Papa Francisco no Regina Coeli: “Você não pode dar paz se não estiver em paz!”


Ângelus com Papa Francisco, 22/05/2022

É com Ele, com o Espírito Santo, que nos tornamos homens e mulheres de paz.

[Renata Neli, 22/05/2022 – Redação CatolicaWeb] Neste sexto domingo da Páscoa na Praça São Pedro, o Papa Francisco, diante dos presentes, refletiu sobre o evangelho de João (14,23-29), e nos levou a refletir em duas frases: “Deixo-lhe a paz” e “Eu lhe dou a minha paz”. E, após no Regina Coeli, fez um pedido de oração especial à Igreja na China, para que ela possa viver sua missão.

Deixo-lhe a paz

Jesus está se despedindo de seus apóstolos, e apesar do momento não ser de serenidade, pois Judas irá traí-lo, Pedro o negara, e muitos vão abandoná-lo, Ele expressa afeto e serenidade em suas palavras. E, mesmo sabendo de tudo que acontecerá, ele continua a falar de forma serena e afável, conforme nosso pontífice explica:

Em vez de mostrar agitação, ele permanece afável até o fim. Um provérbio diz que você morre como viveu.  As últimas horas de Jesus são, de fato, como a essência de toda a sua vida. Ele experimenta medo e dor, mas não deixa espaço para ressentimento e protesto. Ele não se deixa levar pela amargura, ele não desabafa, ele não se mostra incapaz de suportar. Ele está em paz, uma paz que vem de seu coração manso, habitada pela confiança. E daí vem a paz que Jesus nos deixa. Porque   você não pode deixar paz para os outros se você não tem isso em si mesmo. Você não pode dar paz se não estiver em paz.”

Em seguida, o papa nos questiona se estamos nos comportando como herdeiros desta paz, pois é o que o Senhor nos pede. Ele nos mostrou que é possível ser manso em meio a momentos difíceis:

Deixo-lhe a paz: Jesus demonstra que a mansidão é possível. Ele a incorporou no momento mais difícil; e ele quer que façamos isso também, que somos herdeiros de sua paz. É preciso ser manso, aberto, disponível para ouvir, capaz de desarmar disputas e tecer harmonia. Isso é testemunho de Jesus e vale mais que mil palavras e muitos sermões. O testemunho da paz. Perguntemo-nos se, nos lugares onde vivemos, nós, discípulos de Jesus, nos comportamos assim: aliviamos as tensões, acabamos com os conflitos? Estamos também em atrito com alguém, sempre prontos a reagir, a explodir, ou sabemos responder com a não violência, sabemos responder com gestos e palavras de paz? Como eu reajo? Que cada um se pergunte.

Eu te dou a minha Paz

Segundo o Pontífice, Jesus sabe que, para nós, não é fácil ser manso, resolver conflitos, e que sozinhos somos incapazes de defender a paz. É necessário um dom: um dom de Deus.

Na verdade, Jesus diz: ‘Eu lhes dou a minha paz, mas não como o mundo lhe   dá’ (v. 27). O que é essa paz que o mundo não conhece e que o Senhor nos dá? Esta paz é o Espírito Santo, o mesmo Espírito de Jesus. É a presença de Deus em nós, é a ‘força da paz’ de Deus. É Ele, o Espírito Santo, que desarma o coração e o enche de serenidade. É Ele, o Espírito Santo, que desfaz rigidez e extingue a tentação de atacar os outros. É Ele, o Espírito Santo, que nos lembra que ao nosso lado estão irmãos e irmãs, não obstáculos e adversários. É Ele, o Espírito Santo, que nos dá força para perdoar, para começar de novo, para partir novamente, porque com nossa própria força não podemos. E com Ele, com o Espírito Santo, que nos tornamos homens e mulheres de paz.

O Papa nos motiva a aprender a pedir diariamente o dom do Espirito Santo, para que possamos acalmar nossa agitação, o nervosismo e nossos corações. E, com as seguintes palavras, conclui a reflexão do evangelho:

Queridos irmãos e irmãs, nenhum pecado, nenhum fracasso, nenhum rancor deve nos desencorajar de pedir persistentemente o dom do Espírito Santo que nos dá a paz. Quanto mais sentimos que o coração está agitado, quanto mais sentimos nervosismo, intolerância, raiva dentro de nós, mais devemos pedir ao Senhor o Espírito de paz. Aprendemos a dizer todos os dias: ‘Senhor, dá-me a tua paz, dá-me o Espírito Santo’. É uma bela oração. Vamos dizer isso juntos? ‘Senhor, dá-me a tua paz, dá-me o Espírito Santo’. E peçamos também para aqueles que vivem ao nosso lado, para aqueles que encontramos todos os dias e para os líderes das nações. Que Nossa Senhora nos ajude a acolher o Espírito Santo para sermos pacificadores.

Após a oração do Regina Coeli

O Pontífice cita o exemplo de Pauline Maria Jaricot, a ser beatificada hoje em Lyon, na França. Que nos desperte o desejo de participar na propagação do evangelho, através de oração e caridade.

Ele também nos pede que estejamos unidos em oração com os católicos da China, nesta terça-feira, quando celebramos a Bem-Aventurada Maria Auxiliadora dos Cristãos, para que eles possam viver sua missão de anunciar o evangelho a todos.

Na próxima terça-feira é a memória da Bem-Aventurada Virgem Maria Auxiliadora, particularmente sentida pelos católicos da China, que veneram a Auxiliadora como sua padroeira, no Santuário de Sheshan, em Xangai, em numerosas igrejas do país e em suas casas. A feliz ocasião oferece-me a oportunidade de renovar a certeza da minha proximidade espiritual com eles; acompanho com atenção e participação a vida e os eventos muitas vezes complexos dos fiéis e pastores, e rezo por eles todos os dias. Convido-vos a unir-vos a esta oração, para que a Igreja na China, em liberdade e tranquilidade, viva em comunhão eficaz com a Igreja universal e exerça a sua missão de anunciar o Evangelho a todos, oferecendo assim também uma contribuição positiva para o progresso espiritual e material da sociedade.

E, para concluir, ele faz uma saudação a todos os peregrinos, fieis, sacerdotes, voluntários, estudantes, jovens e, por fim, aos participantes do evento “Nós escolhemos a Vida”:

“Saúdo todos os que participaram na manifestação nacional ‘Nós escolhemos a vida’, em Roma. Agradeço-vos o vosso empenho a favor da vida e em defesa da objecção de consciência, cujo exercício muitas vezes tentais limitar. Infelizmente, nos últimos anos houve uma mudança na mentalidade comum e hoje estamos cada vez mais inclinados a pensar que a vida é um bem à nossa total disposição, que podemos escolher manipular, parir ou morrer como quisermos, como exclusividade resultado de uma escolha individual. Lembremos que a vida é um dom de Deus! É sempre sagrado e inviolável, e não podemos silenciar a voz da consciência.”

Anterior Sábado, 21/05/2022
Próximo 23/05 - São Juliano