Semana Santa: A via-sacra


Semana Santa: A via-sacra

“Todavia, eram as nossas doenças que Ele carregava”

“Ele não tinha aparência nem beleza para atrair o nosso olhar, nem simpatia para que pudéssemos aprecia-lo. Desprezado e rejeitado pelos homens, homem do sofrimento e experimentado na dor; como indivíduo de quem a gente esconde o rosto, Ele era desprezado e nem tomamos conhecimento d’Ele. Todavia, eram as nossas doenças que Ele carregava, eram as nossas dores que Ele carregava em suas costas.” Is. 53, 2–4.

A Via-Sacra ou a Via dolorosa, as duas formas tem o seu sentido, Sacra por ser uma vida sagrada longe do profano, sendo sacralizada ao longo do caminho pelo sangue do próprio Cristo o Cordeiro Imolado e dolorosa por estar cheia da maior dor que alguém já pode sentir, uma dor que não era a d’Ele, mas de toda a humanidade que livremente carregava em suas costas.

Desde a palácio de Herodes até o lugar do Calvário a profecia de Isaias se cumpria em Jesus, carregando o patíbulo (parte horizontal da cruz), deixando que seu ombro e suas costas já castigados pelo flagelo fossem ainda mais massacrados, acompanhado de dois malfeitores, sofrendo a humilhação popular, o peso da cruz que por vezes O levava ao chão e cada queda mais ferimentos, mais dor.

O Servo, sofredor embora fisicamente acabrunhado, seguia firme em Seu Espírito. Aquelas poucas pessoas que choravam por Ele e tentavam consola-lo eram, na verdade consoladas. Quantas curas aconteciam em seus corações quando recebiam o olhar de Jesus naquelas horas de tanto sofrimento, onde, no ápice da sua dor, ainda conseguiu transparecer a sua verdadeira essência: o amor.

No encontro com Sua, e nossa, mãe Maria, não consigo imaginar a profundidade daquela troca de olhares, o coração d’Ela tão ferido e massacrado quanto o corpo de seu Filho, mas ambos acreditando no plano da Salvação do Pai. Ela, que tudo guardava em seu coração, naquele silêncio manifestava a sua Fé em seu Filho prestes a remir toda a humanidade.

Podemos perguntar neste momento: para que tanta dor? Como um homem já tão ferido conseguia aguentar tantas dores e continuar caminhando passo a passo aguentando toda a humilhação?

Já havia sido desprezado e humilhado, mas ainda precisava reunir as dores de toda a humanidade, a profecia precisava se cumprir por completo. O amor que Lhe movia era muito maior do que a dor que insistia em derruba-lo, por isso levantava a cada queda, por isso continuava.

Antes de chegar o momento final, uma ajuda foi permitida. Sim, o Senhor permitiu que um certo Simão de Cirene O ajudasse carregando a cruz junto com Jesus e tocando o seu sangue que escorria por todo o seu corpo. Posso imaginar de quantas feridas quis o Senhor curar aquele homem naquele momento, antes da crucificação, Simão precisava ser curado e o Senhor em sua misericórdia providenciou este momento.

Na cruz, ao ser elevado do chão, ainda encontra forças para falar, e quanta força seria necessário para isso. Poderia apenas deixar a morte acontecer, mas a profecia ainda não seria completa. Ainda precisava perdoar a humanidade por aquilo que não sabiam que faziam, precisava ainda dar uma mãe aos homens, para que não ficassem desamparados.

Enfim, tudo estava consumado, a terra estremeceu diante da morte do Filho de Deus, o sangue jorrou de seu peito junto com a água, imagino que devem ter atingido o soldado que furou seu peito e, nessa hora, quantas curas não aconteceram também a este homem.

Nossa Mãe O recebe em seus braços, antes a sua criança que ela embalava no presépio, agora, a consumação do plano da Salvação de Deus. Uma sepultura rápida, um enterro improvisado, mas digno e por ali Ele não ficaria por muito tempo.

Em toda essa via Sagrada e Dolorosa, o Senhor passou em meio a multidão, tomando cada dor, cada pecado. Aquela multidão que o cercava, representando a multidão dos filhos de Deus espalhados pelo mundo todo, também nós estávamos ali representados, também nossas dores ali pesavam nas costas do Senhor, também nós, naquele dia, recebemos a cura pelo Seu Sangue, também nos foi aberta a porta da Salvação.

“Nós Vos adoramos Senhor Jesus e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz Remistes o Mundo”

Eduardo Honorato Paulo
Redação CatolicaWeb

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