Episódio 7: A constante que era, é e sempre será.

Escrever sobre o Amor de Deus deveria ser uma tarefa fácil para um cristão católico, no entanto é extremamente difícil dissertar sobre isso. E vou listar as dificuldades que eu, particularmente, encontro ao tentar expressar o que é este Amor.

1 – É um Amor que apenas Ama.

A humanidade banalizou o Amor quando O transformou em um sentimento. É corriqueiro ver juras de amor que não duram uma semana ou que se limitam a um saldo bancário.

O amor tem como característica principal uma decisão e, uma vez decidido, enfrenta o obstáculo de ser constante durante o tempo. Essa dependência do tempo transforma o amor humano numa decisão diária e nós, que somos reféns do tempo, temos que buscar meios de nutrir esta decisão dia após dia.

Ao entender que Deus é eterno, Ele não precisa reafirmar Seu Amor por nós, porque Ele apenas Ama, não existe ontem e amanhã. Ele É sempre no tempo presente, se imaginarmos uma linha do tempo, Ele está aqui comigo neste momento, no momento em que você está lendo isto, está junto com Davi no dia de sua eleição como Rei e no futuro, o qual não sabemos se existe.

Deus é constante e independe do tempo e, por isso, o Seu Amor apenas Ama na conjugação presente do verbo.

2 – O Amor de Deus é uma Pessoa.

Só de ser constante e não poder se contradizer, já torna este Amor incompreensível para nós, mas ainda se acrescenta que o Amor de Deus é uma Pessoa e tem um Nome e sabemos que este Amor atende pelo Nome de Jesus e Ele falou muito sobre o Amor de Deus Pai. Não somente falou nas palavras, mas nos gestos, curas, milagres, emoções, dores, morte e na sua ressurreição.

O Amor andou sobre esta terra e fez somente o que pode fazer: o Amor Amou. Aqui a conjugação do verbo ficou no passado porque o Amor se tornou humano e, durante a vida de Jesus, se tornou prisioneiro do tempo em que viveu, mas Ele nos mostrou que, este Amor o qual Ele falava, é esse Amor que é constante e Vivo desde sempre e para sempre.

O próprio Jesus se retirava para rezar e se abastecer deste Amor, porque, uma vez sujeito ao tempo, era preciso determinação em manter este Amor durante a Sua vida aqui na terra e ao ressurgir, o Amor rompeu novamente a prisão que o tempo impôs.

Sendo uma Pessoa e não mais prisioneiro, é possível conhecer e se encontrar com este Amor e a grande prova disso são os milagres diários que ocorrem nas Celebrações Eucarísticas, nos retiros espirituais, nas boas ações do dia e em tantos outros lugares e momentos de nossas vidas.

Contudo, sua experiência é extremamente pessoal e não cabe a mim ou a outra pessoa mensurar tal encontro. Cada um sente e se encontra de maneira diferente com este Amor que Ama.

3 – É um Amor que se sente.

Até aqui sabemos (?) que é um Amor que Ama e é uma Pessoa, mas ainda tem mais um ponto fundamental que são os sentidos.

O Amor com que Deus nos Ama, passa por todos os nossos sentidos e somente por esta percepção é que podemos experimentá-lo. Somente pelo sentir eu posso reconhecer que Ele está no meio de nós, é na Eucaristia que se torna alimento para meu corpo e alma que posso provar com meu corpo este Amor, é vendo uma representação da Sua Paixão que eu posso ver o sofrimento que o Amor passou, é ouvindo uma música que escuto o Seu “eu te Amo”, é tocando o Sacrário que eu seguro Sua mão.

E isso só é possível porque em nós habita o Seu Santo Espírito. O Amor do Senhor é o Divino Espírito Santo que desceu sobre os apóstolos, que ungiu os profetas, que gerou Jesus no ventre Imaculado de Maria, que nos impulsiona para o bem, que nos revela o Amor, isto é, o próprio Jesus, mesmo Ele não estando fisicamente aqui e, sendo morada para Seu Santo Espírito, sou capaz de conhecer o Pai, por intercessão constante do Filho pela ação do Espírito Santo.

Estes três pontos compõe a Santíssima Trindade: Deus Pai (o Amor), Deus Filho (o Amado) e Deus Espírito Santo (o Amante). Três modos de dizer que Ama, três maneiras de mostrar gestos humanos que Ama, três formas de sentir que Ama.

É um mistério inalcançável e intransponível para nós, por isso não é possível descrever, somente sentir, conhecer e doar porque não se retém em lugar e em corpo nenhum e a única exceção é o Sacramento do Altar, porque assim Ele quis.

Que no dia de hoje eu me aproxime mais deste Amor. Que eu conheça mais esta Pessoa que me Amou e Ama. Que seu Espírito me mova rumo ao lugar onde o tempo não vai mais me prender e que ali eu também possa dizer meu “eu te amo” definitivo.

De um católico qualquer,
Gabriel Bondioli Piterutti

A foto que escolhi: O sacrifício do Amor, o Memorial do Amor e a vitória do Amor.

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