Papa no Angelus: O Deserto é o lugar onde Deus fala ao coração do homem


Papa no Angelus - 21/02/2021

“Não tenham medo do deserto, procurem por momentos de mais oração, de silêncio, de entrar em nós mesmos. Não tenham medo”

Confira a mensagem do Papa no Angelus de 21/02

[Eduardo Honorato Paulo, Redação CatolicaWeb – 22/02/2021] Neste dia 21 de fevereiro, primeiro domingo da Quaresma, o Papa Francisco mais uma vez se dirigiu aos fiéis na Praça de São Pedro fazendo uma reflexão sobre o Evangelho do dia antes da recitação do Angelus.

Em sua mensagem, o Santo Padre nos explica a dimensão do “deserto” citado no texto, não como um lugar físico, mas sim um momento de solidão onde podemos nos desligar de tantas distrações do dia a dia e nessa condição podermos nos abrir a Palavra de Deus mas, no entanto, nesse momento de fragilidade também devemos estar atentos:

“O deserto é o lugar onde Deus fala ao coração do homem, e onde brota a resposta da oração, ou seja, o deserto da solidão, o coração separado de outras coisas e, somente naquela solidão, se abre à Palavra de Deus. Mas é também o lugar da provação e da tentação, onde o Tentador, aproveitando a fragilidade e as necessidades humanas, insinua a sua voz mentirosa, uma alternativa àquela de Deus, uma voz alternativa que te mostra outro caminho, um outro caminho de engano. O Tentador seduz.”

Francisco nos ensina que desde as tentações no deserto se iniciou uma verdadeira batalha entre Jesus e o maligno:

“começa o ‘duelo’ entre Jesus e o diabo, que terminará com a Paixão e a Cruz. Todo o ministério de Cristo é uma luta contra o Maligno nas suas muitas manifestações: curas de doenças, exorcismos sobre os possuídos, perdão dos pecados”. Jesus, ao agir com o poder de Deus, “parece que o diabo tem a vantagem, quando o Filho de Deus é rejeitado, abandonado e, finalmente, capturado e condenado à morte”. Mas não porque “a morte era o último ‘deserto’ para se atravessar para derrotar definitivamente Satanás e libertar todos nós do seu poder”.

“Este Evangelho das tentações de Jesus no deserto nos lembra que a vida do cristão, nos passos do Senhor, é uma batalha contra o espírito do mal’. Mas, que devemos fazer como Jesus, que enfrentou e venceu o Tentador: “devemos estar conscientes da presença deste inimigo astuto, interessado na nossa condenação eterna, no nosso fracasso, e nos prepararmos para nos defender dele e combatê-lo”.

O pontífice ainda nos chama a atenção para um fato importante: Jesus nunca dialogou com o diabo. Em suas ações sempre usou palavras de ordem para libertar as pessoas das ações do mal mas nunca entrou em diálogo com o ele mesmo, e ainda nos alerta para fazer o mesmo diante das tentações:

“Na sua vida, Jesus nunca fez um diálogo com o diabo, nunca. Ou o afasta dos possuídos ou o condena ou mostra a sua malícia, mas nunca um diálogo. E, no deserto, parece que há um diálogo porque o diabo faz três propostas e Jesus responde. Mas Jesus não responde com as suas palavras. Responde com a Palavra de Deus, com três passagens da Escritura. E isso é para todos nós. Quando o sedutor se aproxima, ele começa a nos seduzir: ‘mas pense isto, faça aquilo…’, a tentação é de dialogar com ele, como fez Eva. Eva disse: ‘mas não se pode porque nós…’, e entrou em diálogo. E se nós entrarmos em diálogo com o diabo, seremos derrotados. Coloque isso na cabeça e no coração: com o diabo nunca se dialoga, não há diálogo possível. Somente a Palavra de Deus.”

Concluindo sua reflexão o Papa nos encoraja a enfrentar o deserto, visto que não é um lugar, mas um estado onde podemos nos encontrar por meio de um verdadeiro encontro com o próprio Cristo:

“Não se trata – como vimos – de um lugar físico, mas de uma dimensão existencial para ficar em silêncio, escutar a palavra de Deus, “para que a verdadeira conversão se realize em nós”. Não tenham medo do deserto, procurem por momentos de mais oração, de silêncio, de entrar em nós mesmos. Não tenham medo. Somos chamados a percorrer os caminhos de Deus, renovando as promessas do nosso Batismo: renunciar a Satanás, a todas as suas obras e a todas as suas seduções. O inimigo está ali, agachado, tenham cuidado. Mas nunca dialoguem com ele.”

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