Papa na Grécia: Confiar na Graça de Deus em meio ao deserto


Papa Francisco em visita à Grécia (imagem: Vatican News)
Papa Francisco em visita à Grécia (imagem: Vatican News)

É nos nossos desertos existenciais que Ele nos visita, quando as situações parecem irresgatáveis, sem saída. Assim, não há lugar que Deus não queira visitar.”

[Eduardo Honorato Paulo, 05/12/2021 – Redação CatolicaWeb]Neste segundo domingo do advento o Papa Francisco, em sua visita à Grécia, presidiu a Santa Missa junto aos fiéis gregos no Megaron Concert Hall em Atenas.

Durante a Homilia o Santo Padre discorreu sobre o Evangelho do dia (Lc 3, 1-6) onde é apresentada a missão de São João Batista. Ele destaca o deserto e a conversão como os pontos centrais desta missão.

O pontífice nos lembra que a Palavra de Deus era esperada pelo povo, achava-se que seria dirigida a lugares mais solenes, mas veio ao deserto. Francisco mostra o deserto como o lugar onde Deus deseja visitar, a aridez, a dificuldade, a falta de tudo se assemelha a muitas situações de nossas vidas onde parece que o Senhor nos esqueceu, mas é justamente nessas situações que o Senhor mais se torna presente:

“deserto e conversão. O evangelista Lucas fala de circunstâncias solenes e de grandes personagens da época e se esperava que a Palavra de Deus se dirigisse a um deles, mas não. Passa-se inesperadamente para o deserto, para um homem desconhecido e solitário. De fato, ter autoridade, ser cultos e famosos não constituem garantias para agradar a Deus. Ao invés, João prega no deserto, o que constitui para nós uma mensagem encorajadora:

“Agora como então, Deus volta o seu olhar para onde dominam tristeza e solidão. Podemos experimentá-lo na vida: com frequência Ele não consegue tocar-nos enquanto estamos no meio dos aplausos e só pensamos em nós mesmos; alcança-nos sobretudo nas horas da provação.”

É nos nossos desertos existenciais que Ele nos visita, quando as situações parecem irresgatáveis, sem saída. Assim, não há lugar que Deus não queira visitar.” Portanto, caríssimos, não temais a pequenez, porque a questão não é ser pequenos e poucos, mas abrir-se a Deus e aos outros.”

Francisco nos ensina que em grego o termo “conversão” tem outro significado além de mudança de vida: conversão significa justamente “pensar além”, acreditar que mesmo em meio ao deserto não devemos desanimar. Pensar que além de toda a aridez e dificuldade existe a graça de Deus que pode converter qualquer situação e nos tornar pessoas cada vez melhores, a nós basta-nos abrir o coração e acreditar:

O segundo aspecto é a conversão. Falar de conversão, pode parecer difícil e gerar tristeza, como se fosse fruto somente do nosso empenho. Pode-se sentir frustrado em querer mudar, mas não conseguir. Mas em grego, o verbo converter tem outro significado, que é precisamente “pensar além”. Isto é, ir além do nosso eu e da nossa pretensão de autossuficiência. “Deus é maior”: Então converter-se significa não dar ouvidos ao que enterra a esperança, a quem repete que nada mudará jamais na vida; é recusar-se a acreditar que estamos destinados a afundar nas areias movediças da mediocridade. Pelo contrário, é preciso confiar Nele, porque é Deus o nosso além, a nossa força. Tudo muda se deixarmos a Ele o primeiro lugar.

Eis a conversão: ao Senhor, basta a nossa porta aberta para entrar e fazer maravilhas, assim como Lhe bastaram um deserto e as palavras de João para vir ao mundo. Peçamos a graça da esperança, porque é a esperança que reanima a fé e reacende a caridade; porque é de esperança que hoje estão sequiosos os desertos do mundo.”

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