Evangelizar no “tempo dos posicionamentos”.

As relações em sociedade tem sido cada vez mais discutidas nos diversos meios de comunicação, redes sociais e grupos ativistas. São inúmeras questões do que e como devemos nos comportar ou agir em relação ao outro de modo que não sejamos desrespeitosos ou inconvenientes.

É verdade que nossas ações e falas demonstram o que temos em nosso interior, mas também há de se ponderar que estamos sempre em um processo de aprendizado e que erros são parte deste caminho. Não conseguimos acertar sempre, mas o esforço em ser melhor deve ser observado e assim podemos desfrutar de relações amistosas em vários ambientes os quais somos expostos.

Do ponto de vista Cristão Católico, os maiores mandamentos que Jesus nos fala refletem este raciocínio, pois amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, vamos nos relacionar com o outro de modo virtuoso e sem impedimentos e, mesmo com algum deslize por conta da nossa natureza corrupta, teremos uma cordialidade com os outros que irá transparecer verdadeiramente estes dois preceitos.

Isto, talvez, seja o mundo ideal aqui nesta terra.

Entretanto, opiniões diferentes da nossa, geralmente, não são bem recebidas e temos dificuldade de compreender o posicionamento adverso. Agimos, instintivamente, de maneira defensiva quando nos deparamos com um argumento contrário ao que acreditamos e não há problema nisto, desde que o respeito prevaleça entre ambas as partes.

Discordar nunca será um problema, se mantivermos os dois maiores mandamentos como guia.

Quando sou convidado a amar o próximo como a mim mesmo, eu preciso exercer um amor que sai do meu interior e vai até o interior do próximo. Então, se amo verdadeiramente, mesmo enfrentando uma opinião diferente, eu procuro oferecer um valor que excede qualquer tipo de argumento e cabe ao próximo acolher este amor e, mesmo pensando diferente, não retribuir de maneira desrespeitosa.

Não cabe dizer quem está certo ou errado sobre algum assunto polêmico, pois cada um de nós acredita e vive de acordo com o que lhe parece razoável e, uma discussão em alto nível, respeita-se este princípio. Então o “pensar diferente” não nos incomoda, porque se sou capaz de compreender, refletir e tirar minhas conclusões sobre algo, eu sou capaz de ouvir, refletir e concordar ou não com a opinião do próximo sem que isso me ofenda ou que eu o ofenda.

É curioso que Jesus mesmo ensina isto a nós:

“Por onde andardes, anunciai que o Reino dos Céus está próximo. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demô­nios. Recebestes de graça, de graça dai! Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão; pois o operário merece o seu sustento. Nas cidades ou aldeias onde entrardes, informai-vos se há alguém ali digno de vos receber; ficai ali até a vossa partida. Entrando numa casa, saudai-a: Paz a esta casa. Se aquela casa for digna, descerá sobre ela vossa paz; se, porém, não o for, vosso voto de paz retornará a vós. Se não vos receberem e não ouvirem vossas palavras, quando sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi até mesmo o pó de vossos pés.” (Mateus 10, 7 – 14)

Na minha opinião (e tudo bem se você discordar dela!), Jesus nos alertou sobre essas divergências de opiniões e não incitou ou ordenou qualquer ato violento ou desrespeitoso em relação a isto. Então, ao nos posicionar sobre algum assunto, se estamos sob a Ação de Seu Santo Espírito e a favor de Seu Reino, sempre iremos compactuar com pensamentos que estão fielmente ligados aos dois maiores mandamentos e, se alguém não quiser ouvir a Palavra ou “aceitar esta paz” que Jesus nos mandou anunciar, isto irá retornar para nós e isto é uma benção para nós, mas seria muito melhor se ela fosse acolhida pelo outro.

De nossa parte, NUNCA devemos reagir com desrespeito ou violência, pois isto não é amar o próximo como a si próprio, então, mesmo que sejamos desrespeitados, devemos amar e deixar para Deus a justiça, porque nossa ordem foi anunciar a Palavra e “sacudir a poeira dos pés” em sinal de que ali anunciamos, mas não fomos ouvidos e tudo bem, pois fizemos nosso dever e rezaremos para que outros irmãos ali falem desta Palavra e Ela seja acolhida, porque não é a minha Palavra que anuncio.

As vezes brigamos, porque queremos ter razão numa discussão e não anunciar a Palavra de Deus. Pode ser que meu jeito de falar não convenceu meu próximo, mas, talvez, outra pessoa seja capaz de convencê-la e isto é o mais importante.

Eu espero que, pelos lugares que eu andei, muitos tenham acolhido esta Palavra e que aqueles que não acolheram, recebam esta Palavra de outros, pois não importa se alguém se converteu por algo que eu falei ou que outro falou. O que realmente importa é que o nosso próximo se converteu e isso é uma alegria imensa no Céu!

De minha parte, que eu esteja sempre pronto a anunciar e dizer o que deve ser dito, mas sempre com amor e nunca de maneira grosseira.

Que possamos anunciar a Palavra de Deus e não a nossa. Que nossa “verdade” seja a Verdade que Jesus fala, isto é, que nossa “verdade” seja o próprio Cristo. Que não desrespeitemos a ninguém quando formos anunciar a Palavra de Deus. Que quando formos desrespeitados por defender nossa Fé, retribuamos com amor e orações para que Deus envie outra pessoa em nosso lugar capaz de converter aqueles corações que não receberam a Sua Palavra. Que trabalhemos a favor do Reino de Deus. Que obedeçamos à Sua ordem de amar e que deixemos qualquer outro tipo de juízo nas Mãos Daquele que pode e irá nos julgar no Fim dos Tempos.

De um católico qualquer,
Gabriel Bondioli Piterutti


O anúncio da Palavra - UCQ
A foto que escolhi: Que este blog anuncie a Palavra de Deus e seja sempre para a Glória de Deus!
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