Papa: “Um encontro com Jesus é sempre um encontro marcante”


Papa Francisco no Ângelus (Imagem: Vatican News)
Papa Francisco no Ângelus (Imagem: Vatican News)

Confira o resumo do Angelus do último Domingo, 17 de Janeiro de 2021.

[Eduardo Honorato Paulo, 17/01/2021]. O Papa Francisco realizou a oração do Ângelus  direto da biblioteca do Palácio Apostólico, em observação às medidas de segurança contra a transmissão do novo corona vírus.

Em sua reflexão, o Santo Padre chamou a atenção para o Evangelho de domingo que fala do encontro marcante dos dois discípulos de João com Jesus, um deles sendo André irmão de Simão Pedro e posteriormente o próprio Pedro.

O Pontífice relembra que foi o mesmo João Batista quem apontou o “Cordeiro de Deus” aos seus dois discípulos que partem em direção a Jesus e Ele os convida a um encontro.  “Vinde e vede!” “Os dois o seguem e naquela tarde permanecem com Ele”

Em seu discurso, o Papa afirma que todo encontro com Jesus não é um encontro qualquer, é um encontro marcante e transformador tanto que tempos depois um deles ainda consegue se lembrar exatamente do horário em que isso aconteceu.

“Não é difícil imaginá-los ali sentados, fazendo perguntas a ele e, sobretudo, ouvindo-o, sentindo que seus corações se aquecem sempre mais, enquanto o Mestre fala.  Eles sentem a beleza das palavras que correspondem à sua maior esperança. E de repente descobrem que, à medida que escurece à sua volta, explode neles, em seus corações, uma luz que somente Deus pode dar…Uma coisa que chama a atenção: um deles, sessenta anos depois, ou talvez mais, escreveu no Evangelho – “era por volta das quatro da tarde” – escreveu a hora. E isso é algo que nos faz pensar: todo encontro autêntico com Jesus fica na memória viva, nunca é esquecido. Você se esquece de tantos encontros, mas o encontro com Jesus verdadeiro permanece sempre. E tantos anos depois eles se recordavam também da hora, não puderam esquecer aquele encontro tão feliz, tão pleno, que havia mudado a vida.”

Nos ensina ainda que todo chamado de Deus para nós é particular e resultante de um ato de amor: “Detenhamo-nos por um momento nesta experiência do encontro com Cristo que chama a estar com Ele. Cada chamado de Deus é uma iniciativa do seu amor. É sempre Ele que toma a iniciativa. Ele te chama. Deus chama à vida, chama à fé e chama a um estado particular de vida: “Eu te quero aqui”. O primeiro chamado de Deus “é para a vida, com a qual nos constitui como pessoas; é um chamado individual, porque Deus não faz as coisas em série”. “Deus nos chama à fé e para fazer parte da sua família, como filhos de Deus. Por fim, Deus nos chama a um estado particular de vida: a doar-nos no caminho do matrimônio, no do sacerdócio ou na vida consagrada. São formas diferentes de realizar o projeto de Deus, aquele que Ele tem para cada um de nós, que é sempre um plano de amor. Mas Deus chama sempre. E a maior alegria para cada crente (para cada fiel) é responder a este chamado, oferecer-se inteiramente ao serviço de Deus e dos irmãos.

Mas diante deste chamado do Senhor que nos chega “de mil maneiras”, mesmo “por meio de pessoas, acontecimentos felizes e tristes, às vezes a nossa atitude pode ser de rejeição – “Não…“tenho medo”… Recuso porque nos parece em contraste com as nossas aspirações; e também o medo, porque o consideramos muito exigente e incômodo: “Oh, não conseguirei, melhor não, melhor uma vida mais tranquila. Deus lá e eu aqui”.

O Papa Francisco ainda afirma que após um encontro com Cristo não o guardamos apenas para nós, brota no coração uma vontade natural de anunciar este mesmo Cristo.

“essa alegria, essa luz transborda de seus corações como um rio caudaloso”.

Mas o chamado de Deus é amor. Devemos procurar encontrar o amor que está por trás de cada chamado, e se responde a ele somente com o amor. Esta é a linguagem: da resposta a um chamado que vem do amor, somente o amor. No início há um encontro, aliás, há o encontro com Jesus, que nos fala do Pai, nos faz conhecer o seu amor. E assim também em nós surge espontaneamente o desejo de comunicá-lo às pessoas que amamos: “Encontrei o Amor”, “encontrei o Messias”, “encontrei Jesus”, “encontrei o sentido da minha vida”. Em uma palavra: “Encontrei Deus”.

Concluiu a reflexão dizendo que cada um de nós tivemos um encontro pessoal com Jesus e nos convida a recordar este momento e na oração pede a Nossa Senhora que nos ajude a viver o chamado fruto desse encontro:

“Que a Virgem Maria nos ajude a fazer da nossa vida um hino de louvor a Deus, em resposta ao seu chamado e no cumprimento humilde e alegre da sua vontade. Mas recordemos isso: (para) cada um de nós, na sua vida, (houve) um momento em que Deus se fez presente com mais força, com um chamado. Recordemo-lo. Voltemos àquele momento, para que a memória daquele momento nos renove sempre no encontro com Jesus.”

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