Papa no Angelus: Parar, descansar e contemplar


Papa no Angelus de 18/07/2021 (imagem: Vatican News)
Papa no Angelus de 18/07/2021 (imagem: Vatican News)

De fato, só o coração que não se deixa levar pela pressa é capaz de se comover

[Eduardo Honorato Paulo, 18/07/2021 – Redação CatolicaWeb] Hoje, no XVI domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco voltou a rezar a oração do Angelus da janela do Palácio Apostólico após o seu período de internação. Em sua fala antes da oração, o Santo Padre recordou o Evangelho do dia de Marcos, em que Jesus convida seus discípulos a um ato simples, porém muito importante: o descanso. O Papa nos diz que devemos parar um pouco e nos desligar:

“Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”, convida ao repouso.

Ele quer alertá-los de um perigo, que sempre está à espreita também para nós: o perigo de deixar-se cair no frenesi do fazer, cair na armadilha do ativismo, onde o mais importante são os resultados que obtemos e o sentir-se protagonistas absolutos.”

Francisco também refere-se ás nossas atividades na igreja que muitas vezes nos gasta tempo e preparação, nos levando a correr o risco de nos esquecer de Jesus e da oração, tirando dEle o foco e nos colocando no papel de verdadeiros protagonistas:

“estamos atarefados, corremos, pensamos que tudo depende de nós e, no final, corremos o risco de negligenciar Jesus e estarmos sempre nós no centro. Por isso, convida os seus para repousar um pouco à parte, com Ele”. Não é apenas repouso físico, é também descanso do coração. Porque não basta “desligar”, é preciso repousar de verdade. E como se faz isso? Para fazer isso é preciso voltar ao cerne das coisas: parar, ficar em silêncio, rezar, para não passar da correria do trabalho para a correria das férias. Mas o fato de Jesus se retirar a cada dia na “oração, no silêncio, na intimidade com o Pai”, não impede que Ele esteja atento às necessidades da multidão, e o convite dirigido aos seus discípulos, deveria acompanhar também a nós, que deveríamos parar “a correria frenética que dita as nossas agendas”. Aprendamos a parar, a desligar o celular, a contemplar a natureza, a regenerar-nos no diálogo com Deus.”

O Santo Padre também nos dá uma ensinamento precioso: o descanso é um grande momento para aprender a compaixão. Muitas vezes na correria de nossos dias fica difícil enxergar o outro, parar, olhar e ter compaixão com o sofrimento de nossos irmãos. Apenas na calma, quando não estamos tão preocupados com nossos afazeres é que podemos perceber as pessoas ao nosso lado e nos compadecer:

“o Evangelho narra que Jesus e os discípulos não podem descansar como gostariam”, pois as pessoas provenientes dos lugares mais diversos os reconhecem. Neste ponto, move-se a compaixão”: Aqui está o segundo aspecto: a compaixão que é o estilo de Deus, o estilo de Deus é: proximidade, compaixão e ternura. Quantas vezes no Evangelho, na Bíblia, encontramos esta frase: “teve compaixão dele”. Comovido, Jesus se dedica ao povo e retoma o ensino. Parece uma contradição, mas na realidade não o é. De fato, só o coração que não se deixa levar pela pressa é capaz de se comover, isto é, de não se deixar levar por si mesmo e pelas coisas a fazer e de perceber os outros, suas feridas, suas necessidades. A compaixão nasce da contemplação.

O Papa concluiu reforçando a necessidade de parar, descansar e contemplar a Deus. A fazermos o exercício de deixar um pouco de lado nossas preocupações e encontrar o Senhor por meio da oração contemplativa :

Assim caso aprendamos a descansar verdadeiramente, nos tornaremos capazes da verdadeira compaixão: Se cultivarmos o olhar contemplativo, levaremos em frente as nossas atividades sem a atitude voraz de quem quer possuir e consumir tudo; se permanecermos em contato com o Senhor e não anestesiarmos a parte mais profunda de nós, as coisas a fazer não terão o poder de nos tirar o fôlego e nos devorar. Temos necessidade – ouçam isso – temos necessidade de uma “ecologia do coração” que inclui descanso, contemplação e compaixão. Aproveitemos o tempo de verão para isso. Nos ajuda bastante!

“Que Nossa Senhora que cultivou o silêncio, a oração e a contemplação, e sempre se move em terna compaixão por nós, seus filhos.”

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