A prática da ordem que recebemos do Senhor e nossa dificuldade em realizá-la.

Fazer o bem ao próximo é o ensinamento mais simples de se compreender e mais difícil de se executar. Não é preciso ser um grande estudioso dos ensinamentos de Jesus para perceber que isto é um dever para nós seguidores do Bom Mestre.

É simples de entender porque devemos ajudar o próximo, pois é uma ordem direta de Jesus:

“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo.” (João 15, 12)

O Senhor é muito claro nisto, se eu amo o próximo e amo como se fosse a mim mesmo, então eu posso ajudar e auxiliar quem está a minha volta.

Entretanto, há uma parte desta ordem que é, humanamente, impossível e não exagero quando digo que é impossível.

Jesus nos pede que amemos como Ele Ama.

Não somos capazes de oferecer este Amor aos outros por nós mesmos e o Senhor sabe disto. Ele nos pede isto para que nós nunca nos esqueçamos de pedir este Amor com o qual Ele Ama e este Amor é o próprio Espírito Santo que desceu sobre os apóstolos.

Contudo, se puxarmos pela memória, vamos ter diversas situações as quais nos compadecemos pela situação do nosso próximo, mas não temos como ajudar ou, infelizmente, não temos a “coragem” de ir ao encontro desta pessoa que sofre. Por exemplo, quantas vezes passamos ao lado de moradores de rua e não conseguimos estender a mão para eles.

Não se sinta excluído por se sentir mal com isso, eu sinto o mesmo.

Não conseguimos Amar como Jesus Ama e não conseguimos fazer o bem que deveríamos, mas rezar por estas pessoas é um primeiro passo e não pense que isso é pouco ou uma atitude menor. Temos uma tendencia em aguardar momentos perfeitos e utópicos para ajudar as pessoas, mas nem sempre é material a necessidade do outro.

Claro que para quem não tem o que comer, o alimento é essencial, assim como quem sente frio necessita de roupas, cobertor ou um abrigo. Então o bem que devemos fazer ao próximo possui duas faces, isto é, uma “concreta” e outra “espiritual”.

As vezes conseguimos de maneira “concreta” ajudar os outros, mas na maioria das vezes só temos a maneira “espiritual” e isso não é uma dificuldade encontrada somente pelos cristãos católicos de hoje, pois o próprio São Pedro, em seus atos, encontrou tal dificuldade em seu apostolado:

“Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo. Quando ele viu que Pedro e João iam en­trando no templo, implorou a eles uma esmola. Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: “Olha para nós”. Ele os olhou com atenção, esperando receber deles alguma coisa. Pedro, porém, disse: “Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho, eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!”. E, tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto, pôs-se de pé e andava.” (Atos dos Apóstolos 3, 2 – 7)

Podemos questionar “mas eu não sou ungido como Pedro e João, eles eram discípulos de Jesus e o Espírito Santo estava sobre eles.”.

É verdade, nós não somos Pedro e João e o Senhor sabe disto e justamente por sermos diferentes deles é que Ele nos chama.

Jesus quer que ocupemos o nosso lugar, não o deles.

E desde nosso batismo o Espírito Santo é invocado sobre nós e todos os sacramentos que recebemos durante nossa vida é sob ação do Divino Espírito Santo, então somos tão ungidos quanto Pedro e João, pois é o mesmo Espírito Santo que desceu sobre eles! Nós comungamos o Corpo e Sangue de Jesus, então Ele habita em nós! Então não é sobre ser ungido ou não, mas sobre a nossa Fé que é tímida e ínfima.

Pedro e João não tinham nada, eles abandonaram tudo o que tinham para viver integralmente a serviço do Senhor e pela Divina Providência. Eles não tinham esmola para dar àquele doente e aquela pessoa não esperava receber aquela cura, porém quero destacar dois pontos fundamentais neste relato.

O primeiro deles é que após pedir a esmola, Pedro e João “fitaram os olhos nele”, isto é, fixaram o olhar naquela pessoa. No dicionário fitar também pode ser entendido como pregar ou cravar, ou seja, ao pregar o olhar naquela pessoa eles deram a ele a importância de ser percebido como uma pessoa, pois sabemos que estas pessoas que ficavam ali mendigando não eram tidos como pessoa e eram tidos como malditos diante de Deus.

O segundo ponto é que após fitar aquela pessoa, Pedro pede que ele olhe para ele. Pedro não somente o tratou como uma pessoa, ele ofereceu tudo o que tinha para aquela pessoa, isto é, ofereceu o Amor o qual Jesus tanto pediu que eles praticassem e, para entregar este Amor, era preciso se olharem como iguais.

Pedro não negou o Amor àquele doente, pois, fazer isto, seria negar Cristo novamente.

Os apóstolos não tinham nada a oferecer materialmente, mas tinham esse Amor e esse Amor sabe o que nosso próximo precisa. O Espírito Santo conhece nosso coração e o coração do outro, então Ele sabe quando estamos oferecendo Amor ao nosso próximo e também sabe se quem está pedindo quer receber este Amor.

O Milagre que Pedro realizou só foi possível porque Pedro soube doar livremente este Amor e aquele doente soube receber livremente aquele Amor.

Temos muito a aprender com estas atitudes de Pedro e João, pois muitas vezes desviamos o olhar daqueles que precisam e somos soberbos o bastante para nos achar mais importantes que os outros.

A verdade é que, muitas vezes, temos o que dar de esmola e temos Amor para doar também, mas nos negamos a entregar aos outros.

Nós negamos Cristo muitas vezes ao dia e nem nos damos conta.

Que possamos receber de Deus Pai, pela intercessão constante de Deus Filho, o Amor com o qual Ele nos Ama. Que possamos durante nossos dias ter atitudes concretas inspiradas pelo Amor. Que nos dias em que não tivermos nem “ouro” e nem “prata”, possamos dar este Amor que sabe o que nossa próximo necessita verdadeiramente. Que não neguemos a Cristo nas pessoas que sofrem as mais diversas privações. Que possamos fitar o olhar nos que necessitam como se fossem o próprio Cristo.

De um católico qualquer,
Gabriel Bondioli Piterutti


A foto que escolhi: Que a Caridade que praticarmos nos abra as portas no Céu.
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