Papa Francisco: A Paz, o Espírito e as Chagas – os dons para a misericórdia


Papa Francisco no Domingo da Misericórdia

E assim, depois da sua ressurreição, realiza a ‘ressurreição dos discípulos’; e, solevados por Jesus, mudam de vida.

Confira a mensagem do Papa Francisco na celebração do Domingo da Divina Misericórdia

[Eduardo Honorato Paulo 12/04/2021, Redação CatolicaWeb] No dia 11/04 II Domingo da Páscoa o Domingo da Divina Misericórdia, o Papa Francisco celebrou a missa na Igreja de Santo Espírito, em Sassia, Santuário da Divina Misericórdia, próximo ao Vaticano.

O Santo Padre em sua homilia nos ensina que após ressuscitar o Senhor se preocupou em ressuscitar os seus discípulos que tristes e com medo se encontravam trancados em casa, sem esperança e sem saber para onde seguir:

“Jesus ressuscitado aparece aos discípulos várias vezes; com paciência, conforta os seus corações desanimados. E assim, depois da sua ressurreição, realiza a «ressurreição dos discípulos»; e, solevados por Jesus, mudam de vida. Antes, inúmeras palavras e tantos exemplos do Senhor não conseguiram transformá-los; mas agora, na Páscoa, algo de novo se verifica; e verifica-se sob o signo da misericórdia: Jesus os levanta com a misericórdia; eles, obtendo misericórdia, tornam-se misericordiosos”

Segundo Francisco os discípulos alcançaram misericórdia por meio de três dons:  a paz, o Espírito e as chagas.

A Paz

A paz que Jesus envia aos discípulos não é uma paz associada à tranquilidade ou ao sossego, ou seja, não é uma paz externa e sim aquela que vem de dentro, alicerçada na confiança e na fé que anima aos discípulos a saírem em missão:

“Os discípulos estavam angustiados. Fecharam-se em casa assustados, com medo de serem presos e acabarem como o Mestre. Mas não estavam fechados só em casa; estavam fechados também nos seus remorsos: tinham abandonado e renegado Jesus; sentiam-se incapazes, inúteis e falhos. Chega Jesus e repete duas vezes: «A paz esteja com vocês!» Não traz uma paz que, de fora, elimina os problemas, mas uma paz que infunde confiança dentro. Não uma paz exterior, mas a paz do coração. Aqueles discípulos desanimados recuperam a paz consigo mesmos. A paz de Jesus suscita a missão. Não é tranquilidade, nem comodidade; é sair de si mesmo. A paz de Jesus liberta dos fechamentos que paralisam, quebra as correntes que mantêm o coração prisioneiro. E os discípulos sentem-se cumulados de misericórdia: sentem que Deus não os condena, nem humilha, mas acredita neles.

O Perdão no Espírito

Segundo o Papa quando Jesus sopra o Espírito sobre seus discípulos lhes concede o perdão dos pecados. Eles haviam fugido, abandonado e negado ao Senhor e este peso estava sobre os seus corações. Francisco ainda afirma que sozinhos eles não conseguiriam cancelar esses pecados e nós também não, por isso precisamos nos abrir a misericórdia e a ação do Espírito de Deus:

“Temos sempre diante de nós o nosso pecado. Sozinhos, não podemos cancelá-lo. Só Deus o elimina; só Ele, com a sua misericórdia, nos faz sair das nossas misérias mais profundas. Como aqueles discípulos, precisamos de nos deixar perdoar. O perdão no Espírito Santo é o dom pascal para ressuscitar interiormente”..Peçamos a graça de o acolher, de abraçar o Sacramento do perdão; e de compreender que, no centro da Confissão, não estamos nós com os nossos pecados, mas Deus com a sua misericórdia. Não nos confessamos para nos deprimir, mas para fazer-nos levantar. Todos precisamos disso. Caímos com frequência e a mão do Pai está pronta a pôr-nos de pé e fazer-nos caminhar. Esta mão segura e confiável é a Confissão. É o Sacramento que nos levanta, não nos deixando caídos, chorando no chão de nossas quedas. É o Sacramento da ressurreição, é pura misericórdia. E quem recebe as Confissões deve fazer sentir a doçura da misericórdia.

As Chagas

O Santo Padre apresenta as Chagas de Jesus como o caminho que temos de nos achegar a Ele, foi a forma pela qual a humanidade pode ser chamada de “filhos de Deus” e obter assim a Sua misericórdia:

As chagas são canais abertos entre Ele e nós, que derramam misericórdia sobre as nossas misérias. São os caminhos que Deus nos patenteou para entrarmos na sua ternura e tocar com a mão quem é Ele. E deixamos de duvidar da sua misericórdia. Adorando, beijando as suas chagas, descobrimos que cada uma das nossas fraquezas é acolhida na sua ternura. Tudo nasce da graça de obter misericórdia. Se, pelo contrário, nos apoiamos nas nossas capacidades, na eficiência das nossas estruturas e dos nossos projetos, não iremos longe. Só se acolhermos o amor de Deus é que poderemos dar algo de novo ao mundo.

Devemos nos tornar misericordiosos

Assim que receberam a misericórdia do Senhor os discípulos se tornaram misericordiosos segundo o Papa. Assim que tocaram suas chagas seus medos desapareceram e viram que o outro merecia a mesma misericórdia que eles mesmos obtiveram de Jesus, dessa forma seus atos de caridade se tornaram naturais:

“Viram no outro a mesma misericórdia que transformou a sua vida. Descobriram que tinham em comum a missão, o perdão e o Corpo de Jesus: a partilha dos bens terrenos aparecia-lhes como uma consequência natural. Os seus medos dissolveram-se ao tocar as chagas do Senhor, agora não têm medo de curar as chagas dos necessitados, porque ali veem Jesus, porque ali está Jesus”. Não vivamos uma fé pela metade, que recebe mas não doa, que acolhe o dom mas não se faz dom. Obtivemos misericórdia, tornemo-nos misericordiosos. Com efeito, se o amor acaba em nós mesmos, a fé evapora-se num intimismo estéril. Sem os outros, torna-se desencarnada. Sem as obras de misericórdia, morre. Deixemo-nos ressuscitar pela paz, o perdão e as chagas de Jesus misericordioso. E peçamos a graça de nos tornar testemunhas de misericórdia. Só assim será viva a fé; e a vida unificada. Só assim anunciaremos o Evangelho de Deus, que é Evangelho de misericórdia.

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