Papa no Angelus: Ser o último e servir a todos


Papa Francisco no Angelus de 19/09/2021 (Imagem: Vatican News)
Papa Francisco no Angelus de 19/09/2021 (Imagem: Vatican News)

Se quisermos seguir Jesus, devemos percorrer o caminho que ele mesmo traçou, o caminho do serviço

[Eduardo Honorato Paulo, 19/09/2021 – Redação CatolicaWeb] Neste 25º Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco se dirigiu aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro para a tradicional recitação do Angelus. Em seu discurso antes da oração, o Santo Padre comentou o Evangelho do dia (Mc 9, 30-37), onde Jesus nos mostra o caminho do serviço para encontrarmos a verdadeira felicidade.

Francisco nos ensina que Jesus mostra o que é um verdadeiro valor para o ser humano, que segue um caminho contrário do que o mundo valoriza:

O valor de uma pessoa não depende mais do papel que ela desempenha, do sucesso que tem, do trabalho que faz, do dinheiro no banco; não, não, não, não depende disso; a grandeza e o sucesso, aos olhos de Deus, têm um padrão, uma medida diferente: são medidos no serviço. Não no que se tem, mas no que se dá. Quer se sobressair? Sirva. Este é o caminho.

O Papa lembra sabiamente que Jesus mesmo disse que veio ao mundo para servir e não ser servido. Desta forma deixa claro qual deve ser o posicionamento daquele que diz querer seguir a Cristo de verdade:

Hoje em dia a palavra “serviço”. “Parece um pouco desbotada, desgastada pelo uso. Mas no Evangelho tem um significado preciso e concreto. Servir não é uma expressão de cortesia: é fazer como Jesus que, resumindo em poucas palavras a sua vida, disse que veio «não para ser servido, mas para servir». Portanto, se quisermos seguir Jesus, devemos percorrer o caminho que ele mesmo traçou, o caminho do serviço.

Ainda segundo o pontífice, o serviço geralmente nos pede algum sacrifício, uma força que devemos fazer. Mas justamente este sacrifício nos leva ao amadurecimento no cuidado com Aquele a quem servimos:

Nossa fidelidade ao Senhor depende de nossa disponibilidade em servir. E isso, bem o sabemos, custa, geralmente isso custa, “tem gosto de cruz”. Mas, à medida que aumenta o cuidado e a disponibilidade para com os outros, tornamo-nos mais livres interiormente, mais semelhantes a Jesus. Quanto mais servimos, mais sentimos a presença de Deus, sobretudo quando servimos aqueles que não têm nada para nos restituir, os pobres, abraçando suas dificuldades e necessidades, com a terna compaixão: e ali descobrimos ser, por sua vez, amados e abraçados por Deus.

O Papa interpreta a criança presente no meio dos discípulos como a pequenez, aqueles que precisam ser servidos por alguém. Desta forma reforça a ideia que devemos servir aos pequenos, aos mais humildes, a quem não conseguirá retribuir o nosso serviço:

Para ilustrar a importância da doação gratuita, Jesus coloca uma criança entre os discípulos, pois “os gestos de Jesus são mais fortes que as palavras que usa”, observou o Papa. “A criança, no Evangelho não simboliza tanto a inocência mas a pequenez. Porque os pequenos, como as crianças, dependem dos outros, dos grandes, têm necessidade de receber. Jesus abraça aquela criança e diz que quem acolhe um pequenino, uma criança, o acolhe”:

Eis antes de tudo a quem servir: aqueles que têm necessidade de receber e não tem como retribuir. Acolhendo quem está à margem, abandonado, acolhemos Jesus, porque Ele está ali. E em um pequeno, em um pobre a quem servimos, também nós recebemos o terno abraço de Deus.

Concluindo,  Francisco convida a questionarmos como anda o serviço que prestamos a Deus, e pede a Nossa Senhora, a humilde serva de Deus, que nos ajuda a entender a grandiosidade do servir:

Eu, que sigo Jesus, me interesso por quem é mais abandonado? Ou, como os discípulos naquele dia, estou em busca de gratificações pessoais? Eu entendo a vida como uma competição para abrir espaço para mim mesmo às custas dos outros ou acho que se sobressair significa servir? E, concretamente: dedico tempo a algum “pequeno”, a uma pessoa que não tem meios para retribuir? Eu cuido de alguém que não pode me retribuir ou apenas de meus parentes e amigos? São perguntas que podemos nos fazer.

Que a Virgem Maria, humilde serva do Senhor, nos ajude a compreender que o serviço não nos diminui, mas nos faz crescer. E que há mais alegria em dar do que em receber.

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