Papa no Angelus: O Batismo do serviço


Papa Francisco no Angelus de 17/10/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 17/10/2021 (Imagem: Vatican News)

Olhar e abaixar-se no serviço e não buscar galgar para a própria glória

[Eduardo Honorato Paulo, 17/10/2021 – Redação CatolicaWeb]Neste 29º Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco antes de rezar a tradicional oração do Angelus com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro no Vaticano, proferiu algumas palavras sobre o Evangelho do dia em Mc 10, 42 – 45. O texto bíblico narra o pedido que dois dos discípulos de Jesus fizeram de estar em um lugar privilegiado ao lado do Senhor, acima dos demais, o que gerou grande indignação no grupo dos apóstolos.

Diante deste fato o Santo Padre reflete sobre dois verbos diferentes: emergir e imergir. O primeiro está ligado ao crescimento pessoal e autopromoção, usar dos serviços que fazemos para ganharmos prestígio:

Emergir, expressa aquela mentalidade mundana da qual somos sempre tentados: viver todas as coisas, até mesmo as relações, para alimentar a nossa ambição, para subir os degraus do sucesso. A busca do prestígio pessoal, advertiu, pode se tornar uma doença do espírito. “Isso na Igreja também acontece. Quantas vezes, nós cristãos, que deveríamos ser os servidores, buscamos galgar, ir avante.” É importante sempre verificar as verdadeiras intenções do coração e perguntar-se se levo avante um serviço somente para ser notado e louvado.

Segundo Francisco, Jesus contrapõe a emersão com o serviço. Ao invés de usar dos outros para a autopromoção, buscar sempre estar a serviço do próximo. O Santo Padre cita a Caritas como um belo exemplo:

“Preocupar-se com a fome dos outros, preocupar-se com as necessidades dos outros. São muitos, muitos os necessitados hoje e mais ainda depois da pandemia. Olhar e abaixar-se no serviço e não buscar galgar para a própria glória”.

Após isso o Papa explica o significado de imergir, que é exatamente o batismo cristão. Imergir é estar mergulhado no serviço ao próximo, fazendo da preocupação dos pequenos a sua própria:

“Mas nós pensamos com compaixão na fome de tantas pessoas? Quando estamos diante da refeição, há uma graça de Deus, que nós podemos comer. Há pessoas que trabalham e não conseguem ter o alimento suficiente para todo o mês. Pensemos nisto! E imergir-se com compaixão, ter compaixão não é um dado de enciclopédia. Não! São pessoas e eu sinto compaixão por essas pessoas?”

O Pontífice nos ensina que não é fácil passar do emergir para o imergir, pois como humanos somos tentados a querer sempre crescer e sermos notados por nossas ações, mas temos dentro de nós o Espirito de Deus que nos guiará a sermos mais próximos da imagem de Jesus, e para isso contamos sempre com a ajuda de nossa mãe Maria:

“Ela, mesmo sendo a maior, não buscou emergir, mas foi a humilde serva do Senhor e imergiu-se completamente ao nosso serviço para nos ajudar a encontrar Jesus.”

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