A vinda do Espírito Santo e o impulso ao ponto sem retorno.

[Gabriel Bondioli, 22/05/2021 – Redação CatolicaWeb] A subida do Senhor aos céus foi o último ato de Jesus aqui na terra e, numa breve despedida, Ele se elevou para junto do Pai e, à direita Dele, intercede por nós, mas ainda precisaria cumprir uma promessa que havia feito durante sua vida com os discípulos.

Mesmo após a ressurreição e tendo visto o Senhor verdadeiramente vivo entre eles, os discípulos ainda tinham muito medo, pois a morte violenta a qual Jesus foi submetido certamente era temida por cada um dos onze. É totalmente plausível sentir este pavor que eles sentiram, imagine estar sob constante ameaça de morte e, não sendo isto o bastante, uma morte certamente lenta e sádica por parte de seus executores.

O medo era o sentimento dominante no coração dos onze, mesmo tendo presenciado a vitória de Jesus sobre a morte, esse temor era maior que a alegria de ver o Mestre vivo.

Num breve exercício de imaginação, imagine a situação de ver uma pessoa muito querida, que havia sido morta cruelmente, viva diante de seus olhos. Conversando com você. Comendo uma refeição com você. Certamente a alegria de poder compartilhar estes momentos novamente deve ser inimaginável. Agora pense que o preço de viver estes momentos, de transmitir a alegria e dizer que esta pessoa está viva, está sobre a condição de ser morto de maneira igual ou pior. O que faríamos? Aceitaríamos ser mortos para dizer que esta pessoa amada está viva? Ou teríamos medo a ponto de calar esta alegria e guardar para que ninguém nos faça mal?

É imaginação, e sobre este livre pensamento e longe da situação real diríamos “sim, mas é claro que morreria!” como se tivéssemos certeza absoluta da nossa constância nesta decisão.

Cada um pensa e tem sua convicção sobre isto.

Pensando de maneira mais atual, qual é o medo que esta pandemia está nos impondo? Temos medo de ficar doentes ou de transmitir para outras pessoas? Temos muito medo de perder quem amamos e ficamos reféns dessa ameaça constante e invisível aos nossos olhos. De certa forma, podemos entender o que é estar sobre um risco eminente, uma vez que podemos nos contaminar indo pra escola, no trabalho, na igreja, numa irresponsabilidade de uma festa ou tantas outras situações que são manchetes nos jornais.

Com isto em mente, observemos a situação dos apóstolos e pensemos o seguinte: Eles viram o Senhor ressuscitado e sabem que, se permanecerem Nele, eles também ressuscitariam como Ele, ou seja, a morte já não era mais o fim. Então, a única arma que o maligno possui contra os apóstolos neste momento é esse medo provocado pela inconstância do coração humano.

O que paralisou os apóstolos foi exatamente o medo que eles tinham do sofrimento o qual estariam sujeitos se anunciassem a Ressureição do Senhor. O medo que esse vírus nos impõe nos impede de fazer o bem, de agir de modo a resgatar almas para o Senhor, por exemplo.

E não é só o vírus, temos medo se ser envergonhados por falar em nome do Senhor, do que os outros pensam, de escuro, de ser vítima da violência, de acidentes, de dificuldades financeiras, de não ter o que comer ou vestir.

Sempre temos muitos “medos” durante nossa vida e o Senhor, nos conhecendo mais do que nós mesmos, sabe disso.

E Ele mesmo sentiu medo. O pavor das horas antes de ser preso era tão grande, que chegou a suar sangue e pediu ao Pai que, se fosse possível, O livrasse do que viria.

Está tudo bem em sentir medo.

Entretanto, Jesus sabia que esse medo era provocado por sua parte humana e que se não rezasse, não pedisse ao Pai a Força, o Entendimento, a Sabedoria, a Ciência para cumprir sua missão Ele não poderia superar o obstáculo da cruz, ainda sabia que se não desse o Conselho aos seus apóstolos e os ensinasse a verdadeira Piedade, que os aproximam e coloca Deus Pai como centro de suas vidas, não seria possível a Boa Nova se expandir a toda terra.

E ainda restava uma última lição a ser ensinada por Jesus: o Temor a Deus. Jesus sentiu o terror da morte que vinha e pediu ao Pai que fosse poupado disto, mas foi obediente até o fim ao mando de Deus Pai.

