Papa no Angelus: O olhar e o falar, sentidos de amor


Papa Francisco no Angelus de 27/02/2022 (Imagem: Facebook Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 27/02/2022 (Imagem: Facebook Vatican News)

Um risco que está aumentando especialmente hoje em dia no mundo digital: demasiadas palavras, que “correm velozes” e “transmitem raiva

[Eduardo Honorato Paulo, 27/02/2022 – Redação CatolicaWeb]Neste oitavo domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco reunido com os fiéis, na Praça de São Pedro, para a oração do Angelus, expressou a sua reflexão sobre o Evangelho do dia (Lc 6, 39 – 45).

O texto de hoje nos mostra, segundo Francisco, a preocupação de Jesus com o nosso falar e o nosso olhar. Destacando que esses dois sentidos podem trazer bençãos ou maldições, bem-estar ou perigo. Tudo depende da forma como usamos.

O Papa nos alerta que nossas palavras podem construir e trazer benção nas vidas das pessoas, quando as utilizamos de maneira a espalhar amor e esperança, mas, da mesma forma pode destruir, quando as usamos sem responsabilidades espalhando e sustentando preconceitos.

“Falamos com mansidão ou poluímos o mundo espalhando venenos: criticando, lamentando-se, alimentando a agressão generalizada”? Com a língua também podemos alimentar preconceitos, levantar barreiras, atacar e até destruir nossos irmãos: as fofocas machucam e as calúnias podem ser mais afiadas que uma faca!

O Santo Padre nos alerta, que devemos prestar atenção na forma como falamos, pois, nossas palavras têm muito peso e o modo como falamos revela nosso interior. Francisco também se preocupa, com o uso irresponsável das palavras nas redes sociais, o que pode ser um gigantesco propagador de ódio.

Um risco que está aumentando especialmente hoje em dia no mundo digital: demasiadas palavras, que “correm velozes” e “transmitem raiva e agressão, alimentam notícias falsas e se aproveitam dos medos coletivos para propagar ideias distorcidas”. É verdade, assim como é verdade que “como alguém fala, pode-se dizer o que tem no coração”.

As palavras que usamos dizem quem somos. Às vezes, porém, prestamos pouca atenção às nossas palavras e as usamos superficialmente. Mas as palavras têm peso: elas nos permitem expressar pensamentos e sentimentos, dar voz aos medos que temos e aos projetos que queremos fazer, de abençoar a Deus e aos outros. Vamos nos perguntar que tipo de palavras usamos. Palavras que expressam atenção, respeito, compreensão, proximidade, compaixão, ou palavras que visam principalmente nos fazer parecer bem diante dos outros”?

Ainda no mesmo sentido Francisco cita o prêmio Nobel da paz e ex-Secretário Geral da ONU, Dag Hammarskjöld: “Abusar das palavras equivale a desprezar o ser humano”.

Sobre o olhar, o Pontífice nos convida a prestar a atenção, e olhar para dentro de nós mesmos. É a partir deste olhar, que podemos realizar realmente grandes mudanças, em nós mesmos e ao nosso redor. Muitas vezes pode parecer mais fácil apontar os erros dos outros e transferir a responsabilidade, mas isso não gera nenhuma transformação a não ser a geração de rancor.

Da mesma forma, devemos também refletir sobre o nosso “olhar”. Isto é, se estivermos concentrados em “olhar o cisco no olho de nosso irmão sem perceber a trave em nosso próprio olho”. Significa “estar muito atento aos defeitos dos outros, mesmo aqueles pequenos como um cisco, negligenciando serenamente os nossos, dando-lhes pouco peso”. Sempre encontramos razões para culpar os outros e nos justificarmos. E tantas vezes reclamamos de coisas que estão erradas na sociedade, na Igreja, no mundo, sem primeiro nos questionarmos e sem nos comprometermos a mudar, antes de tudo, nós mesmos. “Toda mudança fecunda, positiva, deve começar por nós mesmos, caso contrário, não haverá mudança”.

Fazendo assim, “nosso olhar é cego”. E se somos cegos “não podemos pretender ser guias e mestres para os outros: um cego, de fato, não pode guiar outro cego”. A primeira coisa é, portanto, “olhar para dentro de nós mesmos para reconhecer nossas misérias”, porque “se não conseguirmos ver nossos próprios defeitos, estaremos sempre inclinados a ampliar os defeitos dos outros”. Se, por outro lado, reconhecemos nossos erros e nossas misérias, a porta da misericórdia se abre para nós”.

Concluindo, o Papa Francisco nos convida, à aprendermos a olhar o próximo, com os olhos de misericórdia, da mesma forma que Deus nos olha. Não como erros, mas como pessoas que comentem erros e merecem compaixão:

Trata-se, em síntese de olhar para os outros como o Senhor nos olha, “que não vê antes de tudo o mal, mas o bem”. É assim que Deus olha para nós: Ele não vê em nós erros irredimíveis, mas filhos que cometem erros. Muda-se a ótica. Ele não se concentra nos erros, mas nos filhos que cometem erros… Deus sempre distingue a pessoa de seus erros. Ele sempre acredita na pessoa e está sempre pronto para perdoar os erros. E nós sabemos que Deus sempre perdoa. Todos nós somos chamados a fazer o mesmo: “Não buscar nos outros o mal, mas o bem”.

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