Episódio 12: O embate entre duas atitudes humanas e seus devidos fins.

Nas redes sociais, é bem comum a vida ser quase perfeita ou nos depararmos com “frases motivacionais” ou “prazos para um milagre acontecer” se você digitar um “Amém” no post. É verdade que uma “frase” ou um “milagre” pode acontecer sim nestas circunstâncias e isso depende da fé da pessoa que viu o post e não necessariamente de quem postou.

Entretanto, quero refletir sobre a maneira com a qual publicamos estas “frases” ou “milagres” e, para isto, vou direto ao ponto: Quando eu exponho uma “frase” ou “proclamo o milagre”, eu estou sendo instrumento de Deus ou estou “mandando” em Deus?

Essa pergunta é fundamental e revela muito sobre nós mesmos. São duas maneiras de dizer as tais frases e elas podem muito bem gerar bons frutos para as outras pessoas, mas pode ser nossa santificação ou nossa condenação.

Surpreso?

“Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Se­nhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Reti­rai-vos de mim, operários maus!” (Mateus 7, 21 – 23)

Menos surpreso agora? Bom, vou explicar o meu ponto:

Quando estamos “mandando” em Deus, nós estamos nos envaidecendo, estamos apenas querendo mostrar para os outros que “podemos” alcançar graças de Deus, proclamar os milagres e mostrar que somos ungidos. É como se Deus agisse em favor dos outros pela minha palavra e não porque Ele quis.

Deus não precisa de nós para ser Deus e, muito menos, para agir na vida de alguém.

Um questionamento comum é: “Mas Deus mesmo nos diz que devemos pedir e que faremos prodígios maiores que os que Ele mesmo fez!”. Isto é verdade, o ponto não é o que proclamamos publicamente e sim a intenção que ficou escondida em nosso coração ao agirmos.

Nossa vaidade nunca irá impedir uma ação de Deus e, por isso, mesmo que tenhamos tal ruína dentro de nós, Deus é capaz de conceder todo tipo de bem e prodígio se Ele desejar.

Deus pode usar da nossa vaidade para agir na vida de alguém, porém essa mesma vaidade será motivo de nossa condenação! Essa miséria que nos condena no dia do juízo, ocorre porque nos colocamos acima de Deus. Dizer “aqui fazemos milagres!” ou “aqui na minha igreja você conhece Deus!” é apequenar a Vontade de Deus e o próprio Deus.

Deus não se retém a ninguém e a nenhum espaço físico, salvo se assim Ele quiser. Um exemplo disto é a Eucaristia, pois Ele mesmo quis se tornar Pão da Vida para nós.

Contrapondo essa vaidade podre que habita em nós, é a humildade de ser instrumento nas Mãos de Deus. Enquanto a vaidade torna Deus nosso capacho, a humildade nos torna canal de santidade para os outros e para nós mesmos.

A vaidade não suporta a ideia de se curvar a humildade que somos chamados a viver.

“Aquele, pois, que ouve estas mi­nhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.” (Mateus 7, 24 – 27)

A humildade nos torna prudentes e nos firma na Rocha que é o próprio Deus, pois Ele é verdadeiramente humilde e puro de coração. Com essa base sólida, a humildade Dele encontra lugar nosso coração e aí não haverá espaço para a vaidade e somos capazes de reconhecer que tudo que há de bom e todo prodígio é consequência da Bondade Infinita de Deus e não do meu pedido e muito menos da minha palavra.

A Palavra de Deus criou tudo que existe, enquanto a nossa palavra será nosso juiz diante Dele.

Devemos aprender a ouvir o que Deus tem a nos dizer e não impor nossas falas e desejos para mostrar aos outros que somos “ungidos”. Agir deste modo, é ser como o homem insensato que o Senhor nos fala e, visto que somos tidos como “bons” diante dos outros, o próprio Senhor diz que estes já tiveram sua recompensa.

“Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.” (Mateus 6, 5)

A vaidade trás recompensas ainda neste mundo, mas a humildade trás as recompensas no mundo que há de vir.

Que saibamos ser instrumentos nas Mãos de Deus. Que ao proclamar uma palavra de incentivo ou algum prodígio, tenhamos plena consciência de que é Deus quem age e concede todo tipo de Bem, Graça ou Milagre. Que não queiramos tomar o lugar de Deus. Que ao proferir qualquer tipo de pedido a Deus, tenhamos a humildade e respeito que precisamos ter ao falar com Deus ou sobre Deus. Que nós, meros servos do Senhor, diminuamos e Ele, Princípio, Meio e Finalidade de tudo, apareça cada vez mais.

De um católico qualquer,
Gabriel Bondioli Piterutti


A foto que eu escolhi: A simplicidade, carinho e humildade que Deus demonstra numa pequena flor.
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