Papa no Angelus: O bem é a verdadeira resposta ao mal


Papa Francisco no Angelus de 20/02/2022 (Imagem: Vatican Media)
Papa Francisco no Angelus de 20/02/2022 (Imagem: Vatican Media)

Rezar por aqueles que nos trataram mal é o primeiro passo para transformar o mal em bem

[Eduardo Honorato Paulo, 20/02/2022 – Redação CatolicaWeb] Neste 7º Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco se reuniu mais uma vez com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro para a recitação da tradicional oração do Angelus, precedido sempre de seus pensamentos sobre o Evangelho do dia (Lc, 6, 27 – 38).

No texto bíblico o Senhor nos ensina coisas aparentemente difíceis como “amar os nossos inimigos” e “fazer o bem a quem nos odeia”. Francisco questiona se o que Jesus nos pede é ficarmos passivos diante do mal ou da injustiça?

Como agir? O exemplo vem diretamente de Jesus, quando diz “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam”. E ainda mais concretamente: “A quem te ferir numa face, oferece a outra”. Para nós parece que o Senhor pede o impossível. “Mas será isso mesmo? Será que o Senhor realmente nos pede coisas impossíveis e injustas?”

O Santo Padre, porém, explica citando o evento da condenação de Jesus quando Ele recebe uma tapa de um dos guardas e se mantém sereno.

“‘Se falei mal, testemunha sobre o mal. Mas, se falei bem, por que me bates?’ Pede explicação pelo mal recebido”

Para Francisco dar a outra face, não é um ato de covardia, mas sim de coragem, de mostrar mansidão ao agressor e assim vaze-lo perceber o absurdo de seu ato injusto:

“Dar a outra face não significa sofrer em silêncio, ceder à injustiça. Jesus com sua pergunta denuncia o que é injusto, a mansidão de Jesus é uma resposta mais forte do que a bofetada que recebeu”. Isso é dar a outra face

Dar a outra face não é o recuo do perdedor, mas a ação de quem tem maior força interior, que vence o mal com o bem, que abre uma brecha no coração do inimigo, desmascarando o absurdo de seu ódio”

O Papa questiona ainda, se é possível que uma pessoa possa amar o seu inimigo? Ele mesmo responde nos dando um precioso ensinamento: se o Senhor nos pede, Ele mesmo deseja nos dar:

“É possível que uma pessoa venha a amar seus inimigos? Se dependesse apenas de nós, seria impossível. Mas lembremos que quando o Senhor pede alguma coisa, Ele quer dá-la. O que devemos pedir-Lhe? O que Deus tem o prazer de nos dar? A força de amar, que não é uma coisa, mas é o Espírito Santo. Com o Espírito de Jesus, podemos responder ao mal com o bem, podemos amar aqueles que nos ferem. Isso é o que fazem os cristãos”.

“Como é triste quando pessoas e povos orgulhosos de serem cristãos veem os outros como inimigos e pensam em fazer guerra entre eles!”

O Pontífice encerra nos convidando a exercitar as propostas de Jesus, que podem parecer difíceis, porém, não impossíveis. Sugere darmos o primeiro passo, pensar em alguém que nos causou ressentimentos e orar por ela:

“Na nossa vida, aplicamos os convites de Jesus? Pensemos em uma pessoa que nos fez mal. Talvez haja um ressentimento dentro de nós. Então, coloquemos este ressentimento ao lado da imagem de Jesus, manso, durante o seu julgamento. E depois peçamos ao Espírito Santo que aja em nossos corações, oremos pelos nossos inimigos. Rezar por aqueles que nos trataram mal é o primeiro passo para transformar o mal em bem. Que a Virgem Maria nos ajude a sermos pacificadores para todos, especialmente para com aqueles que nos são hostis e não gostam de nós”.

Anterior Domingo, 20/02/2022
Próximo 22/02 - Santa Margarida de Cortona