A Precificação do homem.

Nossa sociedade possui um característica consumidora e propensa a atribuir valor a produtos e matéria-prima para confecção de bens e objetos que podem ser úteis para a população. É verdade que “atribuir valor” é algo complexo e requer um estudo de mercado para observar a relevância, disponibilidade e custos operacionais para a real precificação de um objeto.

Sabemos que existem ofertas e demandas de alimentos, vestuários, eletrônicos, imóveis e tantos itens essenciais para nossa existência e conforto no mundo moderno. Temos também uma necessidade adaptativa conforme vamos avançando no tempo, basta observar que um celular há vinte anos atrás não era uma real necessidade e hoje é quase indispensável quando utilizado racionalmente e de maneira moderada.

Então o valor das coisas acompanha sua utilidade e praticidade, no exemplo do celular, ele não era tão acessível antigamente, porém a precificação era de acordo para os poucos que possuíam necessidade deste objeto. O que ocorre hoje é quase uma inversão de valor, pois ao mesmo tempo que muitos necessitam do objeto para suas tarefas pessoais ou profissionais o preço subiu muito, justamente por ter uma demanda grande e uma oferta baixa.

Mesmo existindo uma certa variedade de modelos de celulares, a compra em muitos casos é baseada no status o qual o objeto atribui ao comprador.

Um celular top de linha, implicaria em um consumidor com alto poder aquisitivo e claro que nem sempre isso é verdade, pois vemos que muitos querem ter para mostrar que tem tal objeto.

Podemos dizer que estamos condicionando o valor (status) que uma pessoa tem pelas coisas que ela possui. Faça um exercício de imaginação: qual é seu valor pelas coisas que você tem? Isso reflete quem você é realmente? Ou você vale menos ou mais? E como saberemos que isto é uma medida fidedigna?

Em resumo: Qual é o valor de uma pessoa?

Ainda bem que Jesus mesmo nos disse:

“Portanto, eis que vos digo: não vos preo­cupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mateus 6, 25 – 34)

Infelizmente condicionamos nosso valor aos nossos bens e precisamos compreender que nosso valor não consiste no que temos e sim no que somos de fato. Se o próprio Senhor estabeleceu ao nosso valor o “preço” de Seu Sangue derramado em Sua Paixão, como podemos nos medir ou medir nosso próximo pelo que ele possui?

Vejo que isto é um pecado gravíssimo, pois trocamos o Preciosíssimo Sangue de Jesus por coisas de valor infinitamente menor e totalmente perecíveis quanto um “lírio que amanhã será lançado ao fogo”.

Senhor, tende piedade de mim, porque sou pecador!

Que tenhamos a plena consciência de que somos valiosos perante Deus. Que não julguemos os outros pelo que possuem, mas pelo valor que verdadeiramente têm. Que não coloquemos condições para Amar o próximo e que não tomemos a posição de julgadores, que antes possamos dizer aos nossos irmãos que eles possuem um Preço Impagável, que é o Próprio Sangue do Senhor.

De um católico qualquer,
Gabriel Bondioli Piterutti


Quanto você vale? - UCQ
A foto que escolhi: "Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles."
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