O silêncio que me aproxima da Voz do Senhor.

Você já ficou em silêncio hoje? Se a resposta foi negativa, fique uns minutos em silêncio e depois leia o texto.

Silêncio não é ausência de barulho externo ou apenas ficar quieto sem emitir sons. Silêncio é quase sinônimo de paz, diria que é um passo anterior ao “sentir-se em paz”.

Então o que é de fato estar em silêncio? Não sei responder isso com base em dados ou teorias, mas eu sei que o silêncio é algo que nos tira da rotina e, a não ser que você tenha controle sobre todos os seus pensamentos, esta ação nos trás a calma que necessitamos em meio ao caos.

Silenciar é a ação inesperada diante do caos.

Então podemos dizer que estar em silêncio é não agir de maneira precipitada ou impulsiva diante de uma adversidade. De certa forma Jesus nos ensina isso de maneira clara:

“Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direi­ta, oferece-lhe também a ou­tra.”
(Mateus 5, 39)

Nossa rotina nos convida diariamente a dar respostas a tudo que vemos e ouvimos e nem ao menos refletimos sobre estas coisas. A Terceira Lei de Newton, que diz que pra toda ação existe uma reação oposta e de igual intensidade, deveria ser restrita à Física, mas infelizmente o que vemos pela vida é até mais duro do que uma reação de mesma intensidade.

Diria que estamos sendo treinados para odiar ou dizer coisas ofensivas sem razão alguma e ainda nos vangloriar disto. Não sabemos mais nos recolher e refletir sobre os acontecimentos e, do dia pra noite, viramos especialistas e capazes de opinar sobre tudo.

Deste modo, silenciar é ir contra esse caos e a esta norma de que temos que nos posicionar ou até nos intrometer na vida dos outros. Claro e obvio quando isso não for uma situação em que exceda o limite aceitável da liberdade das pessoas, por exemplo, agressão física de alguma parte em um relacionamento.

O que quero dizer é que silenciar é antes de tudo refletir sobre o que está a minha frente e só podemos tomar uma decisão sobre algo, se esta passou pelo silêncio. Repare que “dar a outra face” é uma atitude que só possível, se no momento seguinte da agressão eu silencio a atitude impulsiva de revidar com uma agressão.

O silêncio diante de uma situação é uma atitude prudente que evita discursos inflamados e atitudes reacionárias. Não podemos confundir isto com passividade diante dos desafios, devemos discernir sobre isto e o silêncio, novamente, nos auxilia a diferenciar estas cosias.

Tivemos dois grandes exemplos de silêncio na História da Salvação: Maria e José.

Maria soube como ninguém silenciar e guardar tudo em Seu Imaculado Coração. Ela soube ser humilde diante de Deus e se colocou rapidamente a serviço Dele e, de maneira perfeita, soube escolher a Vida a qual Ele ofereceu.

José se anulou e soube de maneira simples confiar na providencia do Senhor diante das inúmeras dificuldades enfrentadas pela Sagrada Família.

Se não fosse o silêncio diante das adversidades encontradas por Maria e José, não seria possível escutar a Voz do Senhor. Deus falou com eles porque teve o silêncio necessário para que Sua Voz fosse escutada.

E aqui temos o grande trunfo do silêncio: ele permite que escutemos a Voz do Senhor.

Enquanto somos treinados para falar incessantemente e de maneira arbitrária, Maria e José nos ensinam que é no silêncio que escutamos a Voz que devemos seguir e não a voz daqueles que são populistas, mentirosos e maldosos.

Que possamos silenciar diante de nossas dificuldades, para que Deus possa falar conosco e assim possamos ouvir e decidir-se pelo bem. Que saibamos refletir sobre as informações que são amplamente difundidas nas redes sociais e meios de comunicação, separando “o joio do trigo”. Que tenhamos a sensibilidade de ouvir mais a Voz do Senhor, ao invés de ouvir os homens e sua palavra podre.

De um católico qualquer,
Gabriel Bondioli Piterutti


A foto que escolhi: Assim como na música a pausa significa silêncio, que eu saiba silenciar para abrir espaço para a Voz de Deus.

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