não apenas faz um pedido a Jesus mas entrega-se totalmente a Ele, deixa claro que não duvida de quem Jesus é e a mudança que pode fazer em sua vida. Também nos pergunta como vai a nossa oração, quando oramos temos esta mesma certeza?

“Bartimeu não usa muitas palavras diz o essencial e confia-se no amor de Deus, que pode fazer a sua vida voltar a florescer realizando o que é impossível aos homens”:

Por isso, não pede esmola ao Senhor, mas manifesta tudo, a sua cegueira e o seu sofrimento, que iam além do não poder ver. A cegueira era a ponta do iceberg, mas em seu coração haveria feridas, humilhações, sonhos desfeitos, erros, remorsos. E ele rezava com o coração.

“E nós quando pedimos uma graça a Deus, colocamos também na oração a nossa própria história: as feridas, as humilhações, os sonhos desfeitos, os erros, os remorsos?” É oração corajosa, tem a boa insistência daquela de Bartimeu, sabe “agarrar” o Senhor que passa, ou contenta-se em dar-lhe uma saudação formal de vez em quando, quando me lembro? Estas orações mornas não ajudam nada.

O Pontífice lembra que Jesus tudo pode, então a Ele deve ser pedido tudo. Afirma que nossa oração não deve ser superficial buscando apenas satisfazer os nossos desejos que estão apenas a nossa “flor da pele”, mas deve refletir o nosso mais profundo interior.

Depois também podemos nos perguntar se “nossa oração é “substanciosa”, expõe o coração diante do Senhor: levo a Ele a história e os rostos da minha vida? Ou é anêmica, superficial, feito de rituais sem afeto e sem coração?“:

Quando a fé é viva, a oração é sincera: não mendiga trocados, não se reduz às necessidades do momento. A Jesus, que tudo pode, tudo deve ser pedido. Não se esqueçam disso. A Jesus que tudo pode, deve ser pedido tudo, com a minha insistência diante d’Ele. Ele não vê a hora para derramar sua graça e sua alegria em nossos corações, mas infelizmente somos nós que mantemos distância, talvez por timidez, ou preguiça ou descrença. Tantos de nós, quando rezamos, não acreditamos que o Senhor possa realizar o milagre.

Para reforçar esta ideia, o Papa Franciso contou um testemunho pessoal do tempo em que era arcebispo na Argentina:

“com a filha pequena desenganada pelos médicos, um pai viajou 70 km de ônibus até um Santuário mariano. Mesmo estando fechado, ele passou a noite agarrado às grades do portão rezando e clamando: “Senhor, salva-a. Senhor, dá a ela a vida”. Ao voltar ao hospital na manhã seguinte, encontrou a esposa que chorava, mas não de tristeza: “Não se entende, não se entende. Os médicos dizem algo estranho: parece curada”.

Aquele grito daquele homem que pedia tudo, foi ouvido pelo Senhor que lhe havia dado tudo. Esta não é uma história, eu vi isso!:Mas temos coragem na oração? Peçamos tudo àquele que pode dar tudo, como Bartimeu, que é um grande mestre, um grande mestre na oração nisto.”

Que Bartimeu seja um exemplo para nós com a sua fé concreta, insistente e corajosa. E que Nossa Senhora, a Virgem orante, nos ensine a dirigir-nos a Deus de todo o coração, confiando que Ele escuta atentamente cada oração.

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