Papa no Angelus: O Dom gratuito da fé


Papa Francisco no Angelus de 10/10/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 10/10/2021 (Imagem: Vatican News)

Uma fé sem dom e gratuidade é como um jogo bem jogado, mas sem gol. Uma fé sem obras de caridade nos torna tristes

[Eduardo Honorato Paulo, 10/10/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste 28º Domingo do Tempo Comum o Papa Francisco reunido com os fieis na Praça de São Pedro no Vaticano, recitou a tradicional oração do Angelus precedida sempre de um breve comentário sobre o Evangelho do dia (Mc 10, 17-30)

O texto bíblico narra o encontro de Jesus com um homem que deseja encontrar o Reino de Deus, e quer saber o que deve fazer para conquista-Lo. Segundo o Papa esta forma de pensamento é equivocada, pois o Reino é um dom gratuito, e nossa fé não deve ser uma moeda de troca, mas sim um dom também gratuito:

Neste “alguém”, todos podemos nos reconhecer e nos permite fazer um “teste sobre a fé”. O homem começa com uma pergunta: “Que devo fazer para ganhar a vida eterna?”. Eis a sua religiosidade: um dever, um fazer para obter. Mas esta é uma relação comercial com Deus. Ao invés, a fé não é um rito frio e mecânico. É questão de liberdade e de amor. Então podemos fazer o primeiro teste: para mim, que é a fé? Se é principalmente um dever ou uma moeda de troca, estamos no caminho errado, porque a salvação é um dom e não um dever, é gratuita e não se pode comprar. O primeiro passo, portanto, é nos libertar de uma fé “comercial e mecânica”.

Segundo Francisco, após este primeiro encontro Jesus ensina aquele homem o que é gratuidade, pois olha para ele com amor, mostrando que não quer nada em troca senão o seu coração. A conquista do Reino de Deus não é uma relação e troca mas de amor:

Na sequência, Jesus ajuda aquele “alguém” oferecendo-lhe a verdadeira face de Deus. O texto diz: “Jesus olhou para ele com amor”. Eis de onde nasce e renasce a fé: não de um dever ou de algo a fazer, mas de um olhar de amor a acolher. Não se baseia nas nossas capacidades e projetos. Se a sua fé está cansada e você quer rejuvenescê-la busque o olhar de Deus: coloque-se em adoração, deixe-se perdoar na Confissão, fique diante do Crucifixo. Enfim, deixe-se amar por Ele.”

Ainda segundo Francisco, quando Jesus pede para aquele homem vender tudo e doar os seus bens aos pobres, Ele está ensinando a praticar também de modo gratuito a sua própria fé. Lembrando que esta prática de fé não é um “passaporte” para o céu, mas um modo gratuito de manifestar o seu amor a Deus:

Depois da pergunta e do olhar, há um convite de Jesus: “Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres”. Talvez é isto que nos falte também a nós. Com frequência, fazemos o mínimo indispensável, enquanto Jesus nos convida ao máximo possível. Não podemos nos contentar dos deveres, preceitos e algumas orações. A fé não pode se limitar aos “nãos”, porque a vida cristã é um “sim”; um “sim” de amor. Uma fé sem dom e gratuidade é como um jogo bem jogado, mas sem gol. Uma fé sem obras de caridade nos torna tristes.

“Que Nossa Senhora, que disse a Deus um ‘sim’ total, um ‘sim’ sem ‘mas’ – não é fácil, mas a Virgem fez assim – nos faça saborear a beleza de fazer da vida um dom.”

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