Por Amor (, isto é, pelo Espírito Santo), o Amor (Jesus) amou o Amor (Deus Pai).

Jesus selecionou e mostrou como e quais dons eram necessários para vencer o medo! A morte não poderia ser vencida por nós humanos e por isso Deus Pai enviou Deus Filho para destituir a morte e proclamar que a Vida é a palavra final, mas Jesus, sendo verdadeiramente homem, percebeu que o maior desafio que os homens poderiam superar é o medo, mas era necessário Força, Entendimento, Sabedoria, Ciência, Conselho, Piedade e Temor a Deus.

O Senhor percebeu que sem isto nada o homem pode.

E, por isso, em vida prometeu Aquele que traria estes dons e muito mais do que isso. Ele prometeu o Espírito Santo, o Advogado, o Paráclito, o Consolador.

Prometeu a nós o Amor com o qual Ele nos ama e ama o Pai. Ele queria que os apóstolos superassem esta barreira do medo e para isto Ele soprou novamente o Sopro da Vida, pois o medo estava atraindo o frio da morte eterna, e, sob a forma de Línguas de Fogo, o Espírito Santo pousou sobre os onze apóstolos e sobre Matias, que havia sido eleito para o lugar deixado por Judas, e o medo não poderia mais conter aqueles homens.

O medo da morte não era mais obstáculo, a tristeza de terem abandonado o Senhor durante Sua Paixão não era mais sentida, a vergonha e os julgamentos dos que zombavam deles dizendo que estavam bêbados não era capaz de pará-los.

O Espírito Santo foi recebido sob a presença da Virgem Maria, sua Imaculada esposa e nossa Mãe. A presença de Maria é fundamental, pois Ela é a distribuidora destes dons, é por meio Dela que é possível receber este Amor, pois Ela soube no seu “Sim” receber o Amor, isto é, o Espírito Santo de Deus Pai para gerar o Seu Filho.

E assim nasceu nossa Igreja e, a partir deste acontecimento, Pedro tomou seu lugar como “pedra” para a construção que o Senhor havia dito, não era mais possível voltar e já não importava o que viria pela frente, pois com a morte vencida por Jesus e o medo sendo vencido diariamente pelo Espírito Santo, o Caminho para Deus Pai foi definitivamente concluído, a Verdade estava clara e manifesta a seus olhos e Vida a qual Ele nos chamou poderia ser alcançada.

Sobre os cuidados dessa “Luz que acode”, podemos tudo, desde que estas ações não coloquem nossa Salvação em risco. Podemos também dizer que Deus Pai falou aos profetas, Jesus aos doze e aos Judeus e, agora no neste tempo que vivemos, o Espírito Santo nos fala, encoraja e mantem o Corpo Místico da Igreja ligado a Deus Pai sobre a intercessão constante de Deus Filho.

Por isso, que neste dia possamos pedir o Espírito Santo mais uma vez e não somente no dia de hoje! Todo dia é dia de pedir o Espírito Santo! Que todas as nossas ações sejam pautadas pela ação da Luz Divina! Que em nossas orações sempre peçamos o derramamento dessa Água Viva que nos renova e nos enche de Vida! Que o Ardor em adorar o Senhor se inflame em nosso coração como Fogo que não se consome! Que o Vento Impetuoso nos impulsione a navegar nos mares que o Senhor nos designar e ali ser instrumento da ação poderosa de Deus! Que nossos “ossos secos” recebam novamente o Sopro da Vida e, assim, tomarmos o nosso lugar como membro da Comunhão dos Santos.

E, de maneira especial, que o Doce Alívio venha sobre todos nós, vítimas diretas e indiretas da pandemia, sobre os profissionais da saúde, sobre nossos governantes para que tenham inspiração e sensibilidade com o sofrimento do povo, sobre os doentes que necessitam da cura ou, se assim for para a Salvação destas almas que padecem nos leitos e de suas famílias, o descanso eterno diante de Deus.

Vinde Espírito Santo e dai-nos seus Dons, para que possamos produzir os Teus Frutos, pela poderosa interseção de Maria, sua Amadíssima Esposa!

Vinde Espírito Santo e enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o Fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.

Oremos, ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a Luz do Espírito Santo, fazei com que apreciemos todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos de suas Consolações, por Cristo nosso Senhor, amém.

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