Semana Santa: O Lava-pés e a Instituição da Eucaristia


Semana Santa: Lava-pés e a Instituição da Eucaristia

Iniciamos hoje o Tríduo Pascal, a Quinta-feira Santa, que nos abraça com sua simbologia

Estamos vivendo um período de distância dos gestos e dos afetos que estamos acostumados. As celebrações e dias de festa da Igreja estão mais contidas e passando cada vez mais rápido por não estarmos vivenciando o contato os quais estes ritos nos proporcionam.

Iniciamos hoje o Tríduo Pascal, a Quinta-feira Santa, que nos abraça com sua simbologia, com os gestos concretos de Jesus, com um milagre que se pode tocar e cheio de amor. Ao ver que estamos recordando um momento de festa que antecede a prova direta do Amor que ama incondicionalmente, quero compartilhar a reflexão da saudade que o Amor não pôde superar.

Sim, Deus se nega a sentir saudade de nós.

E isso se torna plausível quando Ele nos diz “quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele”. Mesmo sabendo que iria se entregar à sua derradeira missão, o Senhor quis com todo seu Amor permanecer com seus amigos e deixando para eles o Memorial de Sua Paixão. Mesmo sabendo que ressurgiria em breve, o Senhor quis nos deixar algo enquanto estava com os seus.

O testamento do Senhor é a Eucaristia.

Nossa maior herança é ter a chance de todos os dias comungar o Corpo e o Sangue do Senhor. É poder se aproximar do altar e admirar um Infinito todo particular se fazendo presença dentro de mim junto com minha finita, embora grande miséria. É tomar em minhas mãos um Deus todo inteiro num frágil pedacinho de pão que logo se desfaz. É ter a chance de compartilhar o Divino mesmo que por alguns segundos.

A Eucaristia é a parte que o Senhor quer ter conosco.

Pedro não entendeu o que significava o gesto de lavar os pés, não percebeu que só pela humildade e estar a serviço do outro que é possível ter comunhão com Ele. A parte que o Senhor quis deixar para nós era de se colocar a disposição e, até hoje, assim O faz em toda Celebração Eucarística que ocorre no mundo.

Se eu não te lavar os pés, não terás parte comigo.

Se eu não permito Ele se aproximar de mim, não tenho parte com Ele. Se não deixo Ele tomar o jarro e a água e se inclinar até mim, não tenho parte com Ele. Se não permito que Ele se faça Pão da Vida para minha salvação, eu não tenho parte com Ele. Se eu não me colocar a serviço dos meus irmãos e ser humilde como Ele é humilde, eu não vou ter parte com Ele. Deste modo, se eu olhar o altar e não querer ser um com Ele, não vou ter parte com Ele.

A nossa parte com o Senhor é reconhecer o amor que Jesus tem por nós a ponto de não querer se ausentar. Ele está sempre no meio de nós e sempre estará de Corpo presente nos Sacrários das igrejas, mas isso para Jesus é pouco, Ele quer estar no sacrário do nosso coração.

O Senhor quer ser parte de nós.

Enquanto Ele não volta, nós vamos até Ele e vamos com a esperança de que em breve Ele irá voltar. A Quinta-feira Santa inicia para nós a chance de tocar o Amor no seu auge. Um Amor doado no pão e no vinho. Um Amor doado na Cruz que vem. Um Amor doado na Ressurreição que vem. O amor com que Deus nos ama é um Amor partilhado no pão e vinho.

A Eucaristia é a nossa herança, que é parte de mim e que é o Amor em mim.

Que neste dia, ao olhar o Altar, seja presencialmente ou pela internet, possamos dizer ao Senhor: Senhor, não sou digno. Eu não mereço. Mas eu quero ter parte com Você. Quero meu coração batendo junto com o Seu. Quero Te amar gratuitamente. Quero retribuir, mesmo que pouco, a este seu amor quase desesperado por mim. Quero ser um com você. Que Deus abençoe nossas vidas e nos dê a graça de celebrar com o coração livre o Memorial da Paixão do Senhor.

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