Papa no Angelus: Como Maria “caminhar as pressas” no serviço ao Senhor


Papa Francisco no Angelus de 19/12/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 19/12/2021 (Imagem: Vatican News)

Aprendamos de Nossa Senhora esta maneira de reagir: levantar-se, especialmente quando as dificuldades ameaçam nos esmagar.

[Eduardo Honorato Paulo, 19/12/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste último Domingo do Advento, o Papa Francisco reuniu-se com os fieis na Praça de São Pedro para a recitação da oração do Angelus, precedida sempre das palavras do Pontífice comentando o Evangelho do dia, hoje em Lc 1, 39 45.

O texto bíblico narra a visita que Maria realizou a Isabel, e como foi o encontro das duas mulheres, Maria grávida de Jesus e Isabel de João Batista. Segundo Francisco ao receber o anúncio do anjo de que daria a luz ao Filho de Deus ela não pensou em como e em o que deveria fazer para isso, pois no mesmo anúncio, o enviado de Deus também revelou que Isabel, já de idade avançada,  estava grávida e isso encheu o coração de Nossa Senhora de preocupação e partiu imediatamente ao seu encontro:

“Em vez de ficar curvada sobre seus problemas”, Maria “pensou em Isabel sua parente em idade avançada e grávida, uma coisa estranha, milagrosa. Maria parte com generosidade, sem se deixar amedrontar pelo desconforto do trajeto, respondendo a um impulso interior que a chama a estar perto e ajudar. Uma longa estrada, quilômetros e quilômetros. Não havia ônibus naquela época. Ela foi a pé. Ela saiu para ajudar. Como? Partilhando a alegria”.Maria doa a Isabel a alegria de Jesus, a alegria que ela carregava em seu coração e no ventre. Vai até ela e proclama os seus sentimentos, e esta proclamação dos sentimentos passou depois a ser uma oração, o Magnificat que todos nós conhecemos. O texto diz que Nossa Senhora “se levantou e foi às pressas. Ela se levantou e foi.

O Santo Padre chama a atenção para dois verbos presentes no Evangelho: “Levantar” e “caminhar as pressas”. Segundo Francisco “levantar” é fundamental para fazermos o bem a alguém, para doar ajuda. Levantar é dar o primeiro passo, é começar e muitas vezes é o mais difícil, pois é necessário primeiramente um esforço psicológico, um sair da zona de conforto, é sair do comodismo. Por isso Maria se levantou:

 “Levantar-se e caminhar às pressas. Estes são os dois movimentos que Maria fez e que nos convida a fazer em vista do Natal. Primeiramente, levantar-se. Depois do anúncio do anjo, se aproxima um período difícil para a Virgem: a gravidez inesperada a expôs a incompreensões, a punições severas, até mesmo à lapidação, na cultura daquele tempo. Imaginemos quantos pensamentos e perturbações ela teve! No entanto, ela não desanimou, não se abateu, mas se levantou. Não olhou para baixo para os seus problemas, mas para o alto, para Deus”. “Não pensou em quem pedir ajuda, mas a quem levar ajuda. Sempre pensando nos outros: Maria é assim. Pensa nas necessidades dos outros. Ela fará o mesmo nas Bodas de Caná, quando vê que falta o vinho. É um problema dos outros, mas ela pensa nisso e procura encontrar uma solução. Maria pensa sempre nos outros, pensa em nós” Aprendamos de Nossa Senhora esta maneira de reagir: levantar-se, especialmente quando as dificuldades ameaçam nos esmagar. Levantar-se, para não ficar atolado nos problemas, afundando na autopiedade e caindo numa tristeza que nos paralisa. Olhando para dentro e ficando na tristeza. Mas, por que se levantar? Porque Deus é grande e está pronto para nos reerguer, se nós estendermos a mão a Ele. Portanto, deixemos a Ele os pensamentos negativos, os medos que bloqueiam cada impulso e nos impedem de seguir em frente. E depois façamos como Maria: olhemos ao nosso redor e procuremos alguém a quem possamos ajudar! Conheço algum idoso a quem eu possa fazer um pouco de companhia, um serviço, uma gentileza, um telefonema? Cada um pense nisso. A quem posso ajudar? Eu me levanto e ajudo. Ajudando os outros, ajudaremos a nós mesmos a nos levantar das dificuldades.

O segundo verbo destacado por Francisco é o “caminhas as pressas”. Para o Papa este movimento não significa caminhar ou fazer as coisas com afobação, mas fazer com alegria e com vontade. Quem ama o que faz tem pressa em fazê-lo, e faz com alegria porque isso traz felicidade. Nos ensina a “caminhar as pressas” no serviço ao Senhor, exercer o nosso ministério com alegria, bom humor e buscando sempre a satisfação no que se faz, porque isso alegra o coração de Deus:

“Isto não significa proceder com agitação, de forma ofegante, não quer dizer isso. Trata-se de conduzir nossos dias com um passo alegre, olhando em frente com confiança, sem nos arrastarmos com má vontade, escravos das reclamações, aquelas reclamações que arruínam muitas vidas, porque a pessoa coloca aquilo dentro e reclama, reclama. As reclamações levam a procurar sempre alguém a quem culpar. O caminho da casa de Isabel, Maria prossegue com o passo rápido de alguém cujo coração e vida estão cheios de Deus, cheios de sua alegria. Então nos perguntemos: como está meu “passo”? Sou ativo ou fico na melancolia, na tristeza? Sigo em frente com esperança ou paro para sentir pena de mim mesmo? Se continuarmos com o passo cansado de resmungo e fofoca, não levaremos Deus a ninguém. Levaremos somente amargura e coisas obscuras. Em vez disso, é tão bom cultivar um humor saudável, como fez, por exemplo, São Tomás Moro ou São Filipe Neri. Peçamos esta graça, a graça do humor saudável. Faz muito bem”, disse o Papa, convidando a não nos esquecer “que o primeiro ato de caridade que podemos fazer ao nosso próximo é oferecer-lhe um rosto sereno e sorridente. É levar a ele a alegria de Jesus, como Maria fez com Isabel”.

“Que a Mãe de Deus nos pegue pela mão, nos ajude a nos levantar e a caminhar às pressas para o Natal”

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