Episódio 3: Uma barreira no caminho da santidade, o terrível dia comum!

O despertador mal tocou e a gente já está pensando nos cinco minutinhos a mais antes de levantar. O sol quase nascendo, passarinhos cantando a mesma música de sempre, a gente senta na cama e logo tomba para a outra ponta do colchão, mas, surpreendentemente, colocamos os pés no chão e levantamos. Bom dia!

Logo nos aprontamos e corremos para nos arrumar, pois os cinco minutinhos (ah aqueles minutinhos…) não foram cinco e sim quinze e já estamos atrasados para sair e enfrentar o caos organizado que chamamos de transporte. Seja público ou não, o tempo do transporte geralmente é aproveitado de alguma maneira e, talvez, você ouve música, lê um livro, fica nas redes, aprecia a paisagem quando possível, dorme ou simplesmente passa nervoso por algum infortúnio como um pisão no pé ou fechada no trânsito.

Fato é que chegando ao seu destino, no horário ou não, você está atrasado, porque o trabalho ou estudo não dorme ou tira folga e ali vai sua manhã e se tudo correr bem (o que nem sempre acontece…) você vai para seu almoço sozinho ou acompanhado. Agora é conversar com colegas ou não, comer em algum lugar fora ou no refeitório, distrair a cabeça jogando algum joguinho no celular e, quando estiver para passar da fase difícil, voltar ao serviço. Boa tarde!

Voltando ao trabalho ou estudo (mais atrasado que antes mesmo tendo feito muitas coisas…) mais serviço chega, o gerente quer relatórios, a dissertação está empacada, o café da máquina é horrível, mas pelo menos a tia do refeitório sempre faz café a mais pros funcionários (UFA!) e perto de sair do escritório seu chefe chama para uma reunião de última hora.

Que novidade!

Temos mais serviços e já estamos atrasados para estes também! Contudo, o time (nem) sempre joga junto e todos estão dispostos a ficar mais tempo no escritório para adiantar o recém (e já atrasado) serviço, menos seu gerente e seu chefe, pois eles são chefes, né? Boa noite!

Por fim, a volta pra casa é quase um recorte da manhã, com a diferença de estar um pouco (ou talvez muito mais) cansado e com aquela vontade de tomar banho que pode ser maior igual a vontade de dormir ou comer, mas uma escolha deve ser feita, pois comer enquanto toma banho ou dormir na mesa da cozinha não está entre as opções.

Entretanto, acabamos por tomar aquele banho, comemos e depois dormimos ou vemos mais alguma coisa no celular, para finalmente ligar o despertador e ver que temos apenas 3 horas e 52 minutos de sono, mas podemos colocar mais 5 minutos, logo, teremos 3 horas e 57 minutos e arredondando temos 4 horas, porém com o tempo que levamos para fazer essas contas temos apenas 3 horas e 45 minutos.

E se foi o dia.

Hã? E a santidade do dia comum? Ah sim! Verdade, eu tinha me esquecido que esse era o tema deste texto! E olha que eu apenas escrevi uma hipotética rotina de uma pessoa.

Imagina viver isso todos os dias!

Mas não é seu caso, não é meu caro leitor? Você pode ser o chefe, gerente, a tia do café, a pessoa que deu o pisão em alguém. Contudo, veja que o relato da rotina foi suficiente para não me recordar ou encontrar a santidade do dia comum.

Os dias sempre serão comuns na ótica divina, pois o tempo não existe na eternidade. Aqui estamos presos a este “tempo” que se consome muito rápido e, muitas vezes, não temos ideia do porque estamos correndo. A pergunta é: o que deixamos para as pessoas que convivem com a gente diariamente? Eu posso ter deixado o dia de alguém mais feliz por falar “bom dia” ou alguém bravo por causa de uma fechada no transito porque eu estava com pressa.

Essas coisas, na maioria das vezes, são ocultas a nós, mas é claro que em alguns casos sabemos que fizemos bem ou mal a alguém com ou sem intenção.

Em geral, o mal e o bem que fazemos é algo oculto, mas é nesse dia comum que nosso “eu” verdadeiro se manifesta. É muito simples viver o “faz de conta” das redes sociais, os dias de festa da Igreja, dizer que ama e perdoa as ofensas, que o amor sempre vence e que a vida é sempre linda.

O dia comum põe tudo isso a prova.

Esta rotina que descrevi pode ser a de muitos, mas também temos, infelizmente, os dias comuns das pessoas que estão em regiões de guerras, das que são refugiadas e estão em travessias perigosas, das que não tem o que comer.

E nós? O que podemos fazer no nosso dia comum?

“Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará.” (Mateus 6, 6)

Que durante os dias mais corriqueiros eu possa retirar um tempo para que “eu entre no quarto da minha consciência” e ali eu possa dirigir minha oração ao Pai. Que meu orar interfira na minha ação durante o dia comum, pois assim o meu simples dia comum, aos olhos do Pai que está oculto, será transformado por Ele em um dia de santidade! Que neste breve “retiro ao meu quarto” eu também peça perdão por não ser mais constante no bem que sou impulsionado a fazer pela ação do Seu Divino Espírito. Que eu possa cativar mais pessoas a fazer o bem! Que cada um na sua realidade, cada um no seu santo dia comum, por Graça de Deus, possa dar mais um passo à santidade.

De um católico qualquer,
Gabriel Bondioli Piterutti


A foto que escolhi: Um detalhe de um dia comum que só percebemos quando aquietamos nossa vida agitada. Um lindo céu e uma pequena visita.
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