A confiança no Amor.

Uma característica importante em uma relação é a confiança e, geralmente, confiamos em pessoas as quais possuem algum significado em nossas vidas, mas também ocorre situações em que temos que creditar funções ou ações a outros que não convivem conosco.

Imagine que você vai ao médico para investigar algum problema de saúde. Geralmente, quando procurarmos um médico, pedimos uma indicação de um amigo, pois assim teremos uma “segurança” de que o médico em questão é competente, mas também pode acontecer de procurarmos um profissional sem recomendação e nos depararmos com um bom profissional ou não.

Agora, em nenhum dos casos temos a garantia da competência deste profissional, a não ser que ele é um médico registrado no conselho de medicina. Então nossa confiança é em função de que este médico pertence ao órgão que regulamenta e atesta a competência para exercer a profissão.

Ainda em nosso exemplo, imagine que o médico, ao investigar o seu problema, identifique a necessidade de uma intervenção cirúrgica e que este mesmo profissional é apto para efetuar a cirurgia. Novamente, temos que confiar nas habilidades e na competência deste médico em efetuar com êxito este procedimento.

Entretanto, não será somente um médico envolvido no processo. Teremos o anestesista, os enfermeiros, talvez outros médicos auxiliares, ou seja, haverá uma equipe inteira participando desta operação e, novamente, nossa confiança estará depositada nas mãos destes profissionais.

Neste exemplo, estamos confiando nossa vida nas mãos destas pessoas, pois estamos vivos durante a cirurgia, não paramos de viver enquanto eles estão efetuando o procedimento. Então nossa vida naquele momento está sob um certo risco controlado, mas não deixa de ser um risco.

Justamente por existir este risco, nossa confiança tem que encontrar um terreno firme para se apoiar. Como havia dito, procuramos profissionais que são referência e que são bem avaliados por pacientes, órgãos e afins.

Tendo este cenário de confiança, a pergunta deste texto é: Qual a sua confiança em Deus?

Ora, se nossa confiança depende da competência daquele que alvo deste credito, por que temos dificuldades em confiar em Deus, sendo Ele Perfeito? Por que não confiamos Naquele que deu a maior prova de Amor por nós? Por que não confiamos Naquele que Quer, mais do que nós mesmos, a nossa felicidade e Salvação?

Por que?

Somos capazes de confiar nossa vida em mãos humanas e, muitas vezes, fazemos isto por motivos fúteis como, por exemplo, a necessidade de se encaixar num padrão estético imposto pela sociedade e, entretanto, não conseguimos confiar em Deus, pois não sabemos o que Ele vai Querer para nós.

Não confiamos no Querer de Deus porque isto pode mexer com nossas vaidades.

Assim como uma cirurgia irá retirar ou corrigir algo que é prejudicial a nossa vida, o Querer de Deus irá retirar de nossas vidas aquilo que nos impede de ser santos. Contudo, uma cirurgia deixa marcas e nos causa algum sofrimento ou desconforto, mas que é passageiro e que proporciona uma melhoria na qualidade de vida e, da mesma forma, este Querer de Deus nos purifica de nossos vícios e prazeres nos conduzindo ao Céu, onde lá sim seremos eternamente e verdadeiramente felizes.

Para confiar em Deus, temos que nos desapegar de nossas vontades.

Ele sabe o que é melhor para nós, ainda que tenhamos que passar por sofrimentos, é para a Vida que Ele nos chama. Precisamos confiar cegamente em Seu Amor e que, mesmo nas dificuldades, Seu Amor e Consolação está conosco e, com a Graça de Deus, quando estivermos diante Dele teremos a realização desta promessa:

“Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: ‘Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.’. Então, o que está assentado no trono disse: ‘Eis que eu renovo todas as coisas.’” (Apocalipse 21, 1 – 5)

Não posso imaginar o que será isto e não compreendo como será, mas sem dúvida quero me desapegar de mim mesmo e abandonar minha vontade ao Querer de Deus, pois este será o fim que receberemos se permanecermos firmes na Fé.

Que nossa Fé seja um terreno fértil para esta confiança em Deus. Que nos abandonemos ao Amor. Que lutemos bravamente na manutenção da nossa Fé. Que nosso querer seja o Querer de Deus.

De um católico qualquer,
Gabriel Bondioli Piterutti


O Querer de Deus - UCQ
A foto que escolhi: Só por Ti, Jesus, quero me consumir, como vela que queima no altar.
Anterior Quarta-feira, 10/11/2021
Próximo 12/11 - São Josafá