Papa No Regina Coeli: O Cristianismo é uma relação com o Ressuscitado


Papa Francisco no Regina Coeli 18/04/2021 (imagem: Vatican Media)

“Ser cristão não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é uma relação viva com Ele, com o Senhor Ressuscitado

Confira a mensagem do Papa Francisco na recitação do Regina Coeli de 18/04

[Eduardo Honorato Paulo, 19/04/2021 – Redação CatolicaWeb] No terceiro domingo da Páscoa, o Papa Francisco rezou da janela do Palácio Apostólico a oração do Regina Coeli, que é recitada no lugar da oração do Angelus durante o tempo pascal. A recitação contou também com a presença dos fiéis reunidos na Praça São Pedro.
(Saiba mais sobre o que é o Regina Coeli no artigo https://catolicaweb.com.br/curiosidades/regina-coeli/ )

O Papa Francisco nos recordou que a ressurreição para os discípulos foi algo extraordinário, por mais que eles tivessem visto Jesus realizar muitos milagres e sinais durante o tempo em que viveram juntos, vê-lo vivo novamente era algo tão bom, que trazia tanta alegria que não podiam acreditar:

“Tal era a alegria que eles tinham que não podiam acreditar que era verdade. E um segundo detalhe: eles ficaram atônitos, espantados, espantados porque o encontro com Deus sempre os leva ao estupor. Vai além do entusiasmo, além da alegria, é outra experiência. E eles estavam alegres, mas uma alegria que os fazia pensar: mas não, isto não pode ser verdade, não, não pode…(?) assim… É o estupor da presença de Deus. Não se esqueça deste estado de espírito, que é tão bonito”.

O Santo Padre lembrou que nesta passagem do Evangelho Jesus usa três verbos muito importantes para definir a nossa vocação cristã: Olhar, tocar e comer.

O olhar, segundo Papa, vai além de apenas ver, mas consiste em enxergar o outro, reconhecer o irmão:

“Olhem para minhas mãos e meus pés” – diz Jesus. Olhar não é apenas ver, é mais, envolve também intenção, vontade. É por isso que é um dos verbos do amor. Mães e pais olham para seus filhos; os apaixonados se olham um para o outro; um bom médico olha atentamente para seu paciente… Olhar é um primeiro passo contra a indiferença, contra a tentação de virar nosso rosto diante das dificuldades e sofrimentos dos outros. Olhar. Eu vejo ou olho Jesus?”.

O segundo verbo é o tocar, nos exortando que não existe um cristianismo a distância, o toque se relaciona ao cuidado, à uma manifestação prática do amor:

“Ao convidar os discípulos a tocá-lo, para constatar que ele não é um fantasma, toque-me, Jesus indica a eles e a nós que a relação com Ele e com os nossos irmãos não pode permanecer “à distância”, não existe um cristianismo à distância, não existe somente um cristianismo no nível do olhar. O amor pede para olhar e também a proximidade, pede contato, a partilha da vida. O bom samaritano não se limitou a olhar para o homem que encontrou meio morto ao longo da estrada: inclinou-se, curou suas feridas, e o carregou em seu cavalo e o levou para a pousada. E assim com o próprio Jesus: amá-lo significa entrar numa comunhão de vida, uma comunhão com Ele”.

Depois é o verbo “comer”, que aproxima Jesus de nossa humanidade da nossa necessidade mais urgente que nos mantém vivos e que além disso quando é feito em comunhão com que nos é caro reforça os laços de amor e fraternidade:

“Mas comer, quando o fazemos juntos, em família ou entre amigos, torna-se também uma expressão de amor, de comunhão, de festa… Quantas vezes os Evangelhos nos mostram Jesus que vive esta dimensão de convivência! Também ressuscitado, com seus discípulos. Ao ponto de o Banquete eucarístico se tornar o sinal emblemático da comunidade cristã. Alimentar-se juntos com o corpo de Cristo. Este é o centro da vida cristã”.

Concluindo o Santo Padre recordou o Evangelho de hoje e a aparição de Jesus aos discípulos, se mostrando de fato como uma pessoa viva e não como um fantasma, nos lembrando que o cristianismo consiste em uma relação pessoal de cada fiel com o Senhor, de cada fiel com o Senhor vivo e ressuscitado que podemos ver e tocar e não apenas em uma filosofia ou ideologia.

Ser cristãos não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é uma relação viva com Ele, com o Senhor Ressuscitado: “olhamos para Ele, tocamos n’Ele, nos alimentamos d’Ele e, transformados por Seu Amor, olhamos, tocamos e alimentamos os outros como irmãos e irmãs. Que a Virgem Maria – concluiu – nos ajude a viver esta experiência de graça”. […]Mas eles estão assustados e acreditam “que veem um fantasma”. Então Jesus lhes mostra as feridas em seu corpo e diz: “Olhem para minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Toquem em mim! E para convencê-los, ele pede comida e a come sob o olhar atônito deles.

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