Papa no Angelus: Nos reconhecer pequenos e necessitados de Deus


Papa Francisco no Angelus de 03/10/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 03/10/2021 (Imagem: Vatican News)

Ali, na necessidade, amadurecemos; ali abrimos nosso coração a Deus, aos outros, ao sentido da vida

[Eduardo Honorato Paulo, 03/10/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste domingo, o 26 º do Tempo Comum, o Papa Francisco reunido com os fiéis na praça de São Pedro, conduziu a tradicional oração do Angelus precedida de algumas palavras sobre o Evangelho do dia (Mc 10, 2-16).

O Santo Padre destacou que assim como a algumas semanas, o Senhor demonstra mais uma vez Sua preferência pelas crianças, que simbolizam todo aquele que precisa de cuidado de carinho e atenção. Mostra desta forma que a ternura de Deus sempre está perto de quem é pequeno e indefeso tendo Ele mesmo repreendido os discípulos que tentavam impedir as crianças de chegarem até Ele.

“Recordamos que Jesus, ao fazer o gesto de abraçar uma criança, identificou-se com os pequenos: ele ensinou que são precisamente os pequenos, ou seja, aqueles que dependem dos outros, que estão necessitados e não podem retribuir, que devem ser servidos por primeiro. Aqueles que buscam a Deus o encontram ali, nos pequenos, nos necessitados: não só de bens, mas de cuidados e conforto, como os doentes, os humilhados, os prisioneiros, os imigrantes e os encarcerados. Ele está ali. É por isso que Jesus está indignado: todo insulto feito a um pequeno, a uma pessoa pobre, a uma pessoa indefesa, é feito a Ele”.

Francisco acrescenta em seguida que também é fundamental para o discípulo se reconhecer pequeno e necessitado de Deus, porque é verdade. Possuímos em nossa natureza humana diversas fraquezas e vazios que só podem ser preenchidos pela misericórdia de Deus quando nos reconhecemos pequenos e necessitados:

“Quem não acolher o Reino de Deus como o acolhe uma criança, não entrará nele. Eis a novidade: o discípulo não deve servir apenas aos pequenos, mas reconhecer-se, ele mesmo, pequeno. Saber-se pequeno, saber-se necessitado de salvação, é indispensável para acolher o Senhor. É o primeiro passo para nos abrirmos a Ele. Mas muitas vezes esquecemos disso”. Na prosperidade, no bem-estar, temos a ilusão de sermos autossuficientes, de sermos suficientes a nós mesmos, de não precisarmos de Deus. Isto é um engano, porque cada um de nós é um ser necessitado, um ser pequeno. Na vida, reconhecer-se pequeno é o ponto de partida para se tornar grande. Se pensarmos nisso, crescemos não tanto com base nos sucessos e nas coisas que temos, mas sobretudo nos momentos de luta e fragilidade. Ali, na necessidade, amadurecemos; ali abrimos nosso coração a Deus, aos outros, ao sentido da vida”.

O Papa nos lembra que em nossas quedas, cruzes e dificuldades não devemos desanimar pois é justamente nessa hora que nossa verdadeira fraqueza aparece, a natureza comum a todos os seres humanos se torna mais evidente e então percebemos que a misericórdia de Deus se faz mais presente. Francisco ainda concluiu pedindo a Nossa Senhora que nos ajude a obter a graça da pequenez:

“Uma bonita oração seria esta: “Senhor, olha para minhas fraquezas…” e enumrá-las diante d’Ele. Esta é uma boa atitude diante de Deus”. Na verdade, é precisamente na fragilidade que descobrimos o quanto Deus cuida de nós. O Evangelho deste domingo diz que Jesus é mais terno com os pequenos: “tomando-os em seus braços, abençoou-os, impondo-lhes suas mãos”. Quem reza com perseverança sabe bem: em momentos de escuridão ou solidão, a ternura de Deus para conosco torna-se – por assim dizer – ainda mais presente. Isso nos dá paz, nos faz crescer. Em oração, o Senhor nos mantém próximos de Si, como um pai com seu filho. É assim que nos tornamos grandes: não na ilusória pretensão de nossa autossuficiência, mas na força de colocar toda a esperança no Pai. Assim como fazem os pequenos….peçamos à Virgem Maria uma grande graça, a da pequenez: ser crianças que confiam no Pai, certos de que Ele não deixa de cuidar de nós.”

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