Papa no Angelus: Acusar o mal dentro de nós e purificar o coração


Papa no Angelus de 29/08/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa no Angelus de 29/08/2021 (Imagem: Vatican News)

Parece que os problemas chegam sempre de fora. E passamos o tempo a distribuir as culpas; mas passar o tempo a culpar os outros é perder tempo

[Eduardo Honorato Paulo, 29/08/2021 – Redação CatolicaWeb] Na manhã deste XXII Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco rezou junto com os fieis reunidos na Praça de São Pedro no Vaticano, a oração mariana do Angelus, aproveitando a ocasião para comentar o Evangelho do dia (Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23).

O texto Bíblico cita o espanto dos fariseus frente à forma como os discípulos de Jesus comiam pão antes de lavar as mãos. O santo Padre questiona do por que Jesus não observa certas regras e não se importa de seus discípulos fazerem o mesmo:

“Por que Jesus e os seus discípulos ignoram essas tradições? Também nós muitas vezes ‘maquiamos’ a alma.” Há sempre a tentação de ‘sistematizar Deus’ com alguma devoção exterior, mas Jesus não se contenta com este culto. Não quer exterioridade, quer uma fé que chegue ao coração.”

Francisco explica que Jesus deseja uma fé verdadeira que começa dentro do coração da pessoa, e não algo que vem do exterior e mostra aos fariseus o que realmente pode deixar o ser humano impuro, mostrando que nosso coração pode ser fruto tanto do bem como  do mal:

Isto diz respeito também a nós.  Com frequência, pensamos que o mal provenha sobretudo de fora: dos comportamentos dos outros, de quem pensa mal de nós, da sociedade.

“É sempre culpa dos ‘outros’: das pessoas, de quem governa, do azar. Parece que os problemas chegam sempre de fora. E passamos o tempo a distribuir as culpas; mas passar o tempo a culpar os outros é perder tempo.”

O Santo Padre nos ensina uma valiosa lição: Não culpar os outros por nossos problemas e procurarmos dentro de nós mesmos os motivos que geram o caos que tanto nos queixamos. Enfatiza que a melhor forma de derrotar o mal é começar a faze-lo dentro de nossos corações, pois se procurarmos em nosso interior encontraremos tudo aquilo que vemos de fora e detestamos:

Nervosismo, ressentimento, tristeza e acidez afastam Deus do coração: “Não se pode ser realmente religioso na lamentação”.

“Peçamos hoje ao Senhor que nos liberte de culpar os outros. Peçamos na oração a graça de não desperdiçar o tempo poluindo o mundo com reclamações, porque isto não é cristão.”

O convite de Jesus é a olhar a vida e o mundo a partir do nosso coração, pedindo que Ele o purifique para tornar o mundo mais limpo. “Se olharmos dentro de nós, encontraremos quase tudo aquilo que detestamos fora”.

O Pontífice ainda nos da um modo novo para derrotar o mal: Acusar a nós mesmos. Mas não com a intenção de fazer uma autocondenação mas sim, uma autocorreção. E incentiva a fazer isso com frequência, para desta forma, nos purificar cada vez mais:

Portanto, há um modo infalível para vencer o mal: começar a derrotá-lo dentro de nós. Os primeiros Pais da Igreja e também muitos monges, afirmam que o primeiro passo no caminho da santidade é acusar a si mesmo. “Quantos de nós, num momento do dia ou da semana são capazes de acusar a si próprios? ‘Sim, mas esta pessoa me fez isto, fez aquilo, o outro fez uma barbaridade… Mas eu faço o mesmo. É uma sabedoria: aprender a acusar a si mesmo. Tentem fazer isto, lhes fará bem. A mim faz bem, quando consigo. “Que a Virgem Maria, que transformou a história através da pureza do seu coração, nos ajude a purificar o nosso, superando antes de tudo o vício de culpar os outros e de reclamar de tudo.”

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