Papa no Angelus: A necessidade de sempre reconhecer a Jesus


Papa no Angelus de 04/07/2021 (imagem: Vatican News)
Papa no Angelus de 04/07/2021 (imagem: Vatican News)

Mas sem abertura à novidade e às surpresas de Deus, sem admiração, a fé se torna uma ladainha cansada que lentamente se extingue.

[Eduardo Honorato Paulo, 05/07/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste XIV domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco conduziu a oração do Angelus, reunido com os fiéis na Praça de São Pedro, de acordo com o Evangelho do dia: Em Marcos capítulo 6, Jesus havia voltado para a Nazaré e pregava na sinagoga, não tendo assim o reconhecimento dos seus parentes e familiares.

O Santo Padre nos ensina que os seus estavam acostumados com Jesus, mas não estavam abertos para reconhece-lo como Deus. Não estavam prontos para reconhecer a novidade que Ele trazia:

“De onde lhe vem toda essa sabedoria? Não é o filho do carpinteiro e de Maria, isto é, de nossos vizinhos que conhecemos bem?”

“Podemos dizer que eles conhecem Jesus, mas não o reconhecem. Efetivamente, há diferença entre conhecer e reconhecer: podemos saber várias coisas sobre uma pessoa, formar uma ideia, confiar no que os outros dizem sobre ela, talvez de vez em quando encontrá-la no bairro, mas tudo isso não é suficiente. Trata-se de um conhecer superficial, que não reconhece a unicidade dessa pessoa. É um risco que todos nós corremos: achamos que sabemos tanto sobre uma pessoa, rotulamo-la e a restringimos em nossos preconceitos.”

Francisco continua sua reflexão ressaltando que os familiares e conterrâneos de Jesus O conhecem a vida toda, mas nunca se aventuraram em conhece-lo a cada dia:

Da mesma forma os conterrâneos de Jesus o conhecem há trinta anos e pensam que sabem tudo; na realidade, nunca se deram conta de quem é verdadeiramente. Eles se detêm à exterioridade e rejeitam a novidade de Jesus. Quando deixamos a comodidade do hábito e a ditadura dos preconceitos prevalecer, é difícil nos abrir à novidade e nos deixarmos surpreender. Muitas vezes acabamos procurando confirmação de nossas ideias e esquemas na vida, em nossas experiências e até mesmo nas pessoas, para nunca ter que fazer o esforço de mudar.

O Papa continua nos encorajando a fazer diferente daqueles que julgavam já conhecer Jesus. Nos ensina a procurar conhece-Lo todos os dias, ter a curiosidade de saber qual a surpresa que o Senhor nos reserva e alimentar dia a dia nossa relação com Jesus:

“Mas sem abertura à novidade e às surpresas de Deus, sem admiração, a fé se torna uma ladainha cansada que lentamente se extingue”.

Afinal, por que os conterrâneos de Jesus não O reconhecem e acreditam n’Ele? Qual é o motivo? “Podemos dizer, em poucas palavras, que não aceitam o escândalo da Encarnação”. “É escandaloso que a imensidão de Deus se revele na pequenez de nossa carne, que o Filho de Deus seja o filho do carpinteiro, que a divindade esteja escondida na humanidade, que Deus habite no rosto, nas palavras, nos gestos de um simples homem.”

O Papa Francisco concluiu dizendo que o maior escândalo que Jesus poderia causar ao seus, e talvez até em nós, é ser um Deus humilde, próximo ao seu povo, revelando-se de uma forma simples e natural:

Eis o escândalo: a encarnação de Deus, sua concretude, seu “cotidiano”. Na realidade, é mais cômodo um deus abstrato e distante, que não se intromete nas situações e que aceita uma fé distante da vida, dos problemas, da sociedade. Ou mesmo gostamos de acreditar em um deus “com efeitos especiais”, que só faz coisas excepcionais e sempre dá grandes emoções. “Ao invés, Deus se encarnou: humilde, terno, escondido, se faz próximo de nós habitando a normalidade de nossa vida cotidiana. E assim, como os conterrâneos de Jesus, corremos o risco que, quando passa, não o reconhecemos, aliás, nos escandalizamos por Ele “Peçamos a Nossa Senhora, que acolheu o mistério de Deus na vida cotidiana de Nazaré, para ter olhos e corações livres de preconceitos e abertos à maravilha, às surpresas de Deus, à Sua presença humilde e escondida na vida cotidiana.”

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