A consciência em ser agradável a Deus.

Quando era adolescente, uma das primeiras passagens que li na bíblia foi esta:

“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo caminho da humilhação. Põe tua confiança em Deus e ele te salvará; orienta bem o teu caminho e espera nele. Conserva o temor dele até na velhice.” (Eclesiástico 2, 1 – 6)

Meu primeiro pensamento foi: “Eu quero ser agradável a Deus!”. Contudo, ao desejar isto, deveria aceitar tudo o que está escrito nesta palavra. Ao entrar para o Serviço de Deus é necessário permanecer na justiça e no temor, pois virão provações, humilhações, tempo de infelicidade e dor.

Deus nunca ocultou isto a nós.

“Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.” (Mateus 10, 22)

Um cristão católico, que está no Caminho de Deus, é alvejado por todos estes infortúnios e isto é um sinal de que está no caminho certo. Também observemos que a palavra diz: “sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça”.

Isto é uma promessa de Deus para nós.

Um questionamento comum é: quando será este momento derradeiro? Respondo isto com uma passagem:

“Voltando-se Pedro, viu que o seguia aquele discípulo que Jesus amava (aquele que estivera reclinado sobre o seu peito, durante a ceia, e lhe perguntara: “Senhor, quem é que te há de trair?”). Vendo-o, Pedro perguntou a Jesus: “Senhor, e este? Que será dele?”. Respondeu-lhe Jesus: “Que te importa se eu quero que ele fique até que eu venha? Segue-me tu”.” (João 21, 20 – 22)

Muitas vezes queremos saber quando e como nossa “vida se enriquecerá” de acordo com a Vontade de Deus, é como se nós fossemos Pedro ao perguntar o que será do outro discípulo, mas nós perguntamos sobre nós mesmos ao Senhor e a resposta de Jesus é contundente, não importa quando e como irá acontecer o que devemos fazer é segui-Lo.

Quando adolescente não entendia e talvez ainda hoje não entenda, mas a vivência no Serviço de Deus, dia após dia, confirma que Deus conduz nossa vida e não cabe a nós questioná-Lo sobre quando vamos nos ver livres das provações e, mesmo durante as provas mais difíceis, o Seu Amor sempre está presente e mostrando que é necessário ser firme na justiça, temor e paciente.

Não devemos questionar, devemos ser fiéis e confiar em Sua Promessa. Se for amanhã nossa libertação, que assim seja. Se for daqui a dez anos, que assim seja. Se for somente lá no Céu, que assim seja.

Isto é manter-se firme. É ser fiel.

Devemos unir nossas humilhações e dificuldades à Cruz do Senhor, pois através Dela podemos nos santificar. Se não nos unirmos à Sua Cruz, estamos sofrendo em vão ou já tivemos nossa recompensa numa vida no caminho errado.

Paciência é a chave de tudo, é a virtude que nos aproxima de Deus através desta resiliência que o Caminho exige. Devemos ser pacientes e constantes e, se cairmos, levantemos prontamente a retomar o passo rumo ao Céu, pois nossa vida se enriquecerá, seja aqui nesta terra ou lá no Céu, porque Ele nos prometeu isto, se perseverarmos.

Que tenhamos um coração humilde e que se humilhe tantas vezes quanto for necessário para nossa salvação. Que tenhamos paciência. Que sejamos firmes na justiça e no temor. Que sejamos agradáveis a Deus.

De um católico qualquer,
Gabriel Bondioli Piterutti


O Serviço de Deus - UCQ
A foto que escolhi: É necessário uma consciente decisão em se consumir no Serviço de Deus.
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