Papa no Angelus: Ser humilde como Maria e alcançar o céu


Papa no Angelus de 15/08/2021 (imagem: Vatican News)
Papa no Angelus de 15/08/2021 (imagem: Vatican News)

Maria ‘alegra-se em Deus, porque olhou para a humildade de sua serva’. A humildade é o segredo de Maria. É a humildade que atraiu o olhar de Deus para ela.

[Eduardo Honorato Paulo 15/08/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste XX domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco conduziu a oração do Angelus precedida sempre de uma profunda reflexão sobre o Evangelho do dia, que hoje nos traz o Magnificat – celebrando a festa da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. O Santo Padre iniciou sua fala cumprimentando os fiéis reunidos na Praça de São Pedro, desejando-lhes também uma boa festa e recordando esta solenidade tão importante para a Igreja.

Francisco inicia sua fala nos ensinando que o Magnificat, o canto de Maria retratado no Evangelho de domingo e uma verdadeira “fotografia de Maria”, pois mostra ali a sua essência:

“No Evangelho deste domingo, Solenidade da Assunção da Santíssima Virgem Maria ao Céu, destaca-se o Magnificat. Este cântico de louvor é como uma fotografia” da Mãe de Deus. Maria ‘alegra-se em Deus, porque olhou para a humildade de sua serva’. A humildade é o segredo de Maria. É a humildade que atraiu o olhar de Deus para ela.” 

O Papa enfatizou muito a virtude da humildade, considerando-a como o verdadeiro caminho que leva o céu, pois é essa virtude que atrai e encanta o coração de Deus:

“O olho humano busca a grandeza e fica deslumbrado com o que é vistoso. Deus, por outro lado, não olha para as aparências, mas para o coração e se encanta com a humildade. Hoje, olhando para Maria assunta, podemos dizer que a humildade é o caminho que leva para o céu”.

O Santo Padre recordou a origem da palavra “humildade” que vem do Latin, “humus” que significa terra. E apenas aquele que se faz baixo como a terra é que poderá ser exaltado por Cristo. Segundo Francisco a única virtude que Maria atribui a sim mesma é de ser uma simples serva:

A palavra ‘humildade’ vem do latim humus, que significa ‘terra'”. É paradoxal: para chegar ao topo, ao céu, você tem que permanecer baixo, como a terra! Jesus ensina: “Aquele que se humilha será exaltado. Deus não nos exalta por nossos dons, por nossas riquezas e habilidades, mas por nossa humildade. Deus exalta quem se abaixa, quem serve. Maria, de fato, a si mesma não atribui outro ‘título’ a não ser de serva: ela é “a serva do Senhor”. Ela não diz mais nada sobre si mesma, ela não busca mais nada para si mesma.

Após essas palavras nos pergunta sobre nossa própria humildade. Como estamos trabalhando isso em nós mesmos? Se estamos tomando as atitudes necessárias para sermos realmente pessoas humildes:

Hoje, então, podemos nos perguntar: como vivo a humildade? Procuro ser reconhecido por outros, afirmar-me e ser elogiado, ou eu penso em servir? Eu sei escutar, como Maria, ou será que eu só quero falar receber atenção? Eu sei ficar em silêncio, como Maria, ou eu estou sempre falando? Será que sei dar um passo para trás, evitar brigas e discussões ou eu apenas tento me sobressair?

Ainda nos ensina que Maria conquistou o céu primeiro por causa de sua humildade, de se reconhecer como necessitada de Deus, e por isso, ela é a “cheia de graça” pois se entregou de tal maneira que o Senhor pode preenchê-la plenamente com a sua graça. E para nós a humildade também é o ponto de partida:

Maria, em sua pequenez, conquista os céus primeiro”. O segredo de seu sucesso está precisamente em se reconhecer pequena e necessitada.” Com Deus, somente aqueles que se reconhecem como nada são capazes de receber tudo. Somente aqueles que se esvaziam são preenchidos por Ele. E Maria é a “cheia de graça” precisamente por causa de sua humildade. Para nós também, a humildade é o ponto de partida, o início de nossa fé. É fundamental ser pobre em espírito, ou seja, necessitados de Deus. Aquele que está cheio de si mesmo não dá espaço a Deus, mas aquele que permanece humilde permite que o Senhor realize grandes coisas. O poeta Dante chama a Virgem Maria de “humilde e elevada mais do que criatura”.

Francisco ainda nos lembra que Maria viveu a humildade em sua rotina, dia após dia, e que esta vivência cotidiana seja o ambiente em que devamos também praticar essa virtude:

“é bom pensar que a criatura mais humilde e alta da história, a primeira a conquistar os céus com toda si mesma, de corpo e alma, passou a maior parte de sua vida entre as paredes de sua casa, no cotidiano. Os dias da cheia de graça não foram muito impressionantes. Eram muitas vezes iguais, no silêncio: no exterior, nada de extraordinário. Mas o olhar de Deus sempre permaneceu sobre ela, admirado pela sua humildade, sua disponibilidade, pela beleza de seu coração, nunca tocada pelo pecado.  Esta é uma grande mensagem de esperança para nós; para você, que vive dias iguais, cansativos e muitas vezes difíceis. Maria nos recorda hoje que Deus também chama você para este destino de glória. “Estas não são palavras bonitas, é a verdade. Não é um final feliz engenhosamente criado, uma ilusão piedosa ou uma falsa consolação. Não, é a pura realidade, viva e verdadeira como Nossa Senhora assunta ao Céu”.

O Santo Padre concluiu convidando a comunidade dos fiéis a rezarem o Angelus junto com ele, pedindo que Nossa Senhora nos guie neste caminho humilde até o céu.

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