Papa no Angelus: Deixar o Senhor entrar em nosso barco vazio


Papa Francisco no Angelus de 06/02/2022 (Imagem: Facebook Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 06/02/2022 (Imagem: Vatican Media)

afastemos o pessimismo e a desconfiança e partamos com Jesus! Até o nosso pequeno barco vazio testemunhará uma pesca milagrosa

[Eduardo Honorato Paulo, 06/02/2022 – Redação CatolicaWeb] Neste 5º Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco reunido com os fiéis na Praça de São Pedro, conduziu a tradicional oração do Angelus junto com os fiéis reunidos da Praça de São Pedro no Vaticano. Antes de rezar, o Santo Padre proferiu algumas palavras sobre o texto do Evangelho do dia de hoje (Lc 5, 1 – 11).

O texto narra a pesca milagrosa realizada por Simão Pedro e seus companheiros. Depois de uma noite inteira de tentativas infrutíferas, os pescadores já estavam cansados e desiludidos até que Jesus entra no barco de Simão, pede para que vão para águas mais profundas e que tentem novamente. O Santo Padre ressalta estas duas atitudes de Jesus, entrar no barco e avançar.

A multidão se aglomerou ao redor de Jesus enquanto alguns pescadores desiludidos, incluindo Simão Pedro, lavam suas redes depois de uma noite ruim de pesca. Eis que Jesus entra no barco de Simão; depois, o convida a ir e a lançar de novo as redes”. Jesus entra no barco de Simão. Para fazer o que?. Para ensinar”. Ele pede aquele barco, que não está cheio de peixe e voltou à margem vazio, depois de uma noite de trabalho e desilusão. É uma bela imagem para nós também”. Todos os dias o barco de nossa vida deixa as margens de casa para navegar no mar das atividades cotidianas; todos os dias tentamos “pescar distante”, cultivar sonhos, levar adiante os projetos, viver o amor em nossas relações. Mas, muitas vezes, como Pedro, vivemos a “noite de redes vazias”, a desilusão de trabalhar tanto e não ver os resultados desejados: “Tentamos a noite inteira, e não pescamos nada”. Quantas vezes nós também ficamos com uma sensação de derrota, enquanto desilusão e amargura nascem no coração. Dois carunchos perigosos.

Francisco continua ensinando, que assim como o barco de Pedro, nossa vida pode se encontrar muitas vezes vazia, sem nada a oferecer para Jesus. Mas é justamente estas condições que o Senhor escolhe para entrar, e realizar sinais em nossas vidas.

“O que o Senhor faz então? Escolhe entrar no nosso barco”, pois “de lá ele quer anunciar o Evangelho”. Aquele barco vazio, símbolo de nossa incapacidade, torna-se a “cátedra” de Jesus, o púlpito de onde proclama a Palavra. O Senhor ama fazer isso: o Senhor é o Senhor das surpresas, dos milagres nas surpresas; entrar no barco de nossa vida quando não temos nada para oferecer-lhe; entrar em nossos vazios e enchê-los com sua presença; usar a nossa pobreza para anunciar sua riqueza, nossas misérias para proclamar sua misericórdia. Lembremo-nos disso: Deus não quer um navio de cruzeiro, basta-lhe um pobre barco “em ruínas”, desde que o acolhamos, sim acolhê-lo. Não importa qual barco, mas acolhê-lo.

O Pontífice nos orienta que não devemos nos afastar de Jesus por sermos pecadores, assim como pretendia Pedro. Somos pecadores e isso é um fato, mas, mesmo assim, não deixemos de dar abertura para Jesus em nosso barco.

“Mas nós o deixamos entrar no barco de nossa vida? Colocamos à sua disposição o pouco que temos? Às vezes nos sentimos indignos dele porque somos pecadores. Mas esta é uma desculpa que o Senhor não gosta, porque o afasta de nós! Ele é o Deus da proximidade, da compaixão, da ternura e não busca o perfeccionismo, busca o acolhimento. “Deixe-me entrar no barco da sua vida”. “Mas, Senhor, olha… “. Deixe-me entrar assim como ela é”. Pensemos!”

O Papa Francisco encerrou dizendo que mesmo em nossa condição de pecadores, podemos fazer muito se Jesus estiver no barco conosco. Ressalta, que Jesus restaurou a confiança de Pedro porque ele O acolheu em sua embarcação e de lá viu um milagre acontecer, e pediu a Maria que nos ensine a acolher o Senhor no barco de nossa vida:

Assim, o Senhor reconstrói a confiança de Pedro. Entrando no barco, depois de ter pregado, lhe disse: “Avance para águas mais profundas”. “Não era um momento propício para pescar, mas Pedro confia em Jesus. Não se baseia nas estratégias dos pescadores, que ele conhecia bem, mas se baseia na novidade de Jesus. Aquele encanto que o movia a fazer o que Jesus lhe dizia. Para nós também é assim: se acolhermos o Senhor em nosso barco, poderemos avançar”, com Jesus se navega no mar da vida sem medo, sem ceder à desilusão quando nada se pesca e sem se render ao ‘não há mais nada que possa ser feito'”. Sempre, tanto na vida pessoal quanto na da Igreja e da sociedade, há algo bonito e corajoso que pode ser feito, sempre. Sempre podemos recomeçar, o Senhor sempre nos convida a voltar ao jogo porque Ele abre novas possibilidades. Portanto, aceitemos o convite: afastemos o pessimismo e a desconfiança e partamos com Jesus! Até o nosso pequeno barco vazio testemunhará uma pesca milagrosa.

